{"id":2701,"date":"2016-06-16T23:23:17","date_gmt":"2016-06-17T02:23:17","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2701"},"modified":"2016-06-16T23:35:10","modified_gmt":"2016-06-17T02:35:10","slug":"paraiso-perdido-de-cees-nooteboom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2701","title":{"rendered":"&#8220;Para\u00edso Perdido&#8221;, de Cees Nooteboom"},"content":{"rendered":"<p>Dia desses sonhei que tinha ganhado de presente alguns livros, todos escritos pelo mesmo autor (um deles, inclusive, era uma edi\u00e7\u00e3o especial com tr\u00eas romances). Durante o sonho eu n\u00e3o sabia direito quem era o escritor (coisas de sonho), mas de manh\u00e3 me veio o nome do holand\u00eas Cees Nooteboom, de quem eu j\u00e1 tinha lido alguns coment\u00e1rios favor\u00e1veis aqui e ali. Como gosto de conhecer novos autores, achei que era uma boa oportunidade de arriscar. O \u00fanico livro em portugu\u00eas dispon\u00edvel no site da Amazon era \u201cPara\u00edso Perdido\u201d: curto, lan\u00e7ado pela Companhia das Letras. N\u00e3o tinha muito como dar errado. Comprei.<\/p>\n<p>Num exerc\u00edcio de metalinguagem, a introdu\u00e7\u00e3o do romance se comp\u00f5e dos pensamentos de um homem de meia-idade (provavelmente o pr\u00f3prio autor) no in\u00edcio de uma viagem de avi\u00e3o, quando olha admirado para uma bela mulher. Ela est\u00e1 sentada numa poltrona pr\u00f3xima e est\u00e1 lendo exatamente \u201cPara\u00edso Perdido\u201d, de Cees Nooteboom (\u00e9 estranho, eu sei). A conclus\u00e3o do livro mostra uma conversa entre os dois.<!--more--><\/p>\n<p>Mas o principal do livro s\u00e3o as duas partes intermedi\u00e1rias. A primeira conta a hist\u00f3ria de Alma, uma brasileira de classe alta descendente de alem\u00e3es e moradora dos Jardins, em S\u00e3o Paulo. Logo no in\u00edcio de \u201cPara\u00edso Perdido\u201d \u00e9 apresentada a hist\u00f3ria do estupro que ela sofreu ao ser abalroada quando dirigia sozinha na favela de Parais\u00f3polis. Meio para tentar superar o trauma, ela com sua melhor amiga Almut (tamb\u00e9m de ascend\u00eancia germ\u00e2nica) v\u00e3o morar na Austr\u00e1lia: desde a inf\u00e2ncia as duas s\u00e3o obcecadas pelo pa\u00eds, sua natureza e pela cultura abor\u00edgene local.<\/p>\n<p>A segunda parte do romance conta a hist\u00f3ria de Erik Zondag, um cr\u00edtico liter\u00e1rio de meia-idade famoso pela ferocidade de seus textos. \u00a0Instigado pela namorada bem mais jovem, ele vai passar, meio a contragosto, uma temporada num spa austr\u00edaco de luxo. E \u00e9 l\u00e1 que ele rev\u00ea a brasileira Alma. O primeiro encontro dos dois tinha sido num festival de artes e literatura na cidade australiana de Perth, em que v\u00e1rias pessoas eram contratadas para se vestir de anjos e ficar im\u00f3veis em diversos pontos da cidade, e Alma era uma delas.<\/p>\n<p>\u201cPara\u00edso Perdido\u201d \u00e9 t\u00e3o bem escrito e tem tantos brilhantes insights filos\u00f3ficos que eu at\u00e9 que n\u00e3o me incomodei muito com a sensa\u00e7\u00e3o final de vazio que tive ao terminar a leitura: afinal, n\u00e3o d\u00e1 para saber direito o que exatamente Cees Nooteboom queria mostrar com o seu romance.<\/p>\n<p>Ou fui eu que n\u00e3o entendi a mensagem do sonho. Vai saber.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia desses sonhei que tinha ganhado de presente alguns livros, todos escritos pelo mesmo autor (um deles, inclusive, era uma edi\u00e7\u00e3o especial com tr\u00eas romances). Durante o sonho eu n\u00e3o sabia direito quem era o escritor (coisas de sonho), mas de manh\u00e3 me veio o nome do holand\u00eas Cees Nooteboom, de quem eu j\u00e1 tinha lido alguns coment\u00e1rios favor\u00e1veis aqui e ali. Como gosto de conhecer novos autores, achei que era uma boa oportunidade de arriscar. O \u00fanico livro em portugu\u00eas dispon\u00edvel no site da Amazon era \u201cPara\u00edso Perdido\u201d: curto, lan\u00e7ado pela Companhia das Letras. N\u00e3o tinha muito como dar errado. Comprei. Num exerc\u00edcio de metalinguagem, a introdu\u00e7\u00e3o do romance se comp\u00f5e dos pensamentos de um homem de meia-idade (provavelmente o pr\u00f3prio autor) no in\u00edcio de uma viagem de avi\u00e3o, quando olha admirado para uma bela mulher. Ela est\u00e1 sentada numa poltrona pr\u00f3xima e est\u00e1 lendo exatamente \u201cPara\u00edso Perdido\u201d, de Cees Nooteboom (\u00e9 estranho, eu sei). 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