{"id":3009,"date":"2016-12-13T22:55:32","date_gmt":"2016-12-14T01:55:32","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3009"},"modified":"2016-12-13T22:55:32","modified_gmt":"2016-12-14T01:55:32","slug":"ligue-os-pontos-poemas-de-amor-e-big-bang","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=3009","title":{"rendered":"\u201cLigue os Pontos \u2013 Poemas de Amor e Big Bang\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Todo o mundo conhece Greg\u00f3rio Duvivier. Seja como ator na Porta dos Fundos (eu gosto), seja como colunista na Folha de S\u00e3o Paulo (\u00e0s vezes gosto, \u00e0s vezes n\u00e3o gosto, mas \u00e9 sempre original), seja como aquele engra\u00e7adinho que entrou ao vivo num jornal da TV Globo dizendo a famosa frase \u201cprimeiramente, fora Temer\u201d. <!--more-->O que eu n\u00e3o tinha ideia era do talento do sujeito como poeta. O seu \u201cLigue os Pontos \u2013 poemas de amor e big bang\u201d (Companhia das Letras, 88 p\u00e1ginas) \u00e9 excepcional. \u00c9 um livro luminoso, profundo, surpreendente.<\/p>\n<p>Depois da bela dedicat\u00f3ria para sua ent\u00e3o mulher, Clarice Falc\u00e3o, vem a parte chamada \u201cCartografia Afetiva\u201d, em que ele, em r\u00e1pidas pinceladas, descreve diversas regi\u00f5es e bairros do Rio de Janeiro. \u201cAlguns lugares\u201d, segundo Duvivier, \u201cjazem enclausurados como certos becos de Copacabana que moram em 1993\u201d. O bairro da Urca tem \u201cmedo de assalto\u201d, onde ningu\u00e9m \u00e9 \u2013 isso \u00e9 paranoia dos militares, av\u00f3s e \u201cfilhas de militares que nunca se casaram\u201d que moram l\u00e1. \u201cO Bairro de Botafogo se fosse um senhor usaria \u00f3culos de fundo de garrafa\u201d. J\u00e1 o bairro de S\u00e3o Conrado parece o m\u00eas de agosto: \u201c\u00e9 dif\u00edcil atravess\u00e1-lo\u201d. \u201cO m\u00eas de fevereiro nasce em outubro no alto da Floresta da Tijuca\u201d e, quando chega em Ipanema, \u201cj\u00e1 estamos em maio\u201d.<\/p>\n<p>No poema \u201cgera\u00e7\u00e3o bug do mil\u00eanio\u201d Duviver lembra do ano de 1998, do que fazia e assistia na \u00e9poca, quando tinha medo que o mundo acabasse no ano 2000 antes de \u201cconseguir beijar algu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Os poemas de amor que ele escreve para Clarice Falc\u00e3o s\u00e3o muito bonitos. O destaque \u00e9 \u201cligue os pontos\u201d, em que ele pega uma caneta esferogr\u00e1fica e liga os pontos sardentos das costas dela enquanto ela dormia. Ele achou que ia descobrir um mapa submerso ou uma constela\u00e7\u00e3o oculta, mas achou um \u201cpol\u00edgono arbitr\u00e1rio\u201d que \u201cn\u00e3o fornecia dire\u00e7\u00f5es\u201d mas \u201csimplesmente dizia: voc\u00ea est\u00e1 aqui\u201d.<\/p>\n<p>Mas eu acho que o ponto alto do livro s\u00e3o os poemas sobre o Big Bang. Em \u201cno dia seguinte ao big bang\u201d uma \u201cdor de cabe\u00e7a tit\u00e2nica\u201d devido \u00e0 ressaca tomou conta dos astros depois dele: o neg\u00f3cio era continuar a beber para resolver o problema. Em \u201cnum dia ensolarado\u201d Duvivier conta que at\u00e9 hoje ouvimos, de maneira ensurdecera, o barulho do Big Bang. Parece que n\u00e3o o ouvimos, \u201cs\u00f3 n\u00e3o estamos escutando porque sempre o ouvimos, desde pequenos, mas se ouv\u00edssemos agora pela primeira vez seria ensurdecedor\u201d. A m\u00fasica, ele conclui, serve para \u201ccalar o estrondo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo o mundo conhece Greg\u00f3rio Duvivier. Seja como ator na Porta dos Fundos (eu gosto), seja como colunista na Folha de S\u00e3o Paulo (\u00e0s vezes gosto, \u00e0s vezes n\u00e3o gosto, mas \u00e9 sempre original), seja como aquele engra\u00e7adinho que entrou ao vivo num jornal da TV Globo dizendo a famosa frase \u201cprimeiramente, fora Temer\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[384],"class_list":["post-3009","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-gregorio-duvivier","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3009"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3011,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3009\/revisions\/3011"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}