{"id":2824,"date":"2016-08-19T17:43:55","date_gmt":"2016-08-19T20:43:55","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2824"},"modified":"2016-08-19T20:42:56","modified_gmt":"2016-08-19T23:42:56","slug":"bones-paidprogramming2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2824","title":{"rendered":"Bones: \u201cPaidProgramming2\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Quem sabe Bones n\u00e3o estaria assim t\u00e3o errado se tivesse chamado seu novo disco, \u201cPaidProgramming2\u201d, de \u201cPowder2\u201d. Do mesmo modo que para \u201cPowder\u201d, de 2015, para \u201cPaidProgramming2\u201d o rapper anunciou meses antes o lan\u00e7amento do disco, com <em>teasers<\/em> no Youtube e tudo (quando o \u201cprocesso\u201d normal dele\u00a0consiste no an\u00fancio de novos \u00e1lbuns pouco tempo antes do\u00a0lan\u00e7amento\u00a0na internet \u2013 n\u00e3o esque\u00e7amos que Bones sempre distribui de gra\u00e7a suas m\u00fasicas). Fora isso, os dois discos t\u00eam um grande n\u00famero de faixas\u00a0(25 para \u201cPaidProgramming2\u201d e 28 para \u201cPowder\u201d) e um clima em geral mais tranquilo do que, por exemplo, aquele das obras-primas \u201cRotten\u201d, \u201cGarbage\u201d ou \u201cDeadboy\u201d. De todo modo, \u00e9 interessante ele ter criado um \u201cvolume 2\u201d de \u201cPaidProgramming\u201d, um lan\u00e7amento do j\u00e1 long\u00ednquo 2013 (\u00e9poca em que o nosso Elmo j\u00e1 tinha basicamente criado sua identidade art\u00edstica pr\u00f3pria), tamb\u00e9m mais ou menos tranquilo e com muitas faixas. A capa de \u201cPaidProgramming2\u201d, inclusive, \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o para l\u00e1 de interessante com a de \u201cPaidProgramming\u201d.<\/p>\n<p>Comecemos pelos clipes lan\u00e7ados at\u00e9 agora: \u201cTheCurseOfTheGhost\u201d e \u201cBlackMold\u201d podem se inserir numa tend\u00eancia recente de seus v\u00eddeos que, mesmo utilizando t\u00e9cnicas diferentes (por exemplo, o primeiro foi filmado com tecnologia moderna e segundo foi feito em VHS), utilizam primordialmente as cores preto, cinza, branco e azul (outros exemplos desta tend\u00eancia s\u00e3o os de \u201cWhereTheTreesMeetTheFreeway\u201d, \u201cTheDayYouLeaveThisPlanetNobodyWillNotice\u201d, \u201cGladWeHaveAnUnderstandig\u201d e \u201cCholesterol\u201d). Eu particularmente acho uma escolha feliz, e j\u00e1 tinha comentado aqui a beleza do clipe de \u201cOakGroveRoad\u201d, em que a utiliza\u00e7\u00e3o intensiva destas cores \u00e9 a primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p>Musicalmente falando, \u201cPaidProgramming2\u201d tem influ\u00eancias de vaporwave (\u201cArtVandelay\u201d, \u201cMagentaLavaLamp\u201d, \u201cTearsOfAnEagle\u201d), faixas midtempo (\u201cLivingstonCountyLegend\u201d, \u201cBiodegradable\u201d, \u201cSeeMeAfterClass\u201d, \u201cPeteyPablo\u201d, a fant\u00e1stica \u201cMaggots\u201d), outras mais tranquilas (a bel\u00edssima \u201cWordsCannotEncapsulate\u201d, \u201cDeletedScenes\u201d, \u201cSeeMeAfterClass\u201d, e a linda \u201cAwayFromKeyboard\u201d). Como no \u201cPaidProgramming\u201d original, \u201cPaidProgramming2\u201d termina com uma longa se\u00e7\u00e3o de &#8220;r\u00e1dio&#8221; (\u201cSeshRadio: Volume3\u201d, mais ou menos antecipada pela faixa anterior, \u201cFinalLevelCutScene\u201d). E, como em \u201cPowder\u201d (de novo), o disco come\u00e7a com uma vinhetinha acompanhada por um clipe com o nome do \u00e1lbum.<\/p>\n<p>As letras misturam amargura com o mundo (\u201cVoc\u00ea pode ver a moral de toda esta merda? [&#8230;] Pessoas cortando as cabe\u00e7as umas das outras por causa de suas cren\u00e7as \/ Pessoas morrendo nas ruas, e n\u00f3s sentados nas nossas cadeiras\u201d &#8211; \u201cFinalLevelCutScene\u201d), lirismo (\u201cChovendo nas janelas frias \/ H\u00e1 tantas maneiras que o vento pode soprar [&#8230;] \u00a0Voc\u00ea sabe querida \/ Eu vejo seu rosto, eu sinto seus ossos \/ Eu sei que estou vivo porque eu consigo sentir suas m\u00e3os em mim\u201d &#8211; \u201cTearsOfAnEagle\u201d), isolamento (\u201cEu s\u00f3 estou tentando criar uma p\u00edlula para faz\u00ea-los sentir como eu me sinto\u201d- \u201cLivingstonCountyLegend\u201d) , fantasmagoria (\u201cOlhando no espelho, eu n\u00e3o posso ver nada \/ E a maldi\u00e7\u00e3o do espelho, vou carreg\u00e1-la at\u00e9 morrer\u201d &#8211; &#8220;TheCurseOfTheGhost&#8221;), lembran\u00e7as amargas da \u00e9poca da escola (\u201cSeeMeAfterClass\u201d) e agressividade (\u201cEu n\u00e3o preciso de seu elogio, caia fora do meu canto\u201d \u2013 \u201cMineralWashed\u201d; \u201cEstou cansado de clones\u201d \u2013 \u201cMyHeadHurt,INeedToLieDown\u201d; \u201cYourMusicSucksAndYouLookLikeADickhead\u201d &#8211; o t\u00edtulo j\u00e1 diz tudo).<\/p>\n<p>Finalmente, o disco tem outro ponto em comum com \u201cPowder\u201d, que \u00e9 n\u00e3o ter nenhum daqueles potenciais hits do rapper, como \u201cDeadboy\u201d, \u201cRestInPeace\u201d ou \u201cCalcium\u201d. Algu\u00e9m poder\u00e1 me dizer que as melhores faixas do disco, \u201cTheCurseOfTheGhost\u201d, \u201cBlackMold\u201d, \u201cTimeless\u201d e a fant\u00e1stica \u201cYourMusicSucksAndYouLookLikeADickhead&#8221; poderiam cumprir esta fun\u00e7\u00e3o, mas fica a d\u00favida. Explico-me: dificilmente algum f\u00e3 deixaria de indicar para algu\u00e9m que n\u00e3o conhece Bones, inicialmente, potenciais hits como \u201cCorduroy\u201d, \u201cHDMI\u201d \u00a0ou \u201cRestInPeace\u201d; j\u00e1 as faixas de \u201cPaidProgramming2\u201d (e as de \u201cPowder\u201d) seriam provavelmente deixadas para uma indica\u00e7\u00e3o mais tardia. Parece que com este novo disco Bones quis fazer um disco para quem j\u00e1 \u00e9 f\u00e3.<\/p>\n<p>E o f\u00e3 aqui gosta mais do disco a cada audi\u00e7\u00e3o \u2013 como tamb\u00e9m aconteceu com \u201cPowder\u201d, ali\u00e1s.<\/p>\n<p><em>(as letras, como sempre, foram obtidas no original no site\u00a0genius.com)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem sabe Bones n\u00e3o estaria assim t\u00e3o errado se tivesse chamado seu novo disco, \u201cPaidProgramming2\u201d, de \u201cPowder2\u201d. Do mesmo modo que para \u201cPowder\u201d, de 2015, para \u201cPaidProgramming2\u201d o rapper anunciou meses antes o lan\u00e7amento do disco, com teasers no Youtube e tudo (quando o \u201cprocesso\u201d normal dele\u00a0consiste no an\u00fancio de novos \u00e1lbuns pouco tempo antes do\u00a0lan\u00e7amento\u00a0na internet \u2013 n\u00e3o esque\u00e7amos que Bones sempre distribui de gra\u00e7a suas m\u00fasicas). Fora isso, os dois discos t\u00eam um grande n\u00famero de faixas\u00a0(25 para \u201cPaidProgramming2\u201d e 28 para \u201cPowder\u201d) e um clima em geral mais tranquilo do que, por exemplo, aquele das obras-primas \u201cRotten\u201d, \u201cGarbage\u201d ou \u201cDeadboy\u201d. De todo modo, \u00e9 interessante ele ter criado um \u201cvolume 2\u201d de \u201cPaidProgramming\u201d, um lan\u00e7amento do j\u00e1 long\u00ednquo 2013 (\u00e9poca em que o nosso Elmo j\u00e1 tinha basicamente criado sua identidade art\u00edstica pr\u00f3pria), tamb\u00e9m mais ou menos tranquilo e com muitas faixas. A capa de \u201cPaidProgramming2\u201d, inclusive, \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o para l\u00e1 de interessante com a de \u201cPaidProgramming\u201d. Comecemos pelos clipes lan\u00e7ados at\u00e9 agora: \u201cTheCurseOfTheGhost\u201d e \u201cBlackMold\u201d podem se inserir numa tend\u00eancia recente de seus v\u00eddeos que, mesmo utilizando t\u00e9cnicas diferentes (por exemplo, o primeiro foi filmado com tecnologia moderna e segundo foi feito em VHS), utilizam primordialmente as cores preto, cinza, branco e azul (outros exemplos desta tend\u00eancia s\u00e3o os de \u201cWhereTheTreesMeetTheFreeway\u201d, \u201cTheDayYouLeaveThisPlanetNobodyWillNotice\u201d, \u201cGladWeHaveAnUnderstandig\u201d e \u201cCholesterol\u201d). Eu particularmente acho uma escolha feliz, e j\u00e1 tinha comentado aqui a beleza do clipe de \u201cOakGroveRoad\u201d, em que a utiliza\u00e7\u00e3o intensiva destas cores \u00e9 a primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2825,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[84],"class_list":["post-2824","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-bones","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2824","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2824"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2824\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2832,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2824\/revisions\/2832"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2825"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2824"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2824"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}