{"id":2390,"date":"2016-02-23T23:15:24","date_gmt":"2016-02-24T02:15:24","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2390"},"modified":"2022-06-05T14:38:06","modified_gmt":"2022-06-05T17:38:06","slug":"senhora-de-jose-de-alencar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2390","title":{"rendered":"&#8220;Senhora&#8221;, de Jos\u00e9 de Alencar"},"content":{"rendered":"<p>Se existe um escritor vilipendiado pelo p\u00fablico na literatura brasileira, este \u00e9 Jos\u00e9 de Alencar (1829-1877). Quase todo o mundo j\u00e1 ouviu algu\u00e9m se queixar de que <em>foi obrigado<\/em> a ler algum romance dele, achando-o chato por causa da linguagem empolada empregada. Realmente, trechos como<\/p>\n<blockquote><p>Quem n\u00e3o se recorda de Aur\u00e9lia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor?<\/p><\/blockquote>\n<p>s\u00e3o de leitura cansativa.<!--more--><\/p>\n<p>N\u00e3o tendo sido jamais \u201cobrigado\u201d a ler alguma obra de Jos\u00e9 de Alencar, li n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s o romance \u201cA viuvinha\u201d, e gostei muito. Como este n\u00e3o \u00e9 dos livros mais famosos do cearense, resolvi encarar a cl\u00e1ssica \u201cSenhora\u201d, obra da qual foi retirada o trecho acima \u2013 bem no seu comecinho.<\/p>\n<p>\u201cSenhora\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de uma vingan\u00e7a: Aur\u00e9lia \u00e9 uma \u00f3rf\u00e3 pobre que tem dois pretendentes, Eduardo Abreu e Fernando Seixas. Ela escolhe o segundo, por quem \u00e9 apaixonada. O problema \u00e9 que Seixas \u00e9 um rapaz de classe m\u00e9dia baixa que vive na alta sociedade, muito acima de suas posses. Achando que teria melhor chance de fazer um casamento mais favor\u00e1vel financeiramente com outra mo\u00e7a, Adelaide Amaral, Fernando Seixas desiste de Aur\u00e9lia, que acaba ficando sem pretendentes.<\/p>\n<p>\u00c9 quando Aur\u00e9lia recebe uma heran\u00e7a milion\u00e1ria e, riqu\u00edssima, come\u00e7a a agir maquiavelicamente: com seu dinheiro faz com que seu grande amigo Dr. Torquato Ribeiro consiga casar-se com a pretendente de Seixas, Adelaide. Sabendo que o grande amor de sua vida, Fernando Seixas, est\u00e1 com s\u00e9rias dificuldades financeiras, ela praticamente \u201ccompra\u201d sua m\u00e3o e se casa com ele.<\/p>\n<p>Inebriado pela alegria de, ao mesmo tempo, casar-se com a bel\u00edssima Aur\u00e9lia e n\u00e3o ter mais problemas financeiros, Fernando Seixas n\u00e3o espera o que vai acontecer a partir de sua noite de n\u00fapcias: imbu\u00edda de fort\u00edssimo desejo de vingan\u00e7a, Aur\u00e9lia trata Seixas como se fosse um servo e n\u00e3o lhe permite nenhum tipo de intimidade. O restante n\u00e3o d\u00e1 para contar para n\u00e3o estragar a surpresa.<\/p>\n<p>Seixas est\u00e1 longe de ser um personagem mal constru\u00eddo, embora algumas de suas decis\u00f5es no decorrer da obra possam ser mais ou menos discut\u00edveis. Mas a grande for\u00e7a de \u201cSenhora\u201d est\u00e1 mesmo em Aur\u00e9lia Camargo, uma mulher intensa, capaz de grandes amores e grandes \u00f3dios: \u00e9 evidente o carinho que Jos\u00e9 de Alencar tem por sua riqu\u00edssima personagem e, porque n\u00e3o dizer, pelas mulheres em geral.<\/p>\n<p>Uma inesquec\u00edvel personagem de um romance \u2013 olha a\u00ed \u2013 inesquec\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se existe um escritor vilipendiado pelo p\u00fablico na literatura brasileira, este \u00e9 Jos\u00e9 de Alencar (1829-1877). Quase todo o mundo j\u00e1 ouviu algu\u00e9m se queixar de que foi obrigado a ler algum romance dele, achando-o chato por causa da linguagem empolada empregada. Realmente, trechos como Quem n\u00e3o se recorda de Aur\u00e9lia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor? s\u00e3o de leitura cansativa.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2391,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[781,325],"class_list":["post-2390","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-brasil-imperio","tag-jose-de-alencar","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2390"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2390\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2397,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2390\/revisions\/2397"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}