{"id":2240,"date":"2016-01-15T17:27:03","date_gmt":"2016-01-15T17:27:03","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2240"},"modified":"2016-01-15T17:27:35","modified_gmt":"2016-01-15T17:27:35","slug":"no-is-always-easier-than-yes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2240","title":{"rendered":"&#8220;No is always easier than Yes&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>1 &#8211; Como apareci na m\u00eddia falando mal dos outros<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Nunca li nada deste jornalista Mario Marques, do &#8220;Globo&#8221;, mas me parece um cara legal. Acho que entendo o porque dele, segundo a leitora Juliana Medrado, falar mal de Strokes e White Stripes a cada frase. Eu nunca ouvi White Stripes e, se parece Strokes, nem quero ouvir. Mas o problema dos Strokes \u00e9 que NUNCA, mas NUNCA mesmo, uma banda t\u00e3o elogiada foi t\u00e3o ruim. &#8216;De modus que&#8217; as poucas pessoas que enxergam que strokes \u00e9 uma farsa devem insistir com este tema.&#8221;<!--more--><\/p><\/blockquote>\n<p>A mensagem acima foi mandada por mim mesmo para o jornalista Lucio Ribeiro, que a publicou em sua coluna de 13\/02\/2002. Mais tarde, se n\u00e3o modifiquei completamente minha posi\u00e7\u00e3o quanto aos Strokes &#8211; continuo achando a banda superestimada &#8211; posso dizer que mudei, sim, de opini\u00e3o. Considero Hard to explain, do disco de estr\u00e9ia deles, uma m\u00fasica fenomenal &#8211; e o \u00e1lbum todo est\u00e1 longe de ser ruim (quanto ao White Stripes, ent\u00e3o, hoje sou f\u00e3 de carteirinha, conforme comentei aqui). Hoje eu jamais escreveria a mesma coisa. Se mudei t\u00e3o rapidamente de id\u00e9ia quanto aos Strokes, como\u00a0 pude me enganar tanto?<\/p>\n<p>O que aconteceu foi mais ou menos o seguinte: todo o hype em cima dos Strokes me irritava, pois eu lia em todo o lugar o nome deles, enquanto que bandas novas que eu considerava\u00a0 (e que de certa foram ainda considero) muito melhores &#8211; como System of a Down, Limp Bizkit, Papa Roach &#8211; eram simplesmente ignoradas e\/ou desprezadas. Resultado: ouvi poucas vezes Strokes, sempre com enorme m\u00e1-vontade &#8211; e, como n\u00e3o parecia nu-metal, simplesmente achei pavoroso. Mas n\u00e3o era. Eu simplesmente conhecia mal a banda. Se eu tivesse pretens\u00f5es de onisci\u00eancia, eu estabeleceria aqui uma primeira lei: Freq\u00fcentemente odiamos coisas que n\u00e3o conhecemos. Como n\u00e3o posso responder pelos outros, deixo esta id\u00e9ia no ar. Isto aconteceu comigo em rela\u00e7\u00e3o aos Strokes, pode acontecer com outras pessoas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 sobre isto que eu pretendo falar aqui. Eu vou comentar, simplesmente, o fato desta minha mensagem ter sido publicada numa coluna de extraordin\u00e1rio sucesso, a do Lucio Ribeiro.<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; Ter prazer em falar mal dos outros<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Falar mal das pessoas \u00e9 muito mais gratificante do que falar bem. Eu, se pudesse, s\u00f3 falaria mal.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Come\u00e7a assim a coluna de Diogo Mainardi de 29 de janeiro de 2003, parecendo querer colaborar de prop\u00f3sito com o objetivo do texto que eu tinha em mente na \u00e9poca. Por que, afinal de contas, se comenta tanto este colunista da Veja? Pelo mesmo motivo que se falava em Paulo Francis enquanto ele estava vivo. \u00c9 o mesmo motivo que faz com que quem seja ligado em m\u00fasica pop fale tanto em Alvaro Pereira Jr. hoje em dia. \u00c9 que estes jornalistas adoram (ou adoravam) dizer que algo \u00e9 horr\u00edvel sem argumento nenhum &#8211; apenas pelo prazer de destruir. Seu sucesso se deve a um fato pouco comentado: simplesmente, as pessoas adoram &#8211; ou se sentem atra\u00eddas por &#8211; cr\u00edticas destrutivas. Existe um certo prazer m\u00f3rbido em ver um livro, uma m\u00fasica, um filme, um livro, qualquer coisa, sendo destru\u00eddo sem apela\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo os defensores do objeto da ira do cr\u00edtico destrutivo se\u00a0 sentem irreversivelmente atra\u00eddos por este, xingando-o em retorno &#8211; criando um processo perverso, circular e in\u00fatil.<\/p>\n<p>Mais do que ser gratificante, como defende Diogo Mainardi, falar mal dos outros d\u00e1 ibope. Eu s\u00f3 me apercebi disto quando minha mensagem sobre os Strokes, nada argumentativa e totalmente destrutiva, foi publicada pelo Lucio Ribeiro. Falar bem, ao que parece, n\u00e3o tem gra\u00e7a nenhuma. (E, o que \u00e9 sintom\u00e1tico, normalmente se conhece bem o que se gosta e &#8211; a n\u00e3o ser em caso de masoquismo &#8211; se conhece bem menos o que n\u00e3o se gosta.)<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; Sim e N\u00e3o<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u00a0&#8220;No is always easier than Yes&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Embora esta frase (&#8220;N\u00e3o \u00e9 sempre mais f\u00e1cil que Sim&#8221;), retirada de uma can\u00e7\u00e3o de Morrissey chamada Black-Eyed Susan, pare\u00e7a originalmente versar sobre uma pessoa c\u00e9tica &#8211; a partir de um ponto de vista tamb\u00e9m correto, na minha opini\u00e3o -, n\u00e3o \u00e9 sob este aspecto que irei analis\u00e1-la aqui.<\/p>\n<p>J\u00e1 se viu acima como falar mal por falar pode ser gratificante, e como pode tamb\u00e9m trazer sucesso de audi\u00eancia &#8211; se me permitem &#8211; com relativa facilidade. O N\u00e3o &#8211; a cr\u00edtica destrutiva &#8211; parece ser, como Morrissey diz, realmente mais f\u00e1cil que o Sim\u00a0 &#8211; a defesa, mais ou menos apaixonada, de alguma coisa (que pode ser, por exemplo, uma m\u00fasica, um filme, ou um programa de TV).<\/p>\n<p>Falando da minha experi\u00eancia pessoal, posso dizer que sempre fui uma pessoa profundamente entusiasmada com as coisas que gosto, e este meu lado sempre foi olhado com um pouco de estranheza por outras pessoas. Era\u00a0 freq\u00fcentemente dif\u00edcil fazer outras pessoas entenderem por que eu gostava tanto de Marcel Proust ou de Johann Sebastian Bach &#8211; ou por que os outros n\u00e3o conheciam as obras de quem eu estava falando, ou por que eles achavam in\u00fatil que algu\u00e9m gostasse destas coisas, ou mesmo (percebi recentemente que at\u00e9 isso pode acontecer) por uma pontinha de inveja. Com o tempo, entretanto, a opini\u00e3o negativa dos outros foi perdendo a import\u00e2ncia para mim. Mas eu estaria mentindo se dissesse que o Sim, hoje, me \u00e9 mais f\u00e1cil que o N\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi, conseq\u00fcentemente, com grande prazer que li uma pequeno trabalho de Denis Diderot chamado Elogio de Richardson. O entusiasmo que o fil\u00f3sofo franc\u00eas demonstra pelo escritor ingl\u00eas Richardson \u00e9 impressionante. Alguns trechos, escolhidos quase ao acaso, d\u00e3o uma pequena id\u00e9ia do quanto Diderot era entusiasmado pelo escritor de Clarisse: &#8220;Pintores, poetas, pessoas de gosto, leiam Richardson; leiam sem parar&#8221;; &#8220;Quanto mais bela a alma, quanto mais refinado e puro o gosto, quanto melhor o conhecimento da natureza e maior o amor pela verdade, maior a estima pela obra de Richardson&#8221;; &#8220;Eu conhe\u00e7o a casa dos Harlove como a minha; o lar do meu pai n\u00e3o me \u00e9 mais familiar que o de Grandison&#8221; (os Harlove e Grandison s\u00e3o personagens dos romances de Richardson); &#8220;Ah Richardson! eu ousaria dizer que a Hist\u00f3ria mais verdadeira \u00e9 cheia de mentiras, e que teu romance \u00e9 pleno de verdades. A Hist\u00f3ria pinta alguns indiv\u00edduos: voc\u00ea pinta a esp\u00e9cie humana; a Hist\u00f3ria atribui a alguns indiv\u00edduos o que eles nem disseram, nem fizeram: por outro lado, tudo o que voc\u00ea atribui\u00a0 ao homem, ele disse e fez; a Hist\u00f3ria n\u00e3o trata sen\u00e3o de um intervalo de tempo e de um ponto da superf\u00edcie do globo: voc\u00ea abarcou todos os lugares e todos os tempos&#8221;. E assim, de elogio rasgado em elogio rasgado, Diderot vai declarando sua admira\u00e7\u00e3o irrestrita pelo romancista Richardson. No \u00faltimo par\u00e1grafo, Diderot declara que seu texto sobre Richardson foi composto com linhas sem liga\u00e7\u00e3o, sem planejamento e sem ordem, \u00e0 medida que eram inspiradas pelo tumulto de sua alma, causado pelo g\u00eanio do romancista ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Se a leitura deste paneg\u00edrico j\u00e1 tinha me dado grande prazer (pois era, afinal de contas, o Sim exacerbado), o melhor ainda estava por vir: na nota explicativa do Elogio de Richadson (ver mais detalhes aqui) Andr\u00e9 Billy\u00a0 conta que diversos autores &#8211; La Harpe, Nisard, Saint-Marc Girardin, entre outros &#8211; criticaram este trabalho por consider\u00e1-lo &#8220;colorido demais&#8221;, &#8220;exagerado&#8221; e &#8220;apenas uma obra de um declamador&#8221;. Declamador?, pergunta Andr\u00e9 Billy. O fato \u00e9 que n\u00e3o se l\u00ea mais nem La Harpe, nem Nisard, nem Saint-Marc Girardin, e que o Elogio de Richadson ainda nos faz sorrir de prazer e simpatia, complementa o compilador das Oeuvres de Diderot.<\/p>\n<p>Se eu pudesse escolher uma frase para chamar jocosamente de A Vingan\u00e7a do Entusiasmado, certamente seria esta.<\/p>\n<p><em>(texto escrito em 2003)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; Como apareci na m\u00eddia falando mal dos outros &#8220;Nunca li nada deste jornalista Mario Marques, do &#8220;Globo&#8221;, mas me parece um cara legal. Acho que entendo o porque dele, segundo a leitora Juliana Medrado, falar mal de Strokes e White Stripes a cada frase. Eu nunca ouvi White Stripes e, se parece Strokes, nem quero ouvir. Mas o problema dos Strokes \u00e9 que NUNCA, mas NUNCA mesmo, uma banda t\u00e3o elogiada foi t\u00e3o ruim. &#8216;De modus que&#8217; as poucas pessoas que enxergam que strokes \u00e9 uma farsa devem insistir com este tema.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2242,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[92,257,81],"class_list":["post-2240","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-diderot","tag-diogo-mainardi","tag-morrissey","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2240","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2240"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2240\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2244,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2240\/revisions\/2244"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}