{"id":2584,"date":"2016-04-13T18:28:48","date_gmt":"2016-04-13T21:28:48","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2584"},"modified":"2016-04-13T21:34:50","modified_gmt":"2016-04-14T00:34:50","slug":"paradise-do-new-order","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2584","title":{"rendered":"&#8220;Paradise&#8221;, do New Order"},"content":{"rendered":"<p>Eu vivia cansado por causa dos treinos. Al\u00e9m de nadar, eu comprava muitos discos: basicamente LPs indicados pela extinta Revista Bizz ou LPs de m\u00fasica cl\u00e1ssica (principalmente Bach). Trazer um LP para casa era uma emo\u00e7\u00e3o bacana, e o fato de estar sempre cansado fazia com que eu frequentemente dormisse na primeira audi\u00e7\u00e3o do disco \u2013 e isto s\u00f3 aumentava a gra\u00e7a da coisa toda.<\/p>\n<p>Nem sempre os discos que a Bizz recomendava eram aquilo que o cr\u00edtico dizia que eram. Muitas vezes eu me for\u00e7ava a gostar de alguma coisa que, no fundo, n\u00e3o achava assim t\u00e3o bom. Mesmo dos Smiths eu n\u00e3o gostava tanto: achava a musicalidade deles muito luminosa, mas no fundo n\u00e3o me impressionava tanto. S\u00f3 virei f\u00e3 da banda mesmo quando comecei a entender ingl\u00eas \u2013 mas isso foi bem mais tarde.<!--more--><\/p>\n<p>Em sua cr\u00edtica, a Bizz reclamou enormemente da capa brasileira de \u201cBrotherhood\u201d, do New Order: segundo a revista, n\u00e3o havia nada que referenciasse o grupo escrito na vers\u00e3o original, mas o engra\u00e7adinho que mexeu na edi\u00e7\u00e3o brasileira inseriu o nome da banda, possivelmente para que os compradores n\u00e3o confundissem a capa com os pl\u00e1sticos que separam os discos por categoria nas lojas (ver a foto que acompanha este texto).<\/p>\n<p>De todo modo, a Bizz falava muito bem do disco, e foi com a melhor das expectativas que eu trouxe \u201cBrotherhood\u201d para casa e o coloquei no toca-discos. A faixa que ouvi ent\u00e3o, \u201cParadise\u201d, era de uma beleza t\u00e3o luminosa e de uma alegria t\u00e3o contagiante que me fizeram concordar integralmente com a cr\u00edtica. Parecia que finalmente estava valendo mesmo a pena gastar tanto dinheiro com LPs de rock \u2013 eu, que sempre achara a m\u00fasica erudita muito superior \u00e0 m\u00fasica pop.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas se passaram e hoje resolvi ouvir \u201cParadise\u201d em mp3. Acho que finalmente consegui entender o segredo dela dentro do meu contexto pessoal na \u00e9poca: esta m\u00fasica (e o disco \u201cBrotherhood\u201d como um todo, acho) me colocava, de algum jeito misterioso, em um lugar melhor, onde as pessoas s\u00e3o felizes e a beleza vale a pena. Uma realidade paralela, muito diferente do meu dia-a-dia naqueles dias tristes.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de chegar a esta conclus\u00e3o, ap\u00f3s umas tr\u00eas audi\u00e7\u00f5es, \u00e9 que reparei que a tradu\u00e7\u00e3o de \u201cParadise\u201d \u00e9 para\u00edso em portugu\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu vivia cansado por causa dos treinos. Al\u00e9m de nadar, eu comprava muitos discos: basicamente LPs indicados pela extinta Revista Bizz ou LPs de m\u00fasica cl\u00e1ssica (principalmente Bach). Trazer um LP para casa era uma emo\u00e7\u00e3o bacana, e o fato de estar sempre cansado fazia com que eu frequentemente dormisse na primeira audi\u00e7\u00e3o do disco \u2013 e isto s\u00f3 aumentava a gra\u00e7a da coisa toda. Nem sempre os discos que a Bizz recomendava eram aquilo que o cr\u00edtico dizia que eram. Muitas vezes eu me for\u00e7ava a gostar de alguma coisa que, no fundo, n\u00e3o achava assim t\u00e3o bom. Mesmo dos Smiths eu n\u00e3o gostava tanto: achava a musicalidade deles muito luminosa, mas no fundo n\u00e3o me impressionava tanto. 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