{"id":2692,"date":"2016-06-12T03:07:51","date_gmt":"2016-06-12T06:07:51","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2692"},"modified":"2016-06-12T03:15:54","modified_gmt":"2016-06-12T06:15:54","slug":"a-bruxa-de-robert-eggers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2692","title":{"rendered":"\u201cA Bruxa\u201d, de Robert Eggers"},"content":{"rendered":"<p>No imagin\u00e1rio moderno, a bruxa em geral \u00e9 um serzinho simp\u00e1tico. As crian\u00e7as se divertem no Dia das Bruxas e em filmes como \u201cAs Bruxas de Eastwick\u201d, por exemplo. No Bosque do Alem\u00e3o aqui em Curitiba uma &#8220;bruxa boa&#8221; conta hist\u00f3rias bonitinhas para as crian\u00e7as. E os mais velhos se lembram da charmosa bruxa Samantha do seriado \u201cA Feiticeira\u201d.<\/p>\n<p>Mas no s\u00e9culo XVIII a coisa estava longe de ser assim: na mentalidade da \u00e9poca, a bruxaria era um aspecto do maligno. No espetacular \u201cHist\u00f3ria do medo no Ocidente 1300-1800\u201d, o historiador Jean Delumeau apresenta um painel do medo dos povos ocidentais entre os s\u00e9culos XIV e XVIII mostrando que, dentre todos os temores, o de Sat\u00e3 era de fundamental import\u00e2ncia. Era um medo verdadeiro, sentido por quase toda a popula\u00e7\u00e3o da \u00e9poca; \u00e9 at\u00e9 dif\u00edcil imaginar, atualmente, como era viver num tempo assim.<!--more--><\/p>\n<p>A seriedade e a veracidade com que este \u201cesp\u00edrito da \u00e9poca\u201d \u00e9 reproduzido \u00e9 uma das maiores qualidades de \u201cA Bruxa\u201d, filme de Robert Eggers lan\u00e7ado em 2015. Nele, a personagem bruxa \u00e9 terrivelmente aterrorizante e o medo do mal e da dana\u00e7\u00e3o perpassa praticamente todos os momentos da vida das personagens.<\/p>\n<p>O filme conta a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia puritana inglesa do sec. XVIII (um casal e cinco filhos) que vai morar na Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. Por motivos n\u00e3o muito claros, mas de fundo fundamentalista, a fam\u00edlia \u00e9 expulsa da comunidade onde mora e vai tentar a sorte numa fazenda retirada. L\u00e1 as coisas v\u00e3o de mal a pior: o filho rec\u00e9m-nascido \u00e9 sequestrado por uma bruxa, o dinheiro est\u00e1 no fim, o milho que eles plantam apodrece em grande parte e come\u00e7a um s\u00e9rio conflito entre irm\u00e3os: o casal de g\u00eameos de cerca de oito anos de idade acusa a filha mais velha, adolescente, de bruxaria. O outro irm\u00e3o, tamb\u00e9m adolescente, tenta ajudar o pai em suas infrut\u00edferas tentativas de ca\u00e7a nas proximidades. N\u00e3o d\u00e1 para dar mais detalhes para n\u00e3o estragar a surpresa.<\/p>\n<p>Filme de terror lento e reflexivo, \u201cA Bruxa\u201d merece o status de cult que j\u00e1 vem recebendo. As interpreta\u00e7\u00f5es \u2013 principalmente a da atriz Anya Taylor-Joy, que vive Thomasin, a garota adolescente \u2013 s\u00e3o convincentes e seguras. A tens\u00e3o vai num crescendo muito bem realizado do in\u00edcio at\u00e9 o final do filme. Por outro lado, por ter poucos sustos, \u201cA Bruxa\u201d n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o assustador quanto \u201cA Bruxa de Blair\u201d (meu preferido no estilo) e \u201cCarrie, a Estranha\u201d, por exemplo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No imagin\u00e1rio moderno, a bruxa em geral \u00e9 um serzinho simp\u00e1tico. As crian\u00e7as se divertem no Dia das Bruxas e em filmes como \u201cAs Bruxas de Eastwick\u201d, por exemplo. No Bosque do Alem\u00e3o aqui em Curitiba uma &#8220;bruxa boa&#8221; conta hist\u00f3rias bonitinhas para as crian\u00e7as. E os mais velhos se lembram da charmosa bruxa Samantha do seriado \u201cA Feiticeira\u201d. Mas no s\u00e9culo XVIII a coisa estava longe de ser assim: na mentalidade da \u00e9poca, a bruxaria era um aspecto do maligno. No espetacular \u201cHist\u00f3ria do medo no Ocidente 1300-1800\u201d, o historiador Jean Delumeau apresenta um painel do medo dos povos ocidentais entre os s\u00e9culos XIV e XVIII mostrando que, dentre todos os temores, o de Sat\u00e3 era de fundamental import\u00e2ncia. 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