{"id":2232,"date":"2016-01-13T11:31:44","date_gmt":"2016-01-13T11:31:44","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2232"},"modified":"2016-01-13T11:32:26","modified_gmt":"2016-01-13T11:32:26","slug":"traducao-os-dois-amigos-de-bourbonne-por-denis-diderot","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2232","title":{"rendered":"Tradu\u00e7\u00e3o: &#8220;Os Dois Amigos de Bourbonne&#8221;, por Denis Diderot"},"content":{"rendered":"<p>Havia aqui dois homens, que poderiam ser chamados Orestes e P\u00edlades (<sup>1<\/sup>) de Bourbonne. <!--more-->Um se chamava Olivier, e outro F\u00e9lix; nasceram no mesmo dia, na mesma casa, e de duas irm\u00e3s. Tinham sido nutridos com o mesmo leite; isto porque, tendo uma das m\u00e3es sido morta no parto, a outra se encarregou das duas crian\u00e7as. Eles foram educados juntos; eram sempre separados dos outros; amavam-se como se existe, como se vive, sem que houvesse d\u00favidas a respeito; eles o sentiam a todo momento, e quem sabe n\u00e3o o tenham dito jamais. Olivier tinha salvo uma vez a vida de F\u00e9lix, que se vangloriava de ser um grande nadador e que acabou se afogando: nem um nem o outro se lembravam disso. Cem vezes F\u00e9lix tirou Olivier de suas aventuras vergonhosas, onde seu car\u00e1ter impetuoso o tinha levado, e este jamais pensou em agradecer \u00e0quele: eles voltavam juntos para casa, sem se falar, ou falando de outra coisa.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou a convoca\u00e7\u00e3o para a mil\u00edcia, e o primeiro bilhete fatal caiu sobre F\u00e9lix, Olivier disse: &#8220;<em>o outro \u00e9 para mim<\/em>&#8220;. Eles completaram seu tempo de servi\u00e7o militar; voltaram \u00e0 terra natal: se mais caros um ao outro do que anteriormente, \u00e9 algo que eu n\u00e3o poderia lhes assegurar: isto porque, querido irm\u00e3o, se por um lado os benef\u00edcios rec\u00edprocos cimentam as amizades racionais, por outro talvez n\u00e3o contribuam em nada \u00e0quelas que eu chamaria de bom grado de amizades animais e dom\u00e9sticas. No ex\u00e9rcito, durante um encontro, Olivier estando amea\u00e7ado de ter a cabe\u00e7a rachada por um golpe de sabre, F\u00e9lix colocou-se maquinalmente diante do golpe e teve o rosto cortado: dizem que ele tinha orgulho desta cicactriz; quanto a mim, n\u00e3o acredito nisso. Em Hastembeck Olivier tinha tirado F\u00e9lix do meio da multid\u00e3o de mortos, onde este tinha ficado. Quando eles eram interrogados, \u00e0s vezes falavam do socorro que tinham recebido, mas jamais dos que tinham recebido um do outro. Olivier falava de F\u00e9lix, F\u00e9lix falava de Olivier; mas eles louvavam a si mesmos. Ao fim de algum tempo em sua terra, eles amaram; e o acaso fez com que fosse a mesma mo\u00e7a. N\u00e3o houve entre eles nenhuma rivalidade; o primeiro que percebeu a paix\u00e3o do amigo se retirou: foi F\u00e9lix. Olivier casou; e F\u00e9lix, desgostoso da vida sem saber por que, se precipitou em toda a sorte de neg\u00f3cios perigosos; o \u00faltimo deles foi o de se tornar contrabandista.<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o ignora, querido irm\u00e3o, que existem alguns tribunais na Fran\u00e7a, Caen, Reims, Valence e Touolouse, onde os contrabandistas s\u00e3o julgados; e que o mais severo dos quatro \u00e9 aquele de Reims, presidido por um chamado Couleau, a alma mais feroz que a natureza jamais formou. F\u00e9lix foi preso, as armas na m\u00e3o, conduzido diante do terr\u00edvel Couleau, e condenado \u00e0 morte, como quinhentos outros que o precederam. Olivier soube da sorte de F\u00e9lix. Uma noite, ele se levanta, do lado de sua mulher e, sem lhe dizer nada, vai at\u00e9 Reims. Ele se dirige ao juiz Couleau: se joga a seus p\u00e9s, e lhe solicita a gra\u00e7a de ver e abra\u00e7ar F\u00e9lix. Couleau olha para ele, se cala um momento, e lhe faz um sinal para que se sentasse. Olivier se senta. Ao fim de meia hora, Couleau tira seu rel\u00f3gio, e diz a Olivier: &#8220;Se voc\u00ea quer ver e abra\u00e7ar seu amigo vivo, corra, ele est\u00e1 a caminho; e se meu rel\u00f3gio est\u00e1 funcionando bem, antes de dez minutos ele ser\u00e1 enforcado&#8221;. Olivier, transportado de f\u00faria, d\u00e1 um soco violent\u00edssimo na nuca do juiz Couleau, ap\u00f3s o qual este se estira quase morto; corre at\u00e9 a pra\u00e7a, chega, agride o carrasco, agride os empregados da justi\u00e7a, subleva a popula\u00e7\u00e3o, indignada com estas execu\u00e7\u00f5es. As pedras voam; F\u00e9lix, libertado, foge: Olivier se preocupa com sua sa\u00fade: mas um soldado da pol\u00edcia (<sup>2<\/sup>) lhe perfura o flanco sem que ele se perceba. Ele chegou na porta da cidade, mas n\u00e3o p\u00f4de ir mais longe; charreteiros caridosos lhe deitaram numa charrete, e o colocaram na porta de sua casa um instante antes que expirasse: ele n\u00e3o teve sen\u00e3o o tempo de dizer \u00e0 sua mulher: &#8220;Mulher, se aproxime, que eu te abra\u00e7o. Eu morro, mas o cicatrizado se salvou&#8221;.<\/p>\n<p>Uma noite, em que est\u00e1vamos indo dar um passeio, conforme nosso costume, vimos diante de um casebre uma mulher alta de p\u00e9, com os quatro filhos pequenos a seus p\u00e9s; sua postura triste e firme nos chamou a aten\u00e7\u00e3o, e nossa aten\u00e7\u00e3o chamou a sua. Ap\u00f3s um momento de sil\u00eancio ela nos disse: &#8220;Eis a\u00ed quatro crian\u00e7as pequenas; eu sou a m\u00e3e deles, e n\u00e3o tenho mais marido.&#8221; Esta maneira altiva de solicitar a comsera\u00e7\u00e3o era bem apropriada para nos tocar. N\u00f3s lhe oferecemos nosso aux\u00edlio, que ela aceitou com honestidade: foi\u00a0 nesta ocasi\u00e3o que n\u00f3s soubemos a hist\u00f3ria de seu marido Olivier e de seu amigo F\u00e9lix. N\u00f3s falamos dela, e eu espero que nossa recomenda\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe ter\u00e1 sido in\u00fatil. Voc\u00ea sabe, querido irm\u00e3o, que a grandeza de alma e as altas qualidades s\u00e3o de todos os tipos\u00a0 e de todos os pa\u00edses; que tal sujeito morre obscuramente, n\u00e3o lhe faltando sen\u00e3o um outro teatro; e que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ir at\u00e9 os Iroqueses (<sup>3<\/sup>) para encontrar dois amigos.<\/p>\n<p>No tempo em que o salteador Testalunga infestava a Sic\u00edlia com sua tropa, Romano, seu amigo e confidente, foi pego. Ele era o lugar-tenente de Testalunga, e o segundo no bando. O pai deste Romano foi detido e preso por outros crimes. Foi-lhe prometido perd\u00e3o e liberdade, desde que Romano tra\u00edsse e denunciasse seu chefe Testalunga. O combate entre o amor filial e a amizade jurada foi violento; mas Romano pai persuadiu o filho a dar a prefer\u00eancia \u00e0 amizade, pois sentir-se-ia desonrado em dever a vida a uma trai\u00e7\u00e3o. Romano se rendeu \u00e0 opini\u00e3o de seu pai. Romano pai foi executado; e jamais as torturas mais cru\u00e9is puderam arrancar de Romano filho a dela\u00e7\u00e3o de seus c\u00famplices.<\/p>\n<p>Voc\u00ea desejou, querido irm\u00e3o, saber o que veio a ser de F\u00e9lix: \u00e9 uma curiosidade t\u00e3o simples, e o motivo dela \u00e9 t\u00e3o louv\u00e1vel que n\u00f3s nos repreendemos um pouco por n\u00e3o a termos tido. Para reparar esta falta, n\u00f3s pensamos inicialmente no Sr. Papin, doutor em teologia, e p\u00e1roco de Sainte-Marie \u00e0 Bourbonne: mas mam\u00e3e mudou de id\u00e9ia; e n\u00f3s demos a prefer\u00eancia ao subdelegado Aubert, que \u00e9 um bom homem, bem roli\u00e7o, e que nos enviou a seguinte narrativa, sobre a veracidade da qual voc\u00ea pode contar.<\/p>\n<p>&#8220;O nomeado F\u00e9lix ainda vive. Fugitivo das m\u00e3os da justi\u00e7a, ele se lan\u00e7ou nas florestas da prov\u00edncia, cujos meandros aprendeu a conhecer quando fazia contrabando, procurando se aproximar pouco a pouco da morada de Olivier, cuja sorte ignorava.<\/p>\n<p>&#8220;Havia no fundo de um bosque, onde a senhora passeou algumas vezes, um carvoeiro cujo casebre servia de asilo a este tipo de gente; era tamb\u00e9m o entreposto de suas mercadoria: foi l\u00e1 que F\u00e9lix apareceu, n\u00e3o sem ter corrido o perigo cair nas emboscadas da pol\u00edcia, que lhe seguia os passos. Alguns de seus associados tinham levado para l\u00e1 a not\u00edcia de sua pris\u00e3o em Reims; e o carvoeiro e a carvoeira lhe haviam dado como justi\u00e7ado, quando ele lhes apareceu.<\/p>\n<p>&#8220;Eu vou lhe contar a coisa conforme soube pela carvoeira, que faleceu aqui h\u00e1 n\u00e3o muito tempo.<\/p>\n<p>&#8220;Foram os seus filhos, que andavam em torno do casebre, que o viram inicialmente. Enquanto ele se detinha a acariciar o mais jovem, do qual era padrinho, os outros entraram no casebre gritando: &#8216;F\u00e9lix! F\u00e9lix!&#8217; O pai e a m\u00e3e sa\u00edram repetindo o mesmo grito de alegria; mas este miser\u00e1vel estava t\u00e3o arrasado de fadiga e de indig\u00eancia que n\u00e3o teve for\u00e7a de responder, e tombou quase desfalecido nos bra\u00e7os deles.<\/p>\n<p>&#8220;Estas boas pessoas lhe socorreram com o que tinham, lhe deram p\u00e3o, vinho e alguns legumes: ele comeu e dormiu.<\/p>\n<p>&#8220;No seu despertar suas primeiras palavras foram: &#8216;Olivier! Crian\u00e7as, voc\u00eas n\u00e3o sabem nada de Olivier?&#8217; &#8216;N\u00e3o&#8217;, elas responderam. Ele lhes contou a aventura de Reims; e passou a noite e o dia seguintes com eles. Ele suspirava, pronunciava o nome de Olivier; ele lhe supunha nas pris\u00f5es de Reims; queria ir at\u00e9 l\u00e1, \u00a0queria ir morrer com o amigo; e n\u00e3o foi sem dificuldades que o carvoeiro e a carvoeira lhe fizeram desistir deste des\u00edgnio.<\/p>\n<p>&#8220;No meio da segunda noite, ele tomou um fuzil, colocou um sabre sob seus bra\u00e7os; e, se endere\u00e7ando com voz baixa ao carvoeiro: &#8216;Carvoeiro!&#8217; &#8216;F\u00e9lix!&#8217; &#8216;Pegue sua machadinha, e vamos.&#8217; &#8216;Aonde?&#8217; &#8216;Grande pergunta! At\u00e9 Olivier.&#8217; Eles foram; mas, saindo da floresta, ei-los cercados por um destacamento da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>&#8220;Eu me baseio no que me disse a carvoeira; mas \u00e9 estranho que dois homens a p\u00e9 pudessem lutar contra uma vintena de homens a cavalo: aparentemente estes estavam esparsos, e queriam pegar suas v\u00edtimas com vida. O que quer que seja,\u00a0 a a\u00e7\u00e3o foi muito intensa; houve cinco cavalos estropiados e sete cavaleiros esfaqueados ou apunhalados. O pobre carvoeiro quedou morto no local, devido a um tiro na t\u00eampora; F\u00e9lix ganhou novamente a floresta; e como ele \u00e9 de uma agilidade incr\u00edvel, corria de um local a outro; correndo, carregava seu fuzil, atirava, assobiava. Esses assobios, esses tiros de fuzil, dados a diferentes intervalos e em diferentes lados, fizeram os cavaleiros da pol\u00edcia temerem que houvesse l\u00e1 uma horda de contrabandistas: ent\u00e3o eles se retiraram apressadamente.<\/p>\n<p>&#8220;Quando F\u00e9lix os viu distanciados, voltou ao campo de batalha; colocou o cad\u00e1ver do carvoeiro sobre suas costas e retomou o caminho do casebre, onde a carvoeira e seus filhos ainda dormiam. Ele p\u00e1ra na porta, estende o cad\u00e1ver a seus p\u00e9s, e se senta, as costas apoiadas contra uma \u00e1rvore e o rosto dirigido para a entrada do casebre. Eis o espet\u00e1culo que aguardava a carvoeira, assim que ela sa\u00edsse de sua palho\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Ela se levanta, ela n\u00e3o encontra mais o seu marido a seu lado; olha por F\u00e9lix, e nada de F\u00e9lix. Ela se levanta, ela sai, ela v\u00ea, ela grita, ela cai de costas. Seus filhos a acorrem, eles olham, eles gritam, eles se rolam sobre o seu pai, eles se rolam sobre sua m\u00e3e. A carvoeira, voltando a si devido ao tumulto e os gritos de seus filhos, arranca seus cabelos, rasga as faces. F\u00e9lix, im\u00f3vel ao p\u00e9 de sua \u00e1rvore, a cabe\u00e7a virada para tr\u00e1s, lhes dizia com uma voz enfraquecida: &#8216;Mate-me.&#8217; Fez-se um momento de sil\u00eancio; ap\u00f3s o que a dor e os gritos eram retomados, e F\u00e9lix lhes falava de novo: &#8216;Matem-me; crian\u00e7as, por piedade, matem-me&#8217;.<\/p>\n<p>&#8220;Eles passaram assim tr\u00eas dias e tr\u00eas noites se desolando; na quarta, F\u00e9lix diz \u00e0 carvoeira: &#8216;Mulher, pegue seu alforge, coloque p\u00e3o nele e me siga&#8217;. Ap\u00f3s um longo circuito atrav\u00e9s de nossas montanhas e de nossas florestas, eles chegaram na casa de Olivier, que \u00e9 situada, como o senhor sabe, na extremidade da cidade, no local onde a estrada se divide em duas, uma indo para Franche-Comt\u00e9, e a outra para Lorraine.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 l\u00e1 que F\u00e9lix vai saber da morte de Olivier, e se encontrar entre as vi\u00favas de dois homens massacrados por sua causa. Ele entra, e diz bruscamente \u00e0 sra. Olivier: &#8216;Onde est\u00e1 Olivier?&#8217; Devido ao sil\u00eancio desta mulher, \u00e0s suas vestes, \u00e0s suas l\u00e1grimas, ele compreendeu que Olivier n\u00e3o vivia mais. Ele se sentiu mal; caiu, e abriu a cabe\u00e7a contra o rolo de amassar p\u00e3o. As duas vi\u00favas o levantaram; o seu sangue corria sobre elas; e enquanto elas se ocupavam a lhe estancar o sangue <em>\u00a0<\/em>com os seus aventais, ele lhes dizia: &#8216;e as senhoras s\u00e3o as mulheres deles, e me socorrem!&#8217; Ap\u00f3s o que ele desfaleceu, depois voltou a si, e dizia suspirando: &#8216;Por que ele n\u00e3o me deixou? Por que ir at\u00e9 Reims? por que deix\u00e1-lo vir?&#8230;&#8217; Ent\u00e3o ele perdeu a cabe\u00e7a, se enfureceu, se rolou no ch\u00e3o e rasgou suas vestes. Em um desses acessos tirou seu sabre e ia se atingir; mas as duas mulheres se jogaram sobre ele, pediram socorro; os vizinhos acorreram: ele foi amarrado com cordas e sangrado sete a oito vezes. Seu furor desapareceu com o esgotamento de suas for\u00e7as; e ele ficou como morto durante tr\u00eas ou quatro dias, ao fim dos quais sua raz\u00e3o retornou. No primeiro momento ele vira os olhos em torno de si, como um homem que sai de um sono profundo, e diz: &#8216;Onde estou? Quem s\u00e3o as senhoras?&#8217; A carvoeira lhe responde: &#8216; Eu sou a carvoeira&#8230;&#8217; Ele retoma: &#8216;Ah! sim, a carvoeira&#8230; E a senhora?&#8230;&#8217; A mulher de Olivier se cala. Ent\u00e3o ele come\u00e7a a chorar, se vira para a parede, e diz solu\u00e7ando: &#8216;Eu estou na casa de Olivier&#8230; e esta \u00e9 a cama de Olivier&#8230; E esta mulher que est\u00e1 a\u00ed, era a sua, ah!&#8230;&#8217;<\/p>\n<p>&#8220;As duas mulheres tiveram tanto cuidado com ele, lhe inspiraram tanta piedade, lhe suplicaram t\u00e3o instantaneamente para que vivesse, lhe mostraram de uma maneira t\u00e3o pungente que ele era a \u00fanica fonte de recurso poss\u00edvel para a sobreviv\u00eancia delas, que ele deixou-se persuadir.<\/p>\n<p>&#8220;Durantre o tempo em que ele ficou nessa casa n\u00e3o se deitou mais. Ele sa\u00eda durante a noite, errava nos campos, se rolava na terra, chamava Olivier; uma das mulheres o seguia, e lhe trazia de volta no amanhecer.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas pessoas sabiam que ele estava na casa de Olivier, e entre estas havia aquelas mal-intencionadas. As duas vi\u00favas lhe advertiram do perigo que ele corria: era uma tarde; ele estava sentado sobre um banco, o sabre sobre os joelhos, os cotovelos apoiados sobre uma mesa, os dois pulsos sobre os dois olhos. Inicialmente ele n\u00e3o respondeu nada. A mulher de Olivier tinha um rapaz de dezoito anos, a carvoeira uma menina de quinze. De repente ele diz \u00e0 carvoeira: &#8216;Carvoeira, v\u00e1 procurar sua filha, e a traga aqui&#8230;&#8217; Ele tinha algumas foices, e as vendeu. A carvoeira volta com sua filha, o filho de Olivier casou com ela: F\u00e9lix deu-lhes o dinheiro de suas foices, beijou-lhes, pediu-lhes perd\u00e3o chorando: e eles foram se fixar no casebre onde est\u00e3o at\u00e9 hoje, e onde eles servem de pai e m\u00e3e \u00e0s outras crian\u00e7as. As duas vi\u00favas foram morar junto com eles e os filhos de Olivier tiveram um pai e duas m\u00e3es.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 mais ou menos um e meio a carvoeira faleceu; a mulher de Olivier a chora todos os dias.<\/p>\n<p>&#8220;Uma noite em que elas espiavavam F\u00e9lix (porque uma das duas sempre o tinha em vista), o viram desfazendo-se em l\u00e1grimas; ele virava em sil\u00eancio seus bra\u00e7os em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta que o separava delas, e se punha em seguida a fazer suas malas. Elas n\u00e3o lhe disseram nada, porque elas compreendiam, de todo o modo, como a sua partida era necess\u00e1ria. Eles jantaram, todos os tr\u00eas, sem pronunciar uma palavra. De madrugada, ele se levantou; as mulheres n\u00e3o pregavam o olho; ele avan\u00e7ou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta na ponta dos p\u00e9s. L\u00e1 parou, olhou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cama das duas mulheres, enxugou os olhos com as m\u00e3os e saiu. As duas mulheres se apertaram nos bra\u00e7os uma da outra, e passaram o resto da noite chorando. O local de ref\u00fagio dele era ignorado; mas n\u00e3o houve praticamente nenhuma semana em que ele n\u00e3o lhes enviou algum aux\u00edlio.<\/p>\n<p>&#8220;A floresta onde a filha da carvoeira vive com o filho de Olivier pertence a um certo Sr. Leclerc de Ran\u00e7onni\u00e8res, homem muito rico, e senhor de outra aldeia destes distritos, chamado Courcelles. Um dia que o Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res ou de Courcelles, como a Senhora preferir, ca\u00e7ava na sua floresta, chegou no casebre do filho de Olivier; entrou, se p\u00f4s a brincar com as crian\u00e7as, que eram bonitas; ele lhes fez perguntas; o jeito da mulher, que n\u00e3o era ruim, lhe reveio; o tom seguro do marido, que lembrava bastante seu pai, o interessou; ele soube da aventura de seus pais, ele prometeu solicitar o perd\u00e3o de F\u00e9lix; ele o solicitou, e o obteve.<\/p>\n<p>&#8220;F\u00e9lix passou ao servi\u00e7o do Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res, que lhe deu um emprego de auxiliar de ca\u00e7adas.<\/p>\n<p>&#8220;Havia j\u00e1 em torno de dois anos que ele vivia no castelo de Ran\u00e7onni\u00e8res, enviando \u00e0s vi\u00favas uma boa parte de seus ganhos, quando o apego a seu patr\u00e3o e a altivez de seu car\u00e1ter o envolveram numa disputa que n\u00e3o era nada em sua origem mas que teve as conseq\u00fc\u00eancias mais deplor\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8220;O Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res tinha por vizinho em Courcelles um certo Sr. Fourmont, conselheiro no tribunal (<sup>4<\/sup>) de Ch&#8230;&#8230; As duas casas eram separadas apenas por uma cerca de pedras; esta cerca atrapalhava do Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res, e tornava a entrada dif\u00edcil \u00e0s carruagens. O Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res a fez recuar alguns p\u00e9s na dire\u00e7\u00e3o do Sr. Fourmont; este recolocou a cerca do mesmo tanto sobre a propriedade do Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res; e ent\u00e3o seguiram-se \u00f3dio, insultos, um processo entre os dois vizinhos. O processo da cerca suscitou dois ou tr\u00eas outros mais consider\u00e1veis. As coisas estavam neste ponto quando, uma noite, o Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res, voltando da ca\u00e7a acompanhado de seu guarda-costas F\u00e9lix, encontrou, na estrada principal, o Sr. Fourmont, o magistrado, e seu irm\u00e3o, o militar. Este diz a irm\u00e3o: &#8216;Meu irm\u00e3o, o que voc\u00ea acharia se n\u00f3s cort\u00e1ssemos o rosto deste bugre?&#8217; Esta pergunta n\u00e3o foi entendida pelo Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res mas infelizmente o foi por F\u00e9lix, que, se dirigindo altivamente ao jovem, lhe diz: &#8216;Prezado oficial, o senhor seria suficientemente corajoso para o dever de fazer o que disse?&#8217; No mesmo instante ele coloca seu fuzil no ch\u00e3o, e coloca a m\u00e3o sobre a guarda de seu sabre, porque ele n\u00e3o andava jamais sem seu sabre. O jovem militar desembainha sua espada, e avan\u00e7a sobre F\u00e9lix; o Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res acorre,\u00a0 se interp\u00f5e, apanha seu sabre. Enquanto isso o militar toma o fuzil que estava no ch\u00e3o, atira em F\u00e9lix, e erra; este replica com um golpe de sabre, faz cair a espada da m\u00e3o do jovem, e com a espada, a metade do bra\u00e7o; e eis um processo criminal seguido de tr\u00eas ou quatro processos civis. F\u00e9lix confinado na pris\u00e3o; um processo medonho; e, em seguida a este processo, um magistrado despojado de seu posto e quase desonrado, um militar exclu\u00eddo de sua corpora\u00e7\u00e3o, o Sr. de Ran\u00e7onni\u00e8res morto de desgosto, e F\u00e9lix, cuja deten\u00e7\u00e3o durou todo este o tempo, exposto ao ressentimento dos Fourmont. Seu fim teria sido desastroso se o amor n\u00e3o o tivesse socorrido; a filha do carcereiro apaixonou-se por ele e facilitou sua evas\u00e3o; se isto n\u00e3o \u00e9 verdade, pelo menos \u00e9 o que diz a opini\u00e3o p\u00fablica. Ele foi at\u00e9 a Pr\u00fassia, onde serve atualmente no regimento de seguran\u00e7a p\u00fablica (<sup>5<\/sup>). Diz-se que ele \u00e9 amado por seus camaradas, e at\u00e9 mesmo conhecido do rei. Seu nome de guerra \u00e9 O Triste; a vi\u00fava Olivier me disse que ele continua a socorr\u00ea-la.<\/p>\n<p>&#8220;Eis, senhora, tudo o que eu pude descobrir da hist\u00f3ria de F\u00e9lix. Eu junto \u00e0 minha narrativa uma carta do Sr. Papin, nosso vig\u00e1rio. Eu n\u00e3o sei o que ela cont\u00e9m; mas eu creio que o pobre padre, que tem a mentalidade um pouco estreita e o cora\u00e7\u00e3o bem transtornado, s\u00f3 lhe fala de Olivier e de F\u00e9lix segundo suas preven\u00e7\u00f5es. Eu lhe suplico, senhora, de que se atenha aos fatos, sobre a verdade dos quais a senhora pode contar, e \u00e0 bondade do seu cora\u00e7\u00e3o, que a aconselhar\u00e1 melhor que o primeiro te\u00f3logo de Sorbonne, que n\u00e3o \u00e9 o Sr. Papin.&#8221;<\/p>\n<p>CARTA<\/p>\n<p>DO SR. PAPIN, DOUTOR EM TEOLOGIA, E VIG\u00c1RIO DE SAINTE-MARIE \u00c0 BOURBONNE<\/p>\n<p>&#8220;Eu ignoro, senhora, o que o Sr. Subdelegado p\u00f4de lhe contar sobre Olivier e F\u00e9lix, nem qual interesse a senhora pode ter em dois bandidos, que tiveram todos os passos nesse mundo manchados de sangue. A Provid\u00eancia, que castigou um, esperou alguns momentos pelo outro, os quais eu temo que ele n\u00e3o tenha aproveitado; mas que a Vontade de Deus seja feita! Eu sei que existem pessoas aqui (e eu n\u00e3o me espantaria nada que o Sr. Subdelegado estivesse entre eles) que falam desses dois homens como se fossem modelos de uma amizade rara: mas o que \u00e9 aos olhos de Deus a mais sublime virtude, privada dos sentimentos da piedade, do respeito devido \u00e0 Igreja e a seus ministros, e da submiss\u00e3o da lei do soberano? Olivier morreu na porta de sua casa, sem sacramentos; quando fui chamado para ir junto de F\u00e9lix na casa das vi\u00favas, eu jamais pude tirar de l\u00e1 outra coisa que n\u00e3o fosse o nome de Olivier; nenhum sinal de religi\u00e3o, nenhuma marca de arrependimento. Eu n\u00e3o tenho lembran\u00e7a que este tenha se apresentado, uma vez que fosse, ao tribunal da penit\u00eancia. A Sra. Olivier \u00e9 arrogante, e me faltou em mais de uma ocasi\u00e3o; sob pretexto de que sabe ler e escrever, ela se cr\u00ea em estado de educar seus filhos; e eles n\u00e3o s\u00e3o vistos nem nas escolas da par\u00f3quia, nem nas minhas instru\u00e7\u00f5es. Que a madame julgue, segundo estas informa\u00e7\u00f5es, se pessoas desta esp\u00e9cie s\u00e3o bem dignas de sua bondade! O Evangelho n\u00e3o cansa de nos recomendar a comisera\u00e7\u00e3o pelos pobres; mas se dobra o m\u00e9rito da caridade quando existe uma boa escolha dos miser\u00e1veis; e ningu\u00e9m conhece melhor os verdadeiros indigentes que o pastor comum dos indigentes e dos ricos. Se Madame me dignasse com a honra de sua confian\u00e7a, eu empregaria talvez as marcas de sua benefic\u00eancia de uma maneira mais \u00fatil para os infelizes e mais merit\u00f3ria para ela.<\/p>\n<p>&#8220;Seu, com todo o respeito, etc.&#8221;<\/p>\n<p>A Sra. de *** agradeceu o Sr. Subdelegado Aubert por suas aten\u00e7\u00e3o, e enviou suas esmolas ao Sr. Papin, com a carta que se segue:<\/p>\n<p>&#8220;Eu estou muito agradecida, senhor, pelos seus s\u00e1bios conselhos. Eu lhe confesso que a hist\u00f3ria destes dois homens tinha-me tocado; e o senhor h\u00e1 de convir que o exemplo de uma amizade assim t\u00e3o rara estava bem feita para seduzir uma alma honesta e sens\u00edvel; mas o senhor me esclareceu, e eu percebi que era melhor levar nosso socorro a virtudes crist\u00e3s e desafortunadas que a virtudes naturais e pag\u00e3s. Eu rogo ao senhor que aceite a m\u00f3dica soma que lhe estou enviando, e que a distribua segundo uma caridade mais esclarecida que a minha.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tenho a honra de ser&#8230; , etc.&#8221;<\/p>\n<p>Imagina-se que a vi\u00fava Olivier e F\u00e9lix n\u00e3o tiveram nenhuma parte nas esmolas da Sra. de ***. F\u00e9lix faleceu e a pobre mulher teria perecido na mis\u00e9ria se n\u00e3o tivesse se refugiado na floresta com seu filho primog\u00eanito, onde ela trabalha, apesar da grande idade, e subsiste como pode ao lado de seus filhos e netos.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, h\u00e1 tr\u00eas tipos de contos&#8230; Existem bem mais, voc\u00ea me diria&#8230; Em boa hora; mas eu distingo o conto \u00e0 maneira de Homero, de Virg\u00edlio, do Tasso, e eu o chamo de conto maravilhoso. Nele a natureza est\u00e1 exagerada; a verdade \u00e9 hipot\u00e9tica: e se o contista preservou bem o modelo que escolheu, se o todo responde a este modelo, tanto nas a\u00e7\u00f5es quanto nos discursos, ele obteve o g\u00eanero de perfei\u00e7\u00e3o que a sua obra comportava, e voc\u00ea n\u00e3o tem mais nada a pedir. Entrando no seu poema, voc\u00ea p\u00f5e o p\u00e9 numa terra desconhecida, onde nada se passa como naquela que voc\u00ea mora, mas onde tudo se faz em grande escala como as coisas se fazem pequenas no seu entorno. H\u00e1 o conto agrad\u00e1vel \u00e0 maneira de La Fontaine, de Vergier, de Ariosto, de Hamilton, onde o contista n\u00e3o se prop\u00f5e nem a imita\u00e7\u00e3o da natureza, nem a verdade, nem a ilus\u00e3o; ele se lan\u00e7a nos espa\u00e7os imagin\u00e1rios. Diga a este autor: seja alegre, engenhoso, variado, original, mesmo extravagante, que eu consinto; mas me seduza pelos detalhes; que o charme da forma me fa\u00e7a esquecer sempre da inverossimilhan\u00e7a do fundo: e se o contista faz o que voc\u00ea exige aqui, ele fez tudo. H\u00e1 enfim o conto hist\u00f3rico, tal como \u00e9 escrito nas novelas de Scarron, de Cervantes, de Marmontel&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Ao diabo o conto e o contista hist\u00f3ricos! \u00e9 um mentiroso superficial e frio&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Sim, se ele n\u00e3o sabe fazer seu trabalho. Este se prop\u00f5e a engan\u00e1-lo; ele est\u00e1 sentando no canto da sua lareira; ele tem por objeto a verdade rigorosa; ele quer que acreditem nele; ele quer interessar, tocar, puxar, emocionar, fazer arrepiar a pele e correr as l\u00e1grimas; efeito que ele n\u00e3o consegue sem eloq\u00fc\u00eancia e sem poesia; um e outro exageram, superfaturam, amplificam, inspiram a desconfian\u00e7a: como far\u00e1 este contista para engan\u00e1-lo? Vejamos. Ele respingar\u00e1 sua hist\u00f3ria com pequenas circust\u00e2ncias t\u00e3o ligadas \u00e0 coisa, com tra\u00e7os t\u00e3o simples, t\u00e3o naturais e entretanto t\u00e3o dif\u00edceis de imaginar que voc\u00ea ser\u00e1 for\u00e7ado a dizer a si mesmo: realmente, isto \u00e9 verdade: estas coisas n\u00e3o se inventam. \u00c9 assim que se salvar\u00e1 o exagero da eloq\u00fc\u00eancia e da poesia; que a verdade da natureza cobrir\u00e1 o prest\u00edgio da arte; e que ele satisfar\u00e1 \u00e0s duas condi\u00e7\u00f5es que parecem contradit\u00f3rias, de ser ao mesmo tempo historiador e poeta, ver\u00eddico e mentiroso.<\/p>\n<p>Um exemplo emprestado de uma outra arte tornar\u00e1 talvez claro o que eu quero dizer-lhe. Um pintor executa sobre uma tela uma cabe\u00e7a. Nela todas as as formas s\u00e3o fortes, grandes, regulares, \u00e9 o conjunto mais perfeito e mais raro. Eu experimento, quando a vejo, respeito, admira\u00e7\u00e3o, pavor. Eu procuro nela o modelo na natureza, e n\u00e3o o encontro; em compara\u00e7\u00e3o, tudo \u00e9 fraco, pequeno e mesquinho; \u00e9 uma cabe\u00e7a ideal; eu o sinto, eu digo a mim mesmo. Mas se o artista me fizer perceber na frente desta cabe\u00e7a uma pequena cicatriz, uma verruga em uma de suas t\u00eamporas, um corte impercept\u00edvel no l\u00e1bio inferior; e, de ideal que ela era, num instante a cabe\u00e7a se torna um retrato; uma marca de var\u00edola no canto do olho ou ao lado do nariz, e este rosto de mulher n\u00e3o \u00e9 mais de V\u00eanus; \u00e9 um retrato de alguma de minhas vizinhas. Eu direi ent\u00e3o a nossos contistas hist\u00f3ricos: suas figuras s\u00e3o belas, se lhes agrada; mas falta nelas a verruga na t\u00eampora, o corte no l\u00e1bio, a marca de var\u00edola ao lado do nariz, que lhes tornaria verdadeiras; e como dizia meu amigo Caillot: &#8220;um pouco de poeira sobre meus sapatos, e eu n\u00e3o saio do meu camarote, eu volto ao campo.&#8221;<\/p>\n<blockquote><p><em>Atque ita mentitur, sic veris falsa remiscet,<\/em><\/p>\n<p><em>Primo ne medium, me ne discrepet imum.<\/em><\/p>\n<p>Horat. <em>De Art. <\/em><em>Poet., V, 159.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>E ent\u00e3o um pouco de moral depois de um pouco de poesia, isto vai t\u00e3o bem! F\u00e9lix era um indigente que n\u00e3o tinha nada; isto tamb\u00e9m pode ser dito do carvoeiro, da carvoeira e dos outros personagens deste conto; e conclua que em geral n\u00e3o se pode haver amizades inteiras e s\u00f3lidas sen\u00e3o entre homens que n\u00e3o t\u00eam nada. Um homem ent\u00e3o \u00e9 toda a fortuna de seu amigo, e seu amigo \u00e9 toda a sua. Da\u00ed a verdade da experi\u00eancia, que faz com que a infelicidade estreite os la\u00e7os; e a mat\u00e9ria de um pequeno par\u00e1grafo a mais para a primeira edi\u00e7\u00e3o do livro d&#8217;<em>O Esp\u00edrito<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>(texto traduzido em 2003, dedicado a Marcos Fernandes)<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(<sup>1<\/sup>) personagens da pe\u00e7a <em>Electra<\/em>, de S\u00f3focles.<\/p>\n<p>(<sup>2<\/sup>) <em>pol\u00edcia de mar\u00e9chauss\u00e9<\/em> no original (<em>mar\u00e9chauss\u00e9e <\/em>\u00e9 uma palavra que poderia ser traduzida como &#8220;marechalato&#8221;). Esta pol\u00edcia de <em>mar\u00e9chauss\u00e9<\/em> foi extinta em 1790 e substitu\u00edda pela que existe at\u00e9 hoje. No restante do texto, sempre que for utilizado o termo<em>pol\u00edcia<\/em>, ser\u00e1 subentendido que \u00e9 da <em>pol\u00edcia de<\/em> <em>mar\u00e9chauss\u00e9 <\/em>que se trata.<\/p>\n<p>(<sup>3<\/sup>) tribo ind\u00edgena norte-americana.<\/p>\n<p>(<sup>4<\/sup>) <em>pr\u00e9sidial <\/em>no original: este <em>pr\u00e9sidial<\/em>, extinto em 1791, \u00e9 o correspondente ao atual tribunal de primeira inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>(<sup>5<\/sup>) regimento <em>des Gardes<\/em> no original. Estes regimentos, utilizados na seguran\u00e7a p\u00fablica, chegaram a participar de guerras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia aqui dois homens, que poderiam ser chamados Orestes e P\u00edlades (1) de Bourbonne.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2233,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[92],"class_list":["post-2232","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-traducoes","tag-diderot","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2232"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2236,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2232\/revisions\/2236"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}