{"id":2650,"date":"2016-05-15T23:37:18","date_gmt":"2016-05-16T02:37:18","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2650"},"modified":"2016-05-15T23:37:18","modified_gmt":"2016-05-16T02:37:18","slug":"vidas-de-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2650","title":{"rendered":"Vidas de Santos"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de n\u00e3o haver certeza sobre o verdadeiro autor, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que \u201cLegenda dos Tr\u00eas Companheiros\u201d \u00e9 uma das fontes mais antigas sobre a vida de S\u00e3o Francisco: segundo os estudiosos, o livro n\u00e3o \u00e9 posterior a 1247 (enquanto que o santo faleceu em 1226). A tradi\u00e7\u00e3o indica que a obra foi escrita por tr\u00eas dos mais pr\u00f3ximos amigos do santo, os Freis Rufino, \u00c2ngelo e Le\u00e3o. Na introdu\u00e7\u00e3o do livro, os supostos autores contam que foram instados a escrever a obra por decis\u00e3o do Cap\u00edtulo Geral e do Ministro Geral Frei Cresc\u00eancio, \u201cpara comunicar (&#8230;) as a\u00e7\u00f5es mais not\u00e1veis e os prod\u00edgios do Bem-aventurado Francisco que pudessem ter visto ou chegado a conhecer\u201d. Ainda na introdu\u00e7\u00e3o, os autores comentam que<!--more--><\/p>\n<blockquote><p>A nossa narra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pretende ser uma legenda, porque j\u00e1 foram escritas v\u00e1rias sobre a vida do Santo e sobre os milagres que Deus operou por ele. (&#8230;) O nosso modesto relato poder\u00e1 ser inserido nessas legendas j\u00e1 escritas, se a vossa discri\u00e7\u00e3o o julgar conveniente. Estamos, com efeito, convencidos de que, se os vener\u00e1veis bi\u00f3grafos tivessem conhecido estas nossas informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o as teriam desprezado; antes, pelo menos em parte, t\u00ea-las-iam ornado com o seu belo estilo e assim as confiariam \u00e0 mem\u00f3ria da posteridade.<\/p><\/blockquote>\n<p>De fato, \u201cLegenda do Tr\u00eas Companheiros\u201d se destaca pela sobriedade com que \u00e9 escrita, e \u00e9 fascinante para o leitor de hoje imaginar que quem escreveu o livro realmente viu grande parte do que ali \u00e9 descrito.<\/p>\n<p>Publicado inicialmente em 1993, a biografia \u201cVida de Catarina de Sena\u201d, escrita pelo Frei Jo\u00e3o Alves Bas\u00edlio, tamb\u00e9m se destaca pela sobriedade. Como o pr\u00f3prio autor comenta na introdu\u00e7\u00e3o, \u201co leitor compreender\u00e1 desde logo que esta singela biografia n\u00e3o tem grandes pretens\u00f5es. Este estudo de s\u00edntese apenas quer abrir, ao leitor brasileiro, portanto, o portal deste grande tesouro\u201d: a vida, a obra, os escritos dessa grande ap\u00f3stola e m\u00edstica dominicana, declarada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI em 1970.<\/p>\n<p>A vida de Santa Catarina de Sena, que nasceu em Sena em 1347 e faleceu em Roma em 1380, \u00e9 fascinante em todos os sentidos. Apesar de leiga (foi a primeira leiga a receber o t\u00edtulo de Doutora da Igreja, ali\u00e1s) e mulher (n\u00e3o se pode esquecer que o papel da mulher na sociedade da \u00e9poca era secund\u00e1rio, para dizer o m\u00ednimo), tinha uma religiosidade e uma facilidade de comunica\u00e7\u00e3o t\u00e3o intensas que sua opini\u00e3o era levada a s\u00e9rio por papas, reis, pr\u00edncipes e fam\u00edlias poderosas. Ela viveu numa \u00e9poca turbulenta, em que pequenos reinos ou rep\u00fablicas estavam em permanente conflito uns com os outros e tamb\u00e9m contra os Estados do Papa. O pr\u00f3prio papado era uma bagun\u00e7a s\u00f3, e foi com grande tristeza que Santa Catarina de Sena viu o Papa em Roma ser desafiado por um Antipapa estabelecido em Avinh\u00e3o, na Fran\u00e7a. No meio de toda esta turbul\u00eancia a santa era chamada a interceder, pessoalmente ou por meio de cartas, em lutas da Igreja contra reinados hostis, em brigas pol\u00edticas e em disputas entre fam\u00edlias poderosas.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do livro do Frei Jo\u00e3o Alves Bas\u00edlio d\u00e1 uma ideia precisa das dificuldades e da obstina\u00e7\u00e3o de Santa Catarina de Sena:<\/p>\n<blockquote><p>Trabalhou muito e nenhum fruto colheu: viveu entre ricos e poderosos, mas foi sempre paup\u00e9rrima; trabalhou entre os pobres e nunca desejou a riqueza; o mosteiro que fundou n\u00e3o foi adiante; a cruzada, pela qual tanto rezou, falou e escreveu, n\u00e3o aconteceu; a uni\u00e3o dos crist\u00e3os continuou sendo um problema, mesmo depois de sua morte; a reforma da Igreja, nos moldes que ela propunha, continua e continuar\u00e1 sendo uma santa aspira\u00e7\u00e3o. Mas em tudo isto Catarina deixou um grande exemplo: o exemplo de sua dedica\u00e7\u00e3o total, do seu total amor.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de n\u00e3o haver certeza sobre o verdadeiro autor, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que \u201cLegenda dos Tr\u00eas Companheiros\u201d \u00e9 uma das fontes mais antigas sobre a vida de S\u00e3o Francisco: segundo os estudiosos, o livro n\u00e3o \u00e9 posterior a 1247 (enquanto que o santo faleceu em 1226). A tradi\u00e7\u00e3o indica que a obra foi escrita por tr\u00eas dos mais pr\u00f3ximos amigos do santo, os Freis Rufino, \u00c2ngelo e Le\u00e3o. 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