{"id":300,"date":"2015-03-11T16:03:20","date_gmt":"2015-03-11T16:03:20","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=300"},"modified":"2015-03-26T18:09:51","modified_gmt":"2015-03-26T18:09:51","slug":"juvenilia-de-charlotte-bronte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=300","title":{"rendered":"Juven\u00edlia, de Charlotte Bront\u00eb"},"content":{"rendered":"<p>Um dos melhores pref\u00e1cios que j\u00e1\u00a0li \u00e9 aquele escrito por George Orwell para Viagens de Gulliver, romance de Jonathan Swift. O surpreendente neste pref\u00e1cio \u00e9\u00a0que Orwell, t\u00e3o f\u00e3 do livro de Swift que o leu umas doze vezes, fala mal do romance que prefacia. Conta v\u00e1rios defeitos do autor, seus preconceitos e manias, mas acaba se rendendo ao g\u00eanio de Swift.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Coisa um pouco diferente \u00e9\u00a0o pref\u00e1cio do genial As ilus\u00f5es perdidas, de Choderlos de Laclos. O livro \u00e9\u00a0todo composto por cartas, e os principais personagens do romance n\u00e3o t\u00eam o menor car\u00e1ter. Laclos inventou, no seu pref\u00e1cio, que tinha simplesmente recolhido e compilado as cartas que eram o pr\u00f3prio romance: e fala mal dos &#8220;autores&#8221; delas, que n\u00e3o eram mais do que os pr\u00f3prios personagens criados por Laclos. Era uma t\u00e9cnica utilizada na \u00e9poca: dar um verniz de realidade \u00e9\u00a0fic\u00e7\u00e3o que se iria ler.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de tamb\u00e9m falar mal do livro, o pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o da Penguin-Companhia das Letras de Juven\u00edlia, de Jane Austen e Charlotte Bront\u00eb, \u00e9\u00a0bastante diferente. A obra comp\u00f5e-se de textos escritos na adolesc\u00eancia das autoras. No pref\u00e1cio, Frances Beer n\u00e3o se cansa de criticar o exagero e a falta de matizes dos textos de Jane Austen, e a imaturidade daqueles de Charlotte Bront\u00eb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas acabou sendo bom ter lido, antes da obra propriamente dita, um texto t\u00e3o cr\u00edtico: sem esperar muito, acabei me deliciando com a leitura do livro. Os pequenos contos de Jane Austen, cr\u00edticos \u00e0\u00a0hipocrisia daquela \u00e9poca (e de todas as \u00e9pocas) s\u00e3o extremamente vivazes e engra\u00e7ados &#8211; qualidades que ela n\u00e3o perdeu nas obras-primas da maturidade. J\u00e1 os textos de Charlotte Bront\u00eb contam a hist\u00f3ria do reino fict\u00edcio de Angria, e do seu rei Zamorna &#8211; que no in\u00edcio \u00e9\u00a0uma pessoa de excelente car\u00e1ter mas que o poder acaba corrompendo. A edi\u00e7\u00e3o da Penguin-Companhia das Letras \u00e9\u00a0uma seleta dos textos de Charlotte Bront\u00eb que tratam de Angria, e muitos trechos s\u00e3o apresentados apenas em um r\u00e1pido resumo. Isto, mais o fato de que Zamorna vai mudando de nome a medida que a obra vai evoluindo, dificulta um pouco a leitura. N\u00e3o importa. Os textos de Juven\u00edlia sob responsabilidade de Charlotte Bront\u00eb t\u00eam uma excelente penetra\u00e7\u00e3oo psicol\u00f3gica, e sempre despertam o interesse do leitor.<\/p>\n<p><em>(texto escrito em 2015)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos melhores pref\u00e1cios que j\u00e1\u00a0li \u00e9 aquele escrito por George Orwell para Viagens de Gulliver, romance de Jonathan Swift. O surpreendente neste pref\u00e1cio \u00e9\u00a0que Orwell, t\u00e3o f\u00e3 do livro de Swift que o leu umas doze vezes, fala mal do romance que prefacia. 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