{"id":2472,"date":"2016-03-24T11:02:09","date_gmt":"2016-03-24T14:02:09","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2472"},"modified":"2016-03-24T11:02:09","modified_gmt":"2016-03-24T14:02:09","slug":"frank-sinatra-na-columbia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2472","title":{"rendered":"Frank Sinatra na Columbia"},"content":{"rendered":"<p>Foi meio sem querer que comprei os primeiros discos de Frank Sinatra. Na extinta loja Brenno Rossi sempre havia promo\u00e7\u00f5es de discos encalhados, com edi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria loja. Eu olhei longamente um \u00e1lbum duplo (era vinil) de Frank Sinatra e outro de Bessie Smith, at\u00e9 decidir pelo cantor apelidado de &#8220;A Voz&#8221;. Como muita gente na \u00e9poca, eu tinha preconceito pelo cantor de New York, New York e de Strangers in the night&#8230; por ele cantar New York New York e Strangers in the night! Estas m\u00fasicas, na \u00e9poca, me pareciam cafonas. (Na verdade, continuam a me parecer cafonas.) Por que ent\u00e3o, comprei Frank Sinatra e n\u00e3o Bessie Smith, que at\u00e9 a Enciclop\u00e9dia Abril falava bem? N\u00e3o lembro bem &#8211; possivelmente li algo, na \u00e9poca, falando do grande cantor que Frank Sinatra tinha sido. Mas n\u00e3o tenho certeza.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Bem, ent\u00e3o cheguei em casa, fui ouvir os LPs&#8230; e a surpresa foi enorme! Aquele cantor n\u00e3o se parecia, em nada, com o cantor que eu conhecia e n\u00e3o gostava! Ele cantava baixinho, suave. Sua voz afinad\u00edssima era extremamente prazerosa e relaxante de se ouvir. Frank Sinatra parecia estar sentindo um grande prazer em cantar aquelas bel\u00edssimas can\u00e7\u00f5es &#8211; mas um prazer calmo, de algu\u00e9m que n\u00e3o tem problemas na vida. E assim continuei a comprar discos de Frank Sinatra, muitos deles. E em quase todas as m\u00fasicas o Frank Sinatra era o mesmo: um cantor repousante, delicioso de se ouvir, que se houve com um sorriso nos l\u00e1bios (lembro at\u00e9 que escrevi num quadro de avisos para que comemor\u00e1ssemos o anivers\u00e1rio do cantor&#8230;).<\/p>\n<p>At\u00e9 que um belo dia o suplemento Mais!, da Folha de S\u00e3o Paulo, apresenta Frank Sinatra como mat\u00e9ria de capa, e muitas p\u00e1ginas falando sobre ele e suas can\u00e7\u00f5es l\u00e1 dentro. O tom geral das mat\u00e9rias era o seguinte: normalmente os cr\u00edticos n\u00e3o gostavam de New York, New York e Strangers in the night (senti-me, obviamente, reconfortado) e diziam que a grande fase de Frank Sinatra foi na Capitol (1953-1960). Bem, fui fu\u00e7ar nos meus cds e eu n\u00e3o tinha nenhum cd desta \u00e9poca! Os discos que eu tinha eram os da \u00e9poca anterior, na gravadora Columbia. Bem, em seu artigo no Mais!, o grande Rui Castro dizia que na Columbia o Frank Sinatra era apenas um cantor rom\u00e2ntico que agradava as meninas, ou coisa parecida, enquanto na Capitol sim &#8220;A Voz&#8221; chegou no seu \u00e1pice, com uma rouquid\u00e3o e uma intensidade jamais atingidas antes ou depois.<\/p>\n<p>Bem, me senti meio idiota por ter tantos cds de Frank Sinatra, e nenhum de sua fase \u00e1urea. Fui procurar nas lojas&#8230; e nada! Era por isto que eu n\u00e3o tinha comprado nenhum disco do Frank Sinatra na Capitol: simplesmente n\u00e3o havia edi\u00e7\u00f5es nacionais de Frank Sinatra desta fase. E ent\u00e3o desisti de conhecer o &#8220;grande&#8221; Frank Sinatra, e o dinheiro n\u00e3o dava para sair comprando importados por a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 que um belo dia, com algum alarde, saiu um best-of dos anos da Capitol, chamado &#8220;Classic Sinatra &#8211; His Great Performances 1953-1960&#8221;, e comecei a entender o porqu\u00ea desta grita toda em torno das grava\u00e7\u00f5es do Frank Sinatra desta \u00e9poca: sua voz ficou mais rouca, suas interpreta\u00e7\u00f5es muito mais intensas. O que ele perdeu em prazer de cantar ganhou em intensidade dram\u00e1tica (esta intensidade refletia quase que certamente seus fracassos pessoais e profissionais antes de sua chegada na Capitol). Sai o cantor rom\u00e2ntico e suave, e entra uma For\u00e7a da Natureza. Depois deste cd, comprei mais dois, importados, &#8220;In the wee small hours&#8221; (apenas com m\u00fasicas tristes &#8211; Frank Sinatra na Capitol foi o primeiro sujeito na hist\u00f3ria a fazer \u00e1lbuns quase &#8220;conceituais&#8221;: um s\u00f3 com m\u00fasicas tristes, outro apenas com dan\u00e7antes, outro apenas com rom\u00e2nticas, e assim por diante) e Songs for young lovers (m\u00fasicas rom\u00e2nticas), numa edi\u00e7\u00e3o conjunta com Swing Easy! (m\u00fasicas dan\u00e7antes junto com uma big band). E assim fui esquecendo o Frank Sinatra da Columbia.<\/p>\n<p>At\u00e9 que um belo dia fiquei com saudades daqueles discos suaves da Columbia. Puxa vida, eu sou f\u00e3 de coisas desprezadas por grande parte da cr\u00edtica, como Limp Bizkit e Korn. J\u00e1 n\u00e3o estou mais em idade de me levar pelas opini\u00f5es dos outros, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o fui tirar o p\u00f3 daqueles discos da Columbia&#8230; e o prazer que senti ao ouvi-los foi o mesmo de anos antes. M\u00fasicas como &#8220;You are too beautiful&#8221;, &#8220;Nancy&#8221;, &#8220;(I don&#8217;t have a) ghost of a chance&#8221;, &#8220;Someone who&#8217;ll watch over me&#8221; e &#8220;Day by day&#8221; continuavam t\u00e3o belas, repousantes e suaves quanto sempre foram. Resumo da \u00f3pera: Frank Sinatra pode ter feito Arte com A mai\u00fasculo na Capitol, reconhe\u00e7o. Mas ningu\u00e9m me tira da cabe\u00e7a que a sua melhor fase foi na Columbia mesmo&#8230;<\/p>\n<p><em>(texto escrito em 2002)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi meio sem querer que comprei os primeiros discos de Frank Sinatra. Na extinta loja Brenno Rossi sempre havia promo\u00e7\u00f5es de discos encalhados, com edi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria loja. Eu olhei longamente um \u00e1lbum duplo (era vinil) de Frank Sinatra e outro de Bessie Smith, at\u00e9 decidir pelo cantor apelidado de &#8220;A Voz&#8221;. Como muita gente na \u00e9poca, eu tinha preconceito pelo cantor de New York, New York e de Strangers in the night&#8230; por ele cantar New York New York e Strangers in the night! Estas m\u00fasicas, na \u00e9poca, me pareciam cafonas. (Na verdade, continuam a me parecer cafonas.) Por que ent\u00e3o, comprei Frank Sinatra e n\u00e3o Bessie Smith, que at\u00e9 a Enciclop\u00e9dia Abril falava bem? N\u00e3o lembro bem &#8211; possivelmente li algo, na \u00e9poca, falando do grande cantor que Frank Sinatra tinha sido. 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