{"id":2454,"date":"2016-03-20T22:59:39","date_gmt":"2016-03-21T01:59:39","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2454"},"modified":"2016-03-20T22:59:39","modified_gmt":"2016-03-21T01:59:39","slug":"leao-de-chacara-de-joao-antonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2454","title":{"rendered":"&#8220;Le\u00e3o-de-ch\u00e1cara&#8221;, de Jo\u00e3o Ant\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 uma coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o em \u201cLe\u00e3o-de-ch\u00e1cara\u201d (Cosac Naify), de Jo\u00e3o Ant\u00f4nio (1937-1996), \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o da escrita do autor: a segunda parte, \u201cUm conto da boca do lixo\u201d, foi escrita em 1965, enquanto que a primeira, \u201cTr\u00eas contos do Rio\u201d, quando da publica\u00e7\u00e3o do livro em 1975. A diferen\u00e7a de qualidade entre as duas partes \u00e9 gritante.<\/p>\n<p>N\u00e3o que \u201cPaulinho Perna Torta\u201d, o \u00fanico conto da segunda parte e que ocupa basicamente metade do livro, seja ruim: mas a hist\u00f3ria (baseada em fatos reais) do malandro que desde a inf\u00e2ncia dif\u00edcil se envolveu com o crime \u2013 inicialmente com a explora\u00e7\u00e3o de prostitutas -, \u201cevoluindo\u201d at\u00e9 se tornar um dos grandes criminosos de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o chega a chamar a aten\u00e7\u00e3o do leitor. <!--more-->As caracter\u00edsticas principais das obras de Jo\u00e3o Ant\u00f4nio \u2013 o retrato de malandros, prostitutas e bandidos pobres das grandes cidades, utilizando tantas g\u00edrias locais que torna a leitura \u00e0s vezes dif\u00edcil \u2013 est\u00e3o todos l\u00e1: mas a hist\u00f3ria se arrasta, os acontecimentos se sucedem meio que sem ir para lugar nenhum. Como retrato um per\u00edodo e um lugar (especificamente, a malandragem dos anos 50 no centro velho de S\u00e3o Paulo), \u201cPaulinho Perna Torta\u201d \u00e9 muito interessante. Literariamente, por\u00e9m, o conto envelheceu mal.<\/p>\n<p>J\u00e1 os tr\u00eas contos apresentados na se\u00e7\u00e3o \u201cTr\u00eas contos do Rio\u201d, mais recentes, s\u00e3o bem melhores: t\u00eam vida pr\u00f3pria fora do simples retrato de uma \u00e9poca. \u201cLe\u00e3o-de-ch\u00e1cara\u201d conta a hist\u00f3ria de um homem, bom marido e bom pai, que trabalha como seguran\u00e7a em uma boate ao mesmo tempo em que \u00e9 um \u201cle\u00e3o\u201d &#8211; esp\u00e9cie de l\u00edder dentro malandragem carioca. \u201cJo\u00e3ozinho da Babil\u00f4nia\u201d conta a tr\u00e1gica hist\u00f3ria de um homem rico e importante que se apaixona por uma prostituta, Guiomar. Finalmente, o melhor conto do livro \u00e9 \u201cTr\u00eas cunhadas \u2013 Natal 1960\u201d, em que um marido vai visitar no Natal as tr\u00eas irm\u00e3s da mulher, solteiras e que vivem juntas. \u00c9 uma daquelas obras-primas no estilo do conto \u201cMissa do galo\u201d, de Machado de Assis, onde o que importa realmente n\u00e3o \u00e9 o que est\u00e1 sendo contado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 uma coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o em \u201cLe\u00e3o-de-ch\u00e1cara\u201d (Cosac Naify), de Jo\u00e3o Ant\u00f4nio (1937-1996), \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o da escrita do autor: a segunda parte, \u201cUm conto da boca do lixo\u201d, foi escrita em 1965, enquanto que a primeira, \u201cTr\u00eas contos do Rio\u201d, quando da publica\u00e7\u00e3o do livro em 1975. A diferen\u00e7a de qualidade entre as duas partes \u00e9 gritante. N\u00e3o que \u201cPaulinho Perna Torta\u201d, o \u00fanico conto da segunda parte e que ocupa basicamente metade do livro, seja ruim: mas a hist\u00f3ria (baseada em fatos reais) do malandro que desde a inf\u00e2ncia dif\u00edcil se envolveu com o crime \u2013 inicialmente com a explora\u00e7\u00e3o de prostitutas -, \u201cevoluindo\u201d at\u00e9 se tornar um dos grandes criminosos de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o chega a chamar a aten\u00e7\u00e3o do leitor.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2455,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[334],"class_list":["post-2454","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-joao-antonio","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2454"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2457,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2454\/revisions\/2457"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}