{"id":2575,"date":"2016-04-12T08:46:15","date_gmt":"2016-04-12T11:46:15","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2575"},"modified":"2016-04-12T08:46:15","modified_gmt":"2016-04-12T11:46:15","slug":"snoop-doggy-dogg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2575","title":{"rendered":"Snoop Doggy Dogg"},"content":{"rendered":"<p>Eu n\u00e3o esque\u00e7o da primeira vez que ouvi falar em Snoop Doggy Dogg (deve ter sido em 1993). Foi num notici\u00e1rio do SBT: o jornalista Hermano Henning dizia que o sucesso estrondoso (primeiro lugar na Billboard) de um novo rapper, que glorificava a viol\u00eancia, a vida dos g\u00e2ngsters e que era exacerbadamente machista estava assustando a Am\u00e9rica. A reportagem ent\u00e3o cortava para a entrevista na casa do rapper: um negro magro, mal encarado e mal humorado que dizia: \u201cquem gostar de mim, ok &#8211; quem n\u00e3o gostar f***-se\u201d. O tom da reportagem, obviamente, era de total rep\u00fadio a este novo tipo de som.<!--more--><\/p>\n<p>Quanto a mim, bem, j\u00e1 h\u00e1 muitos anos era f\u00e3 de rap (durante um bom tempo, inclusive, eu comprava tudo do g\u00eanero que aparecida na minha frente). A apari\u00e7\u00e3o de um rapper de sucesso, com um nome diferente do que eu estava acostumado (os nomes sempre tinham uma letra sozinha abreviando um nome, como por exemplo Mike D e Chuck D) e de quem eu nunca tinha ouvido falar me preocupou um pouco \ud83d\ude42 O fato dele ser t\u00e3o imoral tamb\u00e9m me incomodava um tanto, j\u00e1 que eu sou um camarada que tenta ser \u201cpoliticamente correto\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Mas eu n\u00e3o conseguia esquecer do rosto de Snoop Doggy Dogg, e v\u00e1rias vezes quase comprei o primeiro cd solo dele, Doggystyle, lan\u00e7ado em 1993 (nesta \u00e9poca, ele j\u00e1 tinha sido a sensa\u00e7\u00e3o do cd de Dr. Dre, The Chronic, de 1992) &#8211; mas um certo pudor me impediu. Ao mesmo tempo que aquele tipo de som me atra\u00eda, eu n\u00e3o achava certo colaborar com um cara que, diziam, glorificava a viol\u00eancia e chamava as mulheres todas de p***. Mas alguns clipes na MTV finalmente me convenceram: o cara, em cena, \u00e9 absolutamente carism\u00e1tico. N\u00e3o d\u00e1 pra tirar o olho dele, como se ele fosse um James Dean ou uma Mel Lisboa dos videoclipes de rap. Seu olhar enigm\u00e1tico, meio mau, meio debochado, meio alucinado simplesmente n\u00e3o \u00e9 algo que se encontre na esquina. O cara tem estilo, eu pensava, e este rap funkeado \u00e9 tudo o que eu sempre quis ouvir.<\/p>\n<p>Pois \u00e9 &#8211; ent\u00e3o l\u00e1 fui comprar o segundo cd solo dele, chamado Tha Doggfather. Fez menos sucesso que o anterior, Doggystyle, e a cr\u00edtica meio que falou mal (diziam que este cd era bem pior que o outro, estas coisas). Mas o que importava isto? Este era o meu primeiro cd de Snoop Doggy Dogg!!! E o que isto exatamente quer dizer?<\/p>\n<p>Na \u00e9poca de Tha Doggfather eu comprei uma revista Spin com uma grande reportagem com Snoop Doggy Dogg, e l\u00e1 no meio dizia que, ao contr\u00e1rio de quase todos os outros rappers, ele era um artista &#8211; tinha uma pequena explica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica sobre a voz dele, o \u201csegredo\u201d da arte de Snoop Doggy Dogg. Pena que eu n\u00e3o tenho mais aquela revista comigo, pois para mim \u00e9 bem dif\u00edcil explicar a sua maneira de cantar. Mas vou tentar. Primeiro, ele tem um balan\u00e7o not\u00e1vel na voz, mais ou menos como um Zeca Pagodinho do rap: basta uma frase para a gente ficar com vontade de dan\u00e7ar junto. Snoop Doggy Dogg consegue um m\u00e1ximo de resultado com um m\u00ednimo de esfor\u00e7o. Mas tem mais que isto: al\u00e9m do balan\u00e7o, a voz dele \u00e9 original, com um timbre anasalado e bem diferente do comum &#8211; e que, ainda por cima, vai do grave ao agudo com grande facilidade. Somando a isto o balan\u00e7o do gangsta rap do produtor Dr. Dre (ver http:\/\/fabricio.diaryland.com\/eminem1.html) temos um som absolutamente irresist\u00edvel.<\/p>\n<p>E assim fui ficando f\u00e3. Fui comprando quase tudo o que ele lan\u00e7ou: \u201cDa game is to be sold, not to be told\u201d(j\u00e1 como Snoop Dogg &#8211; quando saiu da gravadora Death Row e foi para a No Limit Records ele tirou o Doggy no meio do nome), de 1998; \u201cNo Limit Top Dogg\u201d, de 1999; \u201cSnoop Dogg presents Tha Eastsidaz\u201d, de 2000; \u201cTha Last Meal\u201d, de 2000. Tamb\u00e9m comprei os supracitados \u201cThe Chronic\u201d e \u201cDoggystyle\u201d e a colet\u00e2nea de sobras \u201cDead Man Walkin\u201d, lan\u00e7ada em 2000. Dificilmente eu daria menos que 10 para um disco de Snoop (Doggy) Dogg, mas acho, como toda a cr\u00edtica, que os dois primeiros s\u00e3o os melhores mesmo. Repito, entretanto, que todos merecem nota 10. O mais recente, \u201cTha Last Meal\u201d, tem menos balan\u00e7o e su\u00edngue que os outros (uma tentativa de Snoop Dogg soar igual aos outros rappers de hoje me dia?), e \u00e9 aquele que eu mais sofreria para dar a nota m\u00e1xima&#8230;<\/p>\n<p>Mas tem muita coisa cantada por Snoop Dogg por a\u00ed e que eu nunca ouvi, j\u00e1 que ele faz participa\u00e7\u00f5es especiais em grande n\u00famero de cds de outros artistas. E um grande n\u00famero de rappers canta com ele em seus cds tamb\u00e9m (por exemplo, Dr. Dre, Nate Dogg, Tha Eastsidaz, Kokane, Big Snoop Dogg).<\/p>\n<p>A vida de Snoop Doggy Dogg foi bastante atribulada: nascido em 20 de outubro de 1972, cresceu em Long Beach, na Calif\u00f3rnia, e depois de terminar o segundo grau foi preso pela primeira vez, por porte de coca\u00edna &#8211; nos tr\u00eas anos subseq\u00fcentes ainda foi preso diversas vezes. A m\u00fasica impediu que ele entrasse para a vido do crime, mas, mesmo assim, foi preso em 1993 (depois do sucesso do cd \u201cDoggystlye\u201d portanto) por cumplicidade em assassinato &#8211; foi absolvido. Ele \u00e9 casado e tem dois filhos &#8211; que, segundo um encarte de cd, deram \u201cuma raz\u00e3o\u201d para ele viver.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s letras, pelo fato de terem tanta m\u00e1 fama eu, que nunca fui muito ligado em letras mesmo, quase n\u00e3o presto aten\u00e7\u00e3o. Mas o n\u00famero de \u201cI don`t love hoes\u201d (eu n\u00e3o amo putas), de declara\u00e7\u00f5es de amor \u00e0 maconha, de grosserias e de palavr\u00f5es \u00e9 t\u00e3o grande que a gente acaba pegando alguma coisa (francamente, me divirto com o que entendo!). Ano passado li, por necessidade, as letras de \u201cNo Limit Top Dogg\u201d &#8211; mas a quantidade de g\u00edrias \u00e9 enorme, \u00e9 dif\u00edcil para um brasileiro entender tudo.<\/p>\n<p>Uma coisa legal que me aconteceu recentemente foi ter pego v\u00e1rios clipes de Snoop Doggy Dogg pela internet &#8211; que \u00e9 a trilha sonora do di\u00e1rio hoje. \u00c9 impressionante ver a express\u00e3o dele no come\u00e7o de carreira &#8211; a express\u00e3o de um rapaz acuado, assustado, de mal com o mundo e que n\u00e3o olha para cima &#8211; com a de Snoop hoje, bem resolvido, debochado \u00e0s vezes, com uma cara alucinada e agressiva outras. Mas sempre extremamente carism\u00e1tico. E a cena do clipe de \u201c2 of Americaz Most Wanted\u201d, com Snoop e Tupac Shakur dan\u00e7ando num tribunal (na qualidade de r\u00e9us, claro) \u00e9 simplesmente inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Ah, e quantas horas por semana, em m\u00e9dia, eu escuto Snoop (Doggy) Dogg? N\u00e3o sei &#8211; s\u00f3 tenho certeza que s\u00e3o muitas. N\u00e3o me incomodo mais, portanto, com o fato dele ser t\u00e3o mal falado por a\u00ed. F\u00e3 que \u00e9 f\u00e3 n\u00e3o se incomoda com estas coisas, n\u00e9?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu n\u00e3o esque\u00e7o da primeira vez que ouvi falar em Snoop Doggy Dogg (deve ter sido em 1993). Foi num notici\u00e1rio do SBT: o jornalista Hermano Henning dizia que o sucesso estrondoso (primeiro lugar na Billboard) de um novo rapper, que glorificava a viol\u00eancia, a vida dos g\u00e2ngsters e que era exacerbadamente machista estava assustando a Am\u00e9rica. A reportagem ent\u00e3o cortava para a entrevista na casa do rapper: um negro magro, mal encarado e mal humorado que dizia: \u201cquem gostar de mim, ok &#8211; quem n\u00e3o gostar f***-se\u201d. 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