{"id":2174,"date":"2015-12-18T17:44:23","date_gmt":"2015-12-18T20:44:23","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2174"},"modified":"2017-12-20T16:07:17","modified_gmt":"2017-12-20T19:07:17","slug":"meus-discos-preferidos-em-2003-segunda-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2174","title":{"rendered":"Meus discos preferidos em 2003 \u2013 segunda parte"},"content":{"rendered":"<ol start=\"16\">\n<li><strong> Morrissey: Vauxhall and I<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Foi enorme o impacto na Inglaterra quando este disco saiu: n\u00e3o s\u00f3 foi recebido com fogos de artif\u00edcio pela imprensa local, como chegou ao topo das paradas. A cada vez que lembro de<em>Vauxhall and I<\/em> o que me vem \u00e0 cabe\u00e7a inicialmente \u00e9 o impacto que senti quando comecei a ouvi-lo pela primeira vez: n\u00e3o, por mais que todos estivessem falando que esta era uma obra-prima eu n\u00e3o esperava nada semelhante \u00e0 bel\u00edssima <em>Now My Heart Is Full<\/em>, a faixa que abre o disco.<\/p>\n<p>\u00c9pico, dram\u00e1tico, melodioso, este \u00e9 um disco sublime, profundo, confessional. Fora a m\u00fasica citada acima, os maiores destaques s\u00e3o o hit <em>The More You Ignore Me, The Closer I Get<\/em>, o folk <em>Why Don&#8217;t You Find Out For Yourself <\/em>e a dram\u00e1tica <em>Speedway<\/em>.<\/p>\n<ol start=\"17\">\n<li><strong>Jo\u00e3o Mineiro e Marciano: Cole\u00e7\u00e3o Bis Sertanejo (dois CDs)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/marciano.html\">Aqui<\/a>\u00a0eu escrevi sobre a injusti\u00e7a que \u00e9 termos vergonha de dizer gostamos de Jo\u00e3o Mineiro e Marciano &#8211; isto para f\u00e3s de Djavan, Bar\u00e3o Vermelho, Men at Work e Kid Abelha.<!--more--><\/p>\n<p>A voz de Marciano \u00e9 provavelmente a mais profunda da m\u00fasica brasileira, s\u00f3 compar\u00e1vel com a do Roberto Carlos rom\u00e2ntico dos anos 70.<\/p>\n<p>Esta sensacional colet\u00e2nea tem momentos simplesmente sublimes &#8211; como <em>Eu Daria A Minha Vida<\/em>, <em>Te Amo Mas Adeus<\/em> e <em>Seu Amor Ainda \u00c9 Tudo <\/em>(<em>&#8220;A vida nos faz t\u00e3o pequenos \/ nos preparamos para muito \/ mas choramos por menos&#8221;<\/em>) &#8211; e outros deliciosamente bregas &#8211; como <em>A Mulher Que Eu Amo <\/em>(<em>&#8220;S\u00f3 deixamos de amar quatro dias por m\u00eas&#8221;<\/em>) e <em>Whisky Com Gelo<\/em>(<em>&#8220;por voc\u00ea j\u00e1 bebi tanto \/ que j\u00e1 estou ficando bem conhecido&#8221;<\/em>).<\/p>\n<ol start=\"18\">\n<li><strong>Smiths: Strangeways, Here We Come<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 incr\u00edvel que tem muita gente que acha este o pior disco dos Smiths. <a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/Smiths.html\">Aqui<\/a>\u00a0eu tento reparar esta injusti\u00e7a.<\/p>\n<ol start=\"19\">\n<li><strong>J.S. Bach &#8211; Oferenda Musical (BWV 1079), com Musica Antiqua K\u00f6ln<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Era f\u00e9rias, eu treinava nata\u00e7\u00e3o at\u00e9 as dez da manh\u00e3, jogava futebol de sal\u00e3o at\u00e9 o meio-dia. De tarde eu me fechava no quarto e ficava lendo Thomas Mann (que eu entendia) e William Faulkner (que eu n\u00e3o entendia) ouvindo principalmente a Oferenda Musical de Bach com o conjunto Musica Antiqua K\u00f6ln.<\/p>\n<p>Bem mais tarde comprei outra vers\u00e3o desta monumento da m\u00fasica (tamb\u00e9m em LP), muito pomposa, com a Academy Of St. Martin-in-the-Fields sob a dire\u00e7\u00e3o de Neviller Marriner. A vers\u00e3o da Musica Antiqua K\u00f6ln, com instrumentos de \u00e9poca, \u00e9 muito melhor, mais simples e direta.<\/p>\n<ol start=\"20\">\n<li><strong>Snoop Doggy Dogg: Doggystyle<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Depois de sua extraordin\u00e1ria estr\u00e9ia em <em>The Chronic<\/em>, de Dr. Dre (terceiro lugar desta lista), em que torna imortal aquele que seria apenas um excelente disco, Snoop Doggy Dogg grava seu primeiro \u00e1lbum, <em>Doggystyle<\/em> &#8211; praticamente t\u00e3o bom quanto aquele.<\/p>\n<p>Como <em>The Chronic<\/em>, <em>Doggystyle <\/em>\u00e9 uma festa alucinante de ritmos\u00a0 &#8211; e os maiores destaques s\u00e3o a espetacular <em>Gin and Juice<\/em>, <em>Tha Shiznit<\/em>, a sombria <em>Murder Was The Case<\/em> (que certamente inspirou os <a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/sobrevivend.html\">Racionais MC&#8217;s<\/a>\u00a0em <em>Estou Ouvindo Algu\u00e9m Me Chamar<\/em>), a divertida <em>Who I Am (What&#8217;s My Name)?<\/em> e as hipn\u00f3ticas <em>Gz And Hustlas<\/em> e <em>Pump Pump<\/em>.<\/p>\n<ol start=\"21\">\n<li><strong>Tartini: Sonata para Violino e Baixo Cont\u00ednuo em F\u00e1 Maior, op.1 n<u><sup>o<\/sup><\/u> 12 e Concerto para Violoncelo e Cordas em L\u00e1 Maior (Cole\u00e7\u00e3o Mestres da M\u00fasica, da Editora Abril)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Teresa: Pai, coloca m\u00fasica cl\u00e1ssica pra eu dormir?<\/p>\n<p>Eu: Sim, claro. Posso colocar aquele mesmo de ontem?<\/p>\n<p>Teresa: <em>Pode colocar aquele disco que voc\u00ea adora<\/em>.<\/p>\n<p>O <em>disco que eu adoro<\/em>\u00a0\u00e9 o LP de Tartini da Cole\u00e7\u00e3o Mestres da M\u00fasica. \u00c9 uma esp\u00e9cie de Vivaldi mais seco, mais direto &#8211; e mais emocionante.<\/p>\n<ol start=\"22\">\n<li><strong>Miles Davis: Kind of Blue<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Apesar de ter este disco h\u00e1 mais de quinze anos, apenas h\u00e1 pouqu\u00edssimo tempo me dei conta da real grandeza deste cl\u00e1ssico absoluto do jazz. Embora todo ele\u00a0seja excepcional, as faixas lentas <em>Blue Is Green<\/em>, que fecha o lado A, <em>Flamenco Sketches<\/em>, com uma extremamente sutil influ\u00eancia espanhola, s\u00e3o os maiores destaques.<\/p>\n<ol start=\"23\">\n<li><strong>J.S. Bach: Toccatas vols. 1 e 2 (BWV 910 a 916), com Glenn Gould ao piano<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Glenn Gould \u00e9 freq\u00fcentemente considerado o maior dos int\u00e9rpretes de Bach ao piano. Ele \u00e9 tamb\u00e9m muito criticado, entretanto, por um certo <em>excesso de liberdade<\/em> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s partituras.<\/p>\n<p>Realmente, \u00e9 freq\u00fcente que se perceba em Glenn Gould interpreta\u00e7\u00f5es completamente diferentes daquelas de outros pianistas &#8211; mas normalmente a decis\u00e3o tomada por Glenn Gould \u00e9 a melhor. \u00c9 delicioso, por exemplo, ouvi-lo tocando piano praticamente <em>martelando-o<\/em> como se fosse um cravo &#8211; um belo exemplo disso \u00e9 no Prel\u00fadio n.1 do Primeiro Volume do Cravo Bem Temperado, aquele em que Gounod se baseou para compor a sua <em>Ave Maria<\/em>.<\/p>\n<p>Para figurar aqui os escolhidos foram os dois LPs com as sete Toccatas para teclado, principalmente pelas emocionantes e intensas fugas finais de cada uma das pe\u00e7as e por alguns adagios simplesmente arrebatadores.<\/p>\n<ol start=\"24\">\n<li><strong>Morrissey: Kill Uncle<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Parece provoca\u00e7\u00e3o. Aquele que \u00e9 quase que universalmente considerado o pior disco da carreira de Morrissey aqui, numa lista de discos preferidos.<\/p>\n<p>Mas <em>Kill Uncle<\/em>, como se diz, melhora a cada dia que passa. Por mais que Morrissey seja considerado um compositor depressivo (o que eu tentei refutar <a href=\"http:\/\/www.revistatsctsctsc.hpg.ig.com.br\/fabricio\/1.htm\">aqui<\/a>), <em>Kill Uncle <\/em>\u00e9 o \u00fanico disco realmente amargo de sua carreira &#8211; talvez at\u00e9 por isso o Morrissey praticamente n\u00e3o cante mais as suas m\u00fasicas em seus shows. Os grandes destaques s\u00e3o a intensa <em>Found, Found, Found<\/em>, as pungentes <em>I Am The End Of A Family Line <\/em>e <em>There&#8217;s A Place In Hell For Me And My Friends<\/em>, a &#8220;<em>alegre<\/em>&#8221; <em>Sing Your Life <\/em>e as complexas\u00a0<em>The Harsh Truth Of The Camera Eye<\/em> e<em>Mute Witness <\/em>(comentada por mim <a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/mutewitnes.html\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Escute sem preconceito para perceber que isto aqui n\u00e3o \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol start=\"25\">\n<li><strong>Massive Attack: Mezzanine<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Recentemente li uma cr\u00edtica falando mal do disco mais recente do Massive Attack, <em>100th Window <\/em>(que ainda n\u00e3o ouvi), dizendo algo como se ele &#8220;estivesse cumprindo o que <em>Mezzanine<\/em>j\u00e1 prometia&#8221;. No texto ainda era comentado que <em>bom mesmo era o tempo em que o Massive Attack era apenas pop<\/em> (cito de mem\u00f3ria).<\/p>\n<p>Realmente <em>Mezzanine <\/em>\u00e9 um disco pretensioso. Ritmos hipn\u00f3ticos v\u00eam e v\u00e3o, ru\u00eddos eletr\u00f4nicos de fundo, mudan\u00e7a\u00a0 tem\u00e1tica, tudo isto tem \u00e0 exaust\u00e3o no disco. Algumas m\u00fasicas s\u00e3o t\u00e3o complexas que chegam a lembrar vagamente m\u00fasica erudita &#8211; n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que meu amigo Gil, que entende muito mais de m\u00fasica cl\u00e1ssica que eu, adorou o disco.<\/p>\n<p>Ainda bem que o Massive Attack \u00e9 pretensioso, eu diria. <em>Mezzanine <\/em>cintila.<\/p>\n<ol start=\"26\">\n<li><strong>Papa Roach: Infest<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Parece uma outra provoca\u00e7\u00e3o, eu sei. Praticamente n\u00e3o sei de ningu\u00e9m que goste da banda, fora o cr\u00edtico Lucio Ribeiro, meu primo Alberto e o balconista que me vendeu<em>lovehatetragedy<\/em>, o segundo disco deles (o comentado aqui \u00e9 o primeiro do grupo &#8211; e o \u00fanico desta lista que obtive pela internet). A extinta revista <em>Showbizz<\/em> fez uma cr\u00edtica sobre <em>Infest<\/em>que dizia mais ou menos o seguinte: o que o Papa Roach e bandas similares querem fazer \u00e9 <em>destruir a melodia<\/em>. S\u00f3 que a revista deu nota 3,5 (cito de mem\u00f3ria) para o disco, enquanto que eu o coloco na minha rela\u00e7\u00e3o de discos preferidos.<\/p>\n<p>Quem sabe a destrui\u00e7\u00e3o da melodia seja o objetivo final deste estilo musical chamando <em>rock and roll<\/em> mesmo (ver mais detalhes <a href=\"http:\/\/www.revistatsctsctsc.hpg.ig.com.br\/fabricio\/11.htm\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Quem sabe eu simplesmente esteja errado &#8211; mas a cada vez que escuto <em>Infest<\/em> gosto mais dele.<\/p>\n<ol start=\"27\">\n<li><strong>Beatles: White Album<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Eu n\u00e3o gostava muito dos Beatles. Para mim, dos anos 60 os bons mesmo eram os Doors.<\/p>\n<p>Mesmo assim eu tentava gostar da banda. Comprei o <em>Sgt. Peppers<\/em> &#8211; mas achei que tinha jogado dinheiro fora.<\/p>\n<p>Com este hist\u00f3rico desfavor\u00e1vel, n\u00e3o sei bem por que comecei a comprar v\u00e1rios LPs dos Beatles em promo\u00e7\u00e3o numa loja que estava de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>S\u00f3 o que eu sei \u00e9 que comecei a adorar as baladas do <em>White Album<\/em> (<em>Blackbird<\/em>, <em>Dear Prudence<\/em>, <em>Cry Baby Cry<\/em>, <em>Glass Onion<\/em>, <em>Mother&#8217;s Nature Son<\/em>, <em>Julia<\/em>) e, ainda durante um bom tempo, disse para os meus amigos que s\u00f3 gostava das m\u00fasicas &#8220;desconhecidas&#8221; da banda.<\/p>\n<p>Hoje em dia considero os Beatles uma banda espetacular, conforme comentei <a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/beatles1.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Mas, no fundo, ainda acho que eles nunca foram melhores do que nas baladas do <em>White Album<\/em>.<\/p>\n<ol start=\"28\">\n<li><strong>Mahler: Das Lied von\u00a0der Erde, com\u00a0Jessye Norman\u00a0&#8211; London Symphony Orchestra &#8211; Colin Davis<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Este LP est\u00e1 aqui por causa do lado B, com o monumental <em>lied<\/em> para orquestra <em>Der Abschied<\/em> (O Adeus). N\u00e3o h\u00e1 muito a acrescentar ao que eu j\u00e1 tinha comentado <a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/adeus.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<ol start=\"29\">\n<li><strong>Beethoven: Os \u00daltimos Quartetos de Cordas, com Melos Quartett<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Eu tenho uma estranha &#8220;rela\u00e7\u00e3o&#8221; com os \u00daltimos Quartetos de Cordas de Beethoven, que tenho numa \u00f3tima edi\u00e7\u00e3o em quatro LPs com o Melos Quartett. Para come\u00e7ar, esta edi\u00e7\u00e3o tem um encarte detalhado sobre os discos &#8211; o qual eu mal folheei. Al\u00e9m disso, quando vou ouvir uma das pe\u00e7as, pego aleatoriamente um dos LPs e coloco um dos lados dele no meu toca-discos &#8211; sem sequer saber se o lado \u00e9 o A ou o B. Ap\u00f3s umas quatro ou cinco audi\u00e7\u00f5es, viro o disco e escuto mais algumas vezes o outro lado. Com este <em>m\u00e9todo<\/em>, eu nunca sei o n\u00famero do quarteto que estou ouvindo.<\/p>\n<p>Em todo caso, a qualidade, a criatividade e a gama de estados de esp\u00edrito destas pe\u00e7as s\u00e3o t\u00e3o imensas que, pensando bem, nem \u00e9 necess\u00e1rio mudar a minha &#8220;rela\u00e7\u00e3o&#8221; com elas.<\/p>\n<ol start=\"30\">\n<li><strong>Black Sabbath: Black Sabbath<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Se n\u00e3o me engano, o <a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/jal.html\">Jos\u00e9 Augusto Lemos<\/a> chamou o Stooges de <em>bomba de efeito retardado<\/em> &#8211; gra\u00e7as \u00e0 influ\u00eancia que seus discos, do final dos anos 60\/in\u00edcio dos anos 70, exerceram sobre o punk de 1977.<\/p>\n<p>Nada mais justo que este ep\u00edteto seja tamb\u00e9m aplicado ao Black Sabbath com Ozzy Osbourne, j\u00e1 que o \u00e1lbum <em>Black Sabbath<\/em>, de 1970, e uns quatro ou cinco discos que vieram depois, foram fundamentais na eclos\u00e3o do movimento <em>grunge<\/em>. O tipo de rock que o Black Sabbath fazia, lento e pesado, foi influ\u00eancia reconhecida por praticamente todas as bandas importantes de Seattle do in\u00edcio dos anos 90 &#8211; o que fez com que o legado do Black Sabbath fosse totalmente recuperado e reconhecido. Mesmo hoje bandas importantes como o Queens Of The Stone Age continuam tentando soar como o velho grupo de <em>heavy metal<\/em> de Birmingham (conforme comentei <u><a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/emailssobr.html\">aqui<\/a><\/u>).<\/p>\n<p>Quanto a mim, continuo firme na minha opini\u00e3o de que o grande legado do <em>grunge<\/em> foi mesmo ter feito a cr\u00edtica reconhecer a import\u00e2ncia do\u00a0 Black Sabbath. Os extraordin\u00e1rios <em>riffs<\/em> da guitarra de Tony Iommi combinam \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o com a voz meio soturna e meio debochada de Ozzy Osbourne. E <em>Black Sabbath<\/em>, por uma cabe\u00e7a de vantagem, \u00e9 o melhor disco da banda.<\/p>\n<ol start=\"31\">\n<li><strong>Metallica: Master Of Puppets<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Tirar a poeira de antigos LPs de pop\/rock pode ser uma coisa perigosa. Quinze anos depois a <em>grande maioria<\/em> destes discos simplesmente n\u00e3o faz mais o menor sentido. E isto, no meu caso, nem pode ser creditado a algum trauma de adolesc\u00eancia ou coisa parecida, gra\u00e7as a algumas poucas exce\u00e7\u00f5es a esta terr\u00edvel regra geral &#8211; como Beatles, Velvet Underground, Smiths e este espetacular <em>Master Of Puppets<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado que nos anos 80 eu gostava muito mais do primeiro disco do Metallica, <em>Kill&#8217; Em All<\/em>, do que deste, o terceiro. Enquanto que o primeiro era mais pesado, mais r\u00e1pido e mais direto, <em>Master Of Puppets <\/em>me parecia pretensioso demais, com suas altera\u00e7\u00f5es de ritmo, suas m\u00fasicas muito longas e seus enormes trechos instrumentais &#8211; sem contar que ele me parecia menos r\u00e1pido e menos pesado do que seria aconselh\u00e1vel.<\/p>\n<p>Hoje estes &#8220;defeitos&#8221; me fazem achar este um disco extraordin\u00e1rio. Verdadeiras &#8220;su\u00edtes&#8221; pesadas como <em>Disposable Heroes<\/em>, <em>Master Of Puppets<\/em>, <em>The Thing That Should Not Be <\/em>e, principalmente, <em>Welcome Home (Sanitarium)<\/em> s\u00e3o mais uma prova de que pretens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente prejudicial \u00e0 m\u00fasica pop.<\/p>\n<ol start=\"32\">\n<li><strong>Stone Roses: Stone Roses<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Assim como o disco anterior nesta lista, o primeiro \u00e1lbum da banda Stone Roses, hom\u00f4nimo, tamb\u00e9m passou com louvor pela <em>prova da poeira<\/em>, conforme comentei <a href=\"http:\/\/fabricio.diaryland.com\/stoneroses.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Recentemente este foi escolhido o melhor disco de todos os tempos pela NME, o que \u00e9 mais uma prova de sua vitalidade.<\/p>\n<ol start=\"33\">\n<li><strong>Johannes Brahms: The Cello Sonatas (op. 38 e 99), com Mstislav Rostropovich ao violoncelo e Rudolf Serkin ao piano<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Considerada uma das maiores grava\u00e7\u00f5es deste dois extraordin\u00e1rios m\u00fasicos, este LP com as duas sonatas para violoncelo de Brahms \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel por esta rela\u00e7\u00e3o ter estes esdr\u00faxulos 36 discos. Explico: a id\u00e9ia era ter 30, um n\u00famero redondinho, mas, depois de chegar no 25<u><sup>o<\/sup><\/u> fiquei em d\u00favida: eu tinha oito discos para cinco lugares vagos. Decidi-me por cinco (do 26<u><sup>o<\/sup><\/u> ao 30<u><sup>o<\/sup><\/u>, acima) e tudo parecia resolvido. A\u00ed resolvi ouvir o primeiro movimento, <em>Allegro non troppo<\/em>, da sonata n.1 op. 38.<\/p>\n<p>N\u00e3o teve jeito. Eu <em>tive <\/em>que colocar esta maravilha na minha rela\u00e7\u00e3o (o 31<u><sup>o<\/sup><\/u> e o 32<u><sup>o<\/sup><\/u> vieram, ent\u00e3o, no embalo).<\/p>\n<ol start=\"34\">\n<li><strong>Roberto Carlos: Roberto Carlos (1972)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Como a id\u00e9ia de uma rela\u00e7\u00e3o de 30 discos j\u00e1 tinha fracassado, acabei esticando um pouquinho a lista.<\/p>\n<p>A escolha deste disco do Roberto Carlos foi bastante insegura: o disco de 1974 tinha <em>O Port\u00e3o, A Deusa Da Minha Rua<\/em>, <em>Jogo De Damas <\/em>e a fenomenal interpreta\u00e7\u00e3o do Rei para <em>Ternura Antiga<\/em>, de Dolores Duran.<\/p>\n<p>Mas este tem <em>\u00c0 Janela<\/em>, <em>Como Vai Voc\u00ea<\/em>, de Antonio Marcos, <em>Voc\u00ea \u00c9 Linda<\/em>, <em>Acalanto<\/em>, <em>Por Amor<\/em>, <em>\u00c0 Dist\u00e2ncia<\/em>, <em>A Montanha<\/em>, <em>Agora Eu Sei<\/em> &#8211; todas elas pungentes, sinceras, emocionantes.<\/p>\n<p>E ainda tem <em>O Div\u00e3<\/em>, provavelmente a melhor m\u00fasica de Roberto e Erasmo Carlos.<\/p>\n<ol start=\"35\">\n<li><strong>Getz\/Gilberto:\u00a0\u00a0Stan Getz \/ Jo\u00e3o Gilberto<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Jo\u00e3o Gilberto nunca cantou t\u00e3o sussurrado quanto neste disco. Ele alonga os versos e canta\u00a0&#8220;assoprando&#8221;, parecendo querer imitar o saxofone do grande m\u00fasico de jazz\u00a0Stan Getz, que finaliza todas as faixas. O disco todo \u00e9 l\u00edmpido, calmo, fascinante.<\/p>\n<p>Apesar de <em>The Girl From Ipanema<\/em>, com a participa\u00e7\u00e3o de Astrud Gilberto, ter feito um sucesso gigantesco, o melhor mesmo s\u00e3o\u00a0faixas menos conhecidas como\u00a0<em>Pra Machucar Meu Cora\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>O Grande Amor <\/em>e <em>Vivo Sonhando<\/em>.<\/p>\n<ol start=\"36\">\n<li><strong>Smiths: The Queen Is Dead<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Considerado geralmente o melhor disco da carreira do Morrissey, este \u00e1lbum est\u00e1 aqui para fechar com alguma classe esta estranha rela\u00e7\u00e3o de <em>discos preferidos.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>P.S.:<\/p>\n<ol start=\"37\">\n<li><strong>Exploited: Beat The Bastards<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Este texto j\u00e1 estava pronto quando meu grande amigo Marcos Fernands mandou-me as m\u00fasicas de <em>Beat The Bastards<\/em>, \u00a0disco da banda de <em>hardcore <\/em>Exploited. \u00a0Preferi, meio que por pregui\u00e7a, meio como uma homenagem ao impacto que o \u00e1lbum me causou, deixar o texto anterior exatamente como estava e inserir este P.S. aqui, para homenagear esta obra excepcional, r\u00e1pida, pesad\u00edssima e totalmente sincera em seu \u00f3dio contra as injusti\u00e7as do mundo.<\/p>\n<p><em>\u00a0(texto escrito em 2003)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morrissey: Vauxhall and I Foi enorme o impacto na Inglaterra quando este disco saiu: n\u00e3o s\u00f3 foi recebido com fogos de artif\u00edcio pela imprensa local, como chegou ao topo das paradas. A cada vez que lembro deVauxhall and I o que me vem \u00e0 cabe\u00e7a inicialmente \u00e9 o impacto que senti quando comecei a ouvi-lo pela primeira vez: n\u00e3o, por mais que todos estivessem falando que esta era uma obra-prima eu n\u00e3o esperava nada semelhante \u00e0 bel\u00edssima Now My Heart Is Full, a faixa que abre o disco. \u00c9pico, dram\u00e1tico, melodioso, este \u00e9 um disco sublime, profundo, confessional. Fora a m\u00fasica citada acima, os maiores destaques s\u00e3o o hit The More You Ignore Me, The Closer I Get, o folk Why Don&#8217;t You Find Out For Yourself e a dram\u00e1tica Speedway. Jo\u00e3o Mineiro e Marciano: Cole\u00e7\u00e3o Bis Sertanejo (dois CDs) Aqui\u00a0eu escrevi sobre a injusti\u00e7a que \u00e9 termos vergonha de dizer gostamos de Jo\u00e3o Mineiro e Marciano &#8211; isto para f\u00e3s de Djavan, Bar\u00e3o Vermelho, Men at Work e Kid Abelha.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2175,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[280,81],"class_list":["post-2174","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-listas","tag-morrissey","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2174"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2174\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2177,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2174\/revisions\/2177"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}