{"id":2619,"date":"2016-04-26T00:14:46","date_gmt":"2016-04-26T03:14:46","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2619"},"modified":"2016-04-26T00:16:06","modified_gmt":"2016-04-26T03:16:06","slug":"en-toutes-lettres-de-francoise-rey-e-marco-forlani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2619","title":{"rendered":"\u201cEn toutes lettres\u201d, de Fran\u00e7oise Rey e Marco Forlani"},"content":{"rendered":"<p>O livro \u201cEn toutes lettres\u201d (Editora La Musardine, Paris) nasceu de uma ideia do seu editor: juntar dois escritores &#8211; uma mulher e um homem &#8211; para que criassem um romance epistolar sem que se conhecessem pessoalmente. A troca de cartas seria feita por interm\u00e9dio do editor e, obviamente, cada nova carta seria escrita em resposta \u00e0 anterior e o romance seria a pr\u00f3pria correspond\u00eancia. Os escritores escolhidos para a empreitada foram a autora de livros er\u00f3ticos francesa Fran\u00e7oise Rey e o escritor, roteirista, dramaturgo e cr\u00edtico de cinema Marco Forlani, tamb\u00e9m franc\u00eas.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cEn toutes lettres\u201d (trocadilho intraduz\u00edvel, j\u00e1 que a express\u00e3o pode significar tanto \u201cna totalidade\u201d como \u201cem todas as cartas\u201d) come\u00e7a com uma carta bem grosseira do personagem masculino (que assina simplesmente como <em>P.<\/em>) dizendo que a escritora n\u00e3o \u00e9 bem o tipo dele, e que ela deve ser meio vagabunda.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Ela (que assina <em>F.<\/em>) responde num tom entre ofendido e provocativo, e termina sua carta assim:<\/p>\n<blockquote><p>Quanto ao senhor, eu o imagino deitado no ch\u00e3o, reduzido \u00e0 impot\u00eancia (!) e eu coloco sobre seu est\u00f4mago um dos meus sapatos de puta, levantando alto meu joelho, para que o senhor veja bem o que perdeu!<\/p><\/blockquote>\n<p>O relacionamento epistolar entre os dois vai assumindo um tom mais amig\u00e1vel: ao mesmo tempo que contam um ao outro suas aventuras sexuais, notadamente extraconjugais (os dois s\u00e3o casados), uma atra\u00e7\u00e3o m\u00fatua acaba surgindo e os dois resolvem se conhecer pessoalmente. Depois de uma estranheza inicial, eles acabam indo para a cama. N\u00e3o muito tempo depois a coisa desanda: ele se apaixona por ela, mas seu amor \u00e9 pouqu\u00edssimo convincente. \u00c9 pena, pois o livro, que era de leitura divertida e excitante (principalmente na parte a cargo de Fran\u00e7oise Rey), passa a assumir um tom pesado e inveross\u00edmil. Ou seja, Marco Forlani pesou tanto a m\u00e3o que n\u00e3o tinha mesmo como Fran\u00e7oise Rey consertar.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A coisa \u00e9 t\u00e3o pesada, ali\u00e1s, que a pr\u00f3pria escritora reclama neste\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ina.fr\/video\/LXD09006107\">v\u00eddeo<\/a>, produzido para promover o livro quando de sua publica\u00e7\u00e3o em 1992, da grosseria de algumas das cartas de Marco Forlani.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro \u201cEn toutes lettres\u201d (Editora La Musardine, Paris) nasceu de uma ideia do seu editor: juntar dois escritores &#8211; uma mulher e um homem &#8211; para que criassem um romance epistolar sem que se conhecessem pessoalmente. A troca de cartas seria feita por interm\u00e9dio do editor e, obviamente, cada nova carta seria escrita em resposta \u00e0 anterior e o romance seria a pr\u00f3pria correspond\u00eancia. 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