{"id":2113,"date":"2015-12-01T02:16:22","date_gmt":"2015-12-01T02:16:22","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2113"},"modified":"2015-12-01T02:16:22","modified_gmt":"2015-12-01T02:16:22","slug":"romero-romulo-o-cara-e-ativista-diretor-de-uma-fundacao-comunista-passa-a-vida-ajudando-marginais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2113","title":{"rendered":"&#8220;Romero R\u00f4mulo? O cara \u00e9 ativista, diretor de uma funda\u00e7\u00e3o, comunista, passa a vida ajudando marginais&#8230;&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Das novelas a que j\u00e1 assisti, provavelmente \u201cA regra do jogo\u201d &#8211; a atual do hor\u00e1rio das nove &#8211; seja a melhor de todas. At\u00e9 pelo fato de n\u00e3o ter assistido a anterior de Jo\u00e3o Emanuel Carneiro &#8211; \u201cAvenida Brasil\u201d, de sucesso estrondoso -, estou impressionado com a qualidade narrativa e com as atua\u00e7\u00f5es desta \u00f3tima hist\u00f3ria policial. Mas n\u00e3o \u00e9 sobre \u201cA regra do jogo\u201d como um todo que vou comentar aqui, mas sobre uma cena dela, que passou dia 19\/11 \u00faltimo.<\/p>\n<p>Na cena (que pode ser vista em <a href=\"http:\/\/globoplay.globo.com\/v\/4621446\/\">http:\/\/globoplay.globo.com\/v\/4621446\/<\/a>), o mocinho Juliano (Cau\u00e3 Raymond, \u00f3timo) faz uma den\u00fancia ao delegado Faustini (Ricardo Pereira) segundo a qual Romero R\u00f4mulo (Alexandre Nero) faz parte da parte da fac\u00e7\u00e3o criminosa que domina a maioria dos acontecimentos em \u201cA regra do jogo\u201d. A incredulidade de Faustini \u00e9 evidente:<!--more--><\/p>\n<blockquote><p>\u201cRomero R\u00f4mulo? O cara \u00e9 ativista, diretor de uma funda\u00e7\u00e3o, comunista, passa a vida ajudando marginais&#8230;\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Esta cena passou no an\u00fancio do cap\u00edtulo, e de cara alguma coisa me pareceu meio errada &#8211; mas n\u00e3o sabia exatamente o qu\u00ea. Logo\u00a0consegui perceber o que era estranho: em uma novela da Globo &#8211; a maior emissora de televis\u00e3o nacional, criticada por grande parte dos esquerdistas &#8211; um personagem n\u00e3o poderia ser criminoso e corrupto porque era \u201ccomunista\u201d. Quanta diferen\u00e7a na percep\u00e7\u00e3o das coisas!<\/p>\n<p>Por causa da minha idade, nunca cheguei a sofrer com a repress\u00e3o da ditadura. O m\u00e1ximo a que cheguei foi me achar o maior \u201ccomunist\u00e3o\u201d por comprar uns jornais radicais de esquerda\u00a0no Col\u00e9gio Estadual do Paran\u00e1 em 1982, onde estudei quando tinha quatorze anos. Gra\u00e7a \u00e0 fama que os comunistas tinham na \u00e9poca, aquilo me parecia uma transgress\u00e3o enorme \u2013 por mais que eu fosse incentivado por\u00a0minha m\u00e3e no meu esquerdismo juvenil. E sim, o presidente na \u00e9poca era o general Figueiredo (o \u00faltimo da ditadura), mas a censura j\u00e1 estava nos seus estertores.<\/p>\n<p>Eu gostava muito de pol\u00edtica e s\u00f3 deixei o esquerdismo de lado em 1989, quando Mario Vargas Llosa dirimiu a grande d\u00favida que eu tinha: segundo ele, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina eram pobres n\u00e3o por excesso de capitalismo, mas por excesso de clientelismo. De l\u00e1 para c\u00e1, n\u00e3o mudei muito de opini\u00e3o quanto \u00e0 melhor condu\u00e7\u00e3o da economia &#8211; sou favor\u00e1vel ao capitalismo liberal -, mas tenho tantas opini\u00f5es \u201cesquerdistas\u201d (sou a favor do bolsa-fam\u00edlia desde o in\u00edcio do governo Lula e das cotas nas universidades, por exemplo) que devo ser o cara mais centrista num raio de alguns quil\u00f4metros. Mas isso n\u00e3o importa. O que importa \u00e9 que, hoje em dia, ser comunista \u2013 ao contr\u00e1rio do que ocorria na minha adolesc\u00eancia &#8211; n\u00e3o \u00e9 mais ser mau: \u00e9 se preocupar com os pobres. At\u00e9 numa novela da Globo j\u00e1 se percebeu este fato. Deve ser por isto que grande parte dos meus amigos \u00e9 de esquerda. N\u00e3o tolero certas atitudes elitistas, n\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p>P.S.: N\u00e3o podia deixar de aproveitar para elogiar as colunas de Vladimir Safatle \u00e0s sextas na Folha. Quando soube que ele iria assumir o espa\u00e7o dos colunistas na Ilustrada, achei que teria uma irrita\u00e7\u00e3o semanal com ele. Que nada! Ele \u00e9 t\u00e3o brilhante que n\u00e3o preciso concordar com suas opini\u00f5es para admirar sua clareza, seu poder de racioc\u00ednio&#8230; e seu amor pelos pobres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das novelas a que j\u00e1 assisti, provavelmente \u201cA regra do jogo\u201d &#8211; a atual do hor\u00e1rio das nove &#8211; seja a melhor de todas. At\u00e9 pelo fato de n\u00e3o ter assistido a anterior de Jo\u00e3o Emanuel Carneiro &#8211; \u201cAvenida Brasil\u201d, de sucesso estrondoso -, estou impressionado com a qualidade narrativa e com as atua\u00e7\u00f5es desta \u00f3tima hist\u00f3ria policial. Mas n\u00e3o \u00e9 sobre \u201cA regra do jogo\u201d como um todo que vou comentar aqui, mas sobre uma cena dela, que passou dia 19\/11 \u00faltimo. Na cena (que pode ser vista em http:\/\/globoplay.globo.com\/v\/4621446\/), o mocinho Juliano (Cau\u00e3 Raymond, \u00f3timo) faz uma den\u00fancia ao delegado Faustini (Ricardo Pereira) segundo a qual Romero R\u00f4mulo (Alexandre Nero) faz parte da parte da fac\u00e7\u00e3o criminosa que domina a maioria dos acontecimentos em \u201cA regra do jogo\u201d. 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