{"id":2923,"date":"2016-10-17T20:58:26","date_gmt":"2016-10-17T23:58:26","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2923"},"modified":"2016-10-17T20:58:26","modified_gmt":"2016-10-17T23:58:26","slug":"confucius-de-meher-mcarthur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2923","title":{"rendered":"\u201cConfucius\u201d, de Meher McArthur"},"content":{"rendered":"<p>Conf\u00facio (551 a.C. \u2013 479 a.C.) \u00e9 provavelmente o chin\u00eas mais importante da hist\u00f3ria. Desde a sua morte seus ensinamentos t\u00eam sido parte importante da tradi\u00e7\u00e3o e costumes n\u00e3o s\u00f3 da China, como tamb\u00e9m de pa\u00edses vizinhos como o Jap\u00e3o, a Coreia e o Vietn\u00e3. Recentemente, a relev\u00e2ncia dos ensinamentos de Conf\u00facio na China continental tem aumentado significativamente, depois da tentativa do ditador Mao Ts\u00e9-Tung de\u00a0 fazer com que a cultura chinesa voltasse \u00e0 estaca zero \u2013 eliminando, ou tentando diminuir a import\u00e2ncia,\u00a0 de tradi\u00e7\u00f5es como o budismo, o tao\u00edsmo e o confucionismo. Para que se tenha uma ideia da sua import\u00e2ncia na China atual, o instituto de difus\u00e3o internacional da l\u00edngua e cultura chinesas, equivalente ao alem\u00e3o Instituto Goethe, chama-se Instituto Conf\u00facio (sim, e tem no Brasil). \u201cConfucius\u201d, da historiadora escocesa Meher McArthur, \u00e9 uma \u00f3tima introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e aos ensinamentos do verdadeiro arqu\u00e9tipo do \u201cs\u00e1bio chin\u00eas\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>Diferentemente de outras tradi\u00e7\u00f5es milenares, o confucionismo n\u00e3o se importa muito com a vida ap\u00f3s a morte; ao contr\u00e1rio, ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de manual de comportamento bastante pr\u00e1tico, que pode ser seguido por virtualmente qualquer um \u2013 interessante observar, neste sentido, que os padres jesu\u00edtas que tentaram convencer os chineses a se converter ao catolicismo a partir do sec. XVI se entusiasmaram bastante com o confucionismo, n\u00e3o vendo grandes incompatibilidades entre as duas grandes doutrinas. Conf\u00facio pregava um profundo respeito aos antepassados e aos ritos ancestrais, a dedica\u00e7\u00e3o aos estudos, a cria\u00e7\u00e3o de uma burocracia de grande capacidade intelectual (a China, inclusive, foi o primeiro pa\u00eds a promover concursos p\u00fablicos para cargos de Estado), a valoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, a moralidade estatal e harmonia entre as pessoas de maneira geral. Conf\u00facio pregava tamb\u00e9m a volta aos tempos da antiga dinastia Zhou (1050 a.C. -770 a.C.), uma \u201cera de ouro\u201d na qual os dirigentes eram geralmente benevolentes e os s\u00faditos, felizes e respeitadores da lei \u2013 bem distinta da \u00e9poca em que ele pr\u00f3prio viveu, de anarquia social e frequentes disputas de territ\u00f3rios entre diferentes reinos.<\/p>\n<p>De fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, foi professor a maior parte da vida e tinha conhecimento profundo das tradi\u00e7\u00f5es, da hist\u00f3ria, da literatura e da m\u00fasica chinesas. Ele acreditava que seus ensinamentos seriam importantes para o bom andamento do Estado, e seu grande desejo era ser assessor de algum rei. Deste modo, Conf\u00facio foi literalmente batendo de porta em porta, de reino em reino, oferecendo seus pr\u00e9stimos para aux\u00edlio na administra\u00e7\u00e3o estatal. Se fosse s\u00f3 isso, quem sabe ele conseguisse mesmo um empreguinho de baranab\u00e9 em algum canto e ficasse por ali mesmo. O problema \u00e9 que ele exigia dos reis da \u00e9poca a mesma moralidade que exigia de si mesmo: como nunca conseguia atingir este objetivo, simplesmente ca\u00eda fora e ia procurar algum rei melhor. Era moralmente t\u00e3o exigente que passou fome diversas vezes por n\u00e3o conseguir quem lhe desse o emprego que queria \u2013 e morreu frustrado por n\u00e3o ter conseguido implementar suas ideias de administra\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n<p>O lado bom da hist\u00f3ria \u00e9 que nestas andan\u00e7as daqui para l\u00e1 pela China ele era acompanhado por seus disc\u00edpulos, e as conversas entre eles acabaram sendo, bem mais tarde, compiladas e reunidas num livro chamado \u201cAnalectos\u201d, que \u00e9 a principal obra do confucionismo, de leitura obrigat\u00f3ria para quem quer seguir carreira no estado chin\u00eas at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Nada como um dia depois do outro, n\u00e9?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conf\u00facio (551 a.C. \u2013 479 a.C.) \u00e9 provavelmente o chin\u00eas mais importante da hist\u00f3ria. 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