{"id":2809,"date":"2016-08-12T18:38:02","date_gmt":"2016-08-12T21:38:02","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2809"},"modified":"2016-09-07T22:56:49","modified_gmt":"2016-09-08T01:56:49","slug":"meus-discos-preferidos-9-it-takes-a-nation-of-millions-to-hold-us-back-public-enemy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2809","title":{"rendered":"Meus discos preferidos: 9. &#8220;It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back&#8221; &#8211; Public Enemy"},"content":{"rendered":"<p>Eu tinha comprado uma colet\u00e2nea com m\u00fasicas de v\u00e1rios grupos de hip hop, da qual constavam duas faixas do Public Enemy: \u201cSophisticated Bitch\u201d e \u201cTimebomb\u201d. Naqueles long\u00ednquos anos 80, quando a Revista Bizz falava bem de algum grupo cujos discos n\u00e3o tinham sido lan\u00e7ados por aqui, n\u00e3o me restava nada sen\u00e3o ficar imaginando o som \u2013 ou tentar achar alguma coisa numa colet\u00e2nea, como no presente caso.<\/p>\n<p>Pois bem: \u201cSophisticated Bitch\u201d e \u201cTimebomb\u201d rapidamente se tornaram favoritas l\u00e1 em casa. A primeira tem uma guitarra de rock ao fundo, e a segunda \u00e9 um pouco mais pesada que o rap que eu ouvia na \u00e9poca \u2013 Run D.M.C., Beastie Boys, Eric B. and Rakim e o que mais passasse na frente. <!--more-->\u00c9 claro que eu ficava imaginando qu\u00e3o maravilhoso deveria ser \u201cYo! Bum Rush the Show\u201d, o primeiro \u00e1lbum do Public Enemy, do qual essas duas pepitas tinham sido retiradas (que met\u00e1fora ruim, meu Deus).<\/p>\n<p>Bem, nada de \u201cYo! Bum Rush the Show\u201d ser lan\u00e7ado por aqui, mas o segundo disco do Public Enemy foi e, assim que consegui colocar as m\u00e3os em \u201cIt Takes a Nation of Millions to Hold Us Back\u201d, n\u00e3o tive d\u00favidas em compr\u00e1-lo. J\u00e1 na primeira audi\u00e7\u00e3o, o choque: parecia outra banda. O disco tinha uma sonoridade irritante, repetitiva: os discursos de Chuck D, os coment\u00e1rios de Flavor Flav \u2013 sempre num tom provocativo \u2013 e a base instrumental, que frequentemente parecia uma sirene de pol\u00edcia, me deixavam meio tonto. &#8220;Quando \u00e9 que a m\u00fasica vai come\u00e7ar e parar a gritaria?\u201d, eu me perguntava. \u201cQuando \u00e9 que essa maldita sirene vai parar?\u201d e \u201cMas que som esquisito\u201d eram outros pensamentos frequentes durante as audi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que esse som totalmente diferente do que eu estava acostumado me atra\u00eda ao mesmo tempo em que me causava repulsa. Eu s\u00f3 gostava mesmo, sem restri\u00e7\u00f5es, da faixa \u201cShe Watch Channel Zero\u201d \u2013 n\u00e3o por acaso, percebo hoje, a \u00fanica com uma guitarra de fundo.<\/p>\n<p>Muitos anos depois resolvi dar uma nova chance para \u201cIt Takes a Nation of Millions to Hold Us Back\u201d, e o neg\u00f3cio bateu. Tudo aquilo que parecia estranho passou a fazer muito sentido. Muito sentido mesmo. Fiquei me perguntando por que aquele som de disco de 1988 parece muito mais atual, por exemplo, do que aqueles do meu grupo de rap favorito da \u00e9poca, Eric B. and Rakim. Tenho uma teoria a respeito (que sei l\u00e1 se faz sentido), que vou apresentar a seguir.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que em \u201cIt Takes a Nation of Millions to Hold Us Back\u201d, provavelmente pela primeira vez, o hip hop utilizava uma linguagem totalmente pr\u00f3pria: o disco n\u00e3o tem nenhum compromisso com o balan\u00e7o do funk, com as guitarras do rock, com a do\u00e7ura do soul, com a melancolia do blues. Os discursos irados de Chuck D e Flavor Flav e a sonoridade insana de Terminator X parecem pouco se importar com o que veio antes. Ideologicamente eles queriam um mundo totalmente novo \u2013 pol\u00eamico, para dizer o m\u00ednimo -, e acabaram criando um som totalmente novo para passar sua mensagem.<\/p>\n<p>A brilhante cr\u00edtica da Revista Bizz quando do lan\u00e7amento do disco, escrita por Bia Abramo, j\u00e1 parecia prever a revolu\u00e7\u00e3o que viria a partir de \u201cIt Takes a Nation of Millions to Hold Us Back\u201d: segundo ela, o Public Enemy era um dos \u201carquitetos da m\u00fasica dos anos 90\u201d (n\u00e3o esque\u00e7amos que ela escreveu o texto ainda nos anos 80), a qual iria \u201cpassar necessariamente pela desconstru\u00e7\u00e3o operada pelo hip hop de linha de frente\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tinha comprado uma colet\u00e2nea com m\u00fasicas de v\u00e1rios grupos de hip hop, da qual constavam duas faixas do Public Enemy: \u201cSophisticated Bitch\u201d e \u201cTimebomb\u201d. Naqueles long\u00ednquos anos 80, quando a Revista Bizz falava bem de algum grupo cujos discos n\u00e3o tinham sido lan\u00e7ados por aqui, n\u00e3o me restava nada sen\u00e3o ficar imaginando o som \u2013 ou tentar achar alguma coisa numa colet\u00e2nea, como no presente caso. Pois bem: \u201cSophisticated Bitch\u201d e \u201cTimebomb\u201d rapidamente se tornaram favoritas l\u00e1 em casa. A primeira tem uma guitarra de rock ao fundo, e a segunda \u00e9 um pouco mais pesada que o rap que eu ouvia na \u00e9poca \u2013 Run D.M.C., Beastie Boys, Eric B. and Rakim e o que mais passasse na frente.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2810,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[280,362,79],"class_list":["post-2809","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-listas","tag-public-enemy","tag-rap","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2809"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2811,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2809\/revisions\/2811"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2810"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}