{"id":2127,"date":"2015-12-06T10:35:56","date_gmt":"2015-12-06T10:35:56","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2127"},"modified":"2015-12-07T02:39:19","modified_gmt":"2015-12-07T02:39:19","slug":"um-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2127","title":{"rendered":"Um livro"},"content":{"rendered":"<p>O livro tem 1445 p\u00e1ginas e \u00e9 feito em papel <em>b\u00edblia &#8220;bolorada&#8221;<\/em>, conforme informa ele pr\u00f3prio. <!--more-->O seu tamanho \u00e9 de cerca de 11,0 cm por 17,7 cm, um pouco menor que o tamanho padr\u00e3o dos livros encontrados em livrarias (como compara\u00e7\u00e3o, <em>O Hitler da Hist\u00f3ria<\/em>, aqui do meu lado, tem 14 cm x 21 cm). A qualidade do papel e da encaderna\u00e7\u00e3o s\u00e3o excepcionais: n\u00e3o h\u00e1 nenhuma folha em todo o livro (que \u00e9 velho e usado, conforme se ver\u00e1 a seguir) que esteja em mau estado, ou prestes a cair. O cheiro (se me permitem esta digress\u00e3o) \u00e9 delicioso &#8211; para quem gosta de cheiro livros usados, \u00e9 claro. O tipo da letra impressa \u00e9 semelhante ao <em>Times New Roman<\/em>, provavelmente tamanho entre 11 e 12, com espa\u00e7o simples &#8211; a qualidade da impress\u00e3o, tamb\u00e9m, \u00e9 excepcional. A capa \u00e9 dura, mas um pouco male\u00e1vel. Sobre esta capa, de cor azul-escura, existem mais duas capas soltas, que tamb\u00e9m fazem as orelhas do livro &#8211; onde se prendem a ele, gra\u00e7as \u00e0s suas dobraduras. A primeira destas duas capas \u00e9 a capa propriamente dita, que apresenta, nesta ordem e de cima para baixo: o nome do autor; a sua foto; o t\u00edtulo do livro; os sub-t\u00edtulos de todas as obras propriamente ditas, j\u00e1 que se trata de uma colet\u00e2nea; o nome do compilador da colet\u00e2nea; o nome da editora. Acima desta capa vem uma outra capa de pl\u00e1stico transparente, para proteger a anterior. Esta capa protetora, infelizmente, sofreu um pequeno corte na parte superior, no meio do nome do autor.<\/p>\n<p>A editora do livro \u00e9 a famosa Editora Gallimard, francesa. O livro, escrito em franc\u00eas, faz parte de uma cole\u00e7\u00e3o chamada <em>Bilblioth\u00e8que de la Pl\u00e9iade<\/em> (na contracapa est\u00e3o escritos os nomes de diversos outros volumes desta &#8220;biblioteca&#8221;, como as obras completas de Choderlos de Laclos e de Montesquieu). A qualidade da colet\u00e2nea \u00e9 extraordin\u00e1ria. Os trabalhos mais importantes do autor s\u00e3o reproduzidos na \u00edntegra, e as notas e a introdu\u00e7\u00e3o, de autoria de Andr\u00e9 Billy, s\u00e3o claras e objetivas. O livro foi publicado em 22 de fevereiro de 1962.<\/p>\n<p>Seu (quase que certamente) primeiro dono foi algu\u00e9m cuja assinatura \u00e9 algo como &#8220;pfernandez&#8221;. Dif\u00edcil saber o nome exato. A cidade em que nosso amigo <em>pfernandez<\/em> comprou est\u00e1 escrita logo abaixo da assinatura, mas \u00e9 completamente ileg\u00edvel. Entretanto, a data da compra est\u00e1 bem clara: 30 de novembro de 1963.<\/p>\n<p><em>pfernandez<\/em> deve ter comprado o livro apenas e t\u00e3o somente por causa do <em>Trait\u00e9 du Beau<\/em> (Tratado sobre o Belo). As p\u00e1ginas 1075 (primeira deste tratado), 1076, 1077, 1083, 1084, 1085, 1086 e 1087 s\u00e3o as \u00fanicas, em todo o volume, que t\u00eam passagens sublinhadas. Estes trechos sublinhados, \u00e0s vezes com alguma pequena anota\u00e7\u00e3o no in\u00edcio dos par\u00e1grafos, indicam que, provavelmente, <em>pfernandez<\/em> comprou este livro para acompanhar algum curso. Por exemplo: no in\u00edcio de um trecho que resume um pensamento de <em>Platon <\/em>(o livro est\u00e1 escrito em franc\u00eas) <em>pfernandez <\/em>escreveu a palavra<em>Plat\u00e3o<\/em> \u00e0 margem &#8211; sinal de quem tinha interesse em simplificar leituras futuras, provavelmente para ajudar em seus estudos (*). Dificilmente algu\u00e9m que l\u00ea um livro apenas <em>por prazer<\/em> faz este tipo de anota\u00e7\u00e3o \u00e0 margem (al\u00e9m deste <em>Plat\u00e3o<\/em>, h\u00e1, entre pouqu\u00edssimas outras anota\u00e7\u00f5es, um <em>Sto. Agostinho<\/em> e um <em>Wolff<\/em>). Entretanto, fortes ind\u00edcios mostram que <em>pfernandez<\/em>, provavelmente, n\u00e3o concluiu a leitura de <em>Trait\u00e9 du Beau<\/em>. O fato de n\u00e3o haver mais nenhum trecho sublinhado at\u00e9 a p\u00e1gina 1112, final do <em>Trait\u00e9 du Beau<\/em>, \u00e9 o primeiro sinal disto. Um segundo fato parece definitivo a este respeito: na p\u00e1gina 1095 existe uma pequena dobra no canto superior, ind\u00edcio de que <em>pfernandez<\/em> parou a leitura por ali &#8211; provavelmente para n\u00e3o retom\u00e1-la mais.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de um outro possuidor do livro depois de <em>pfernandez<\/em>. O que \u00e9 certo \u00e9 que eu sou o possuidor do livro desde o in\u00edcio dos anos 90 (eu fui com a Val\u00e9ria no <em>Figaro<\/em>, um sebo aqui em Curitiba, e o comprei simplesmente por que ela disse que <em>eu ia gostar dele<\/em>), assim como tamb\u00e9m \u00e9 certo que eu gosto de <em>Oeuvres<\/em>, de Denis Diderot, quase que da mesma maneira que uma crian\u00e7a gosta de seu brinquedo preferido.<\/p>\n<p>________________________________________________________<\/p>\n<p>(*) o fato de estar escrito <em>Plat\u00e3o<\/em> (e n\u00e3o <em>Platon<\/em>) tamb\u00e9m revela que <em>pfernandez<\/em> falava portugu\u00eas &#8211; provavelmente tendo importado o livro<\/p>\n<p><em>(texto escrito em 2003)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro tem 1445 p\u00e1ginas e \u00e9 feito em papel b\u00edblia &#8220;bolorada&#8221;, conforme informa ele pr\u00f3prio.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2128,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[92],"class_list":["post-2127","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-diderot","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2127"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2129,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2127\/revisions\/2129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}