{"id":2101,"date":"2015-11-30T03:43:37","date_gmt":"2015-11-30T06:43:37","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2101"},"modified":"2022-06-05T14:41:09","modified_gmt":"2022-06-05T17:41:09","slug":"nero-the-end-of-a-dinasty-de-miriam-t-griffin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2101","title":{"rendered":"\u201cNero: the end of a dinasty\u201d, de Miriam T. Griffin"},"content":{"rendered":"<p>Considerada uma das melhores biografias do imperador romano, \u201cNero: the end of a dinasty\u201d, de Miriam T. Griffin, n\u00e3o s\u00f3 apresenta a complexa personalidade do tirano, como tenta contextualizar seu governo em rela\u00e7\u00e3o ao dos demais imperadores da dinastia julio-claudiana, iniciada por J\u00falio C\u00e9sar e terminada por ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Nascido no ano 37 d.C., Nero chega ao poder em 54 d.C., aos\u00a016 anos. Uma s\u00e9rie de revoltas militares acaba por fazer com que ele se suicide\u00a0em 68 d.C., aos 30 anos de idade. Os historiadores romanos (basicamente Suet\u00f4nio, T\u00e1cito e Di\u00e3o C\u00e1ssio) que escreveram os\u00a0relatos em que grande parte da pesquisa hist\u00f3rica atual sobre Nero \u00e9 baseada viveram muitas d\u00e9cadas depois da morte dele, j\u00e1 durante a dinastia flaviana. Muito por causa disto, seus relatos s\u00e3o francamente desfavor\u00e1veis ao imperador: grande parte\u00a0do trabalho dos historiadores contempor\u00e2neos, deste modo, \u00e9 tentar expurgar dos relatos antigos tudo o que era exageradamente negativo contra ele, fruto da opini\u00e3o predominante da \u00e9poca em que foram escritos.\u00a0O Nero que emerge do livro de Miriam T. Griffin (assim como de outras biografias dele que li, notadamente a \u00f3tima \u201cNero\u201d, de Edward Champlin) \u00e9 o de uma personalidade extremamente complexa.<!--more--><\/p>\n<p>Sim, ele colocou fogo em Roma e perseguiu crist\u00e3os, mas era amado pela plebe e ajudou a socorrer os desabrigados pelo grande inc\u00eandio. Ele era um devasso sexual (era adepto, inclusive, da teoria de que todos os seres humanos no fundo tamb\u00e9m o s\u00e3o), mas conseguia se apaixonar de verdade\u00a0\u2013 notadamente por sua amante Cl\u00e1udia Acte e por sua segunda mulher, Popeia Sabina. Ele participava de muitas competi\u00e7\u00f5es de corridas de cavalos, poesia e m\u00fasica e ganhava todos os primeiros pr\u00eamios n\u00e3o pelo talento, mas por ser Imperador; mas se dedicava de maneira s\u00e9ria \u00e0s competi\u00e7\u00f5es, ficando bastante nervoso antes delas inclusive. A ideia geral que as pessoas t\u00eam de Nero era de algu\u00e9m sem talento, mas que se achava genial: s\u00f3 que mesmo os historiadores antigos reconheciam nele\u00a0um poeta talentoso (infelizmente, praticamente tudo o que ele escreveu se perdeu). Mesmo a a \u00faltima frase dita por ele, normalmente apresentada\u00a0como \u201cque grande artista o mundo vai perder\u201d, para Edward Champlin na verdade era,\u00a0numa tradu\u00e7\u00e3o correta, algo como \u201cestou pior do que um artes\u00e3o\u201d &#8211; j\u00e1 que em seus momentos finais Nero tinha perdido praticamente tudo. Ele mandou matar a pr\u00f3pria m\u00e3e, Agripina, mas tinha medo de ter sido amaldi\u00e7oado por isto.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, sua hist\u00f3ria com a m\u00e3e \u00e9 profundamente\u00a0tr\u00e1gica: de fam\u00edlia nobre, ela fez de tudo para que seu filho assumisse o poder &#8211; e, quando o conseguiu, tentou domin\u00e1-lo para literalmente mandar no Imp\u00e9rio. Quando Nero se revoltou contra este estado de coisas, Agripina passou a atuar contra o governo do filho. A hist\u00f3ria dele com a m\u00e3e faz pensar se Paus\u00e2nias (citado por Miriam T. Griffin) n\u00e3o tinha raz\u00e3o ao justificar o comportamento violento de Nero a partir da teoria de Plat\u00e3o segundo a qual<\/p>\n<blockquote><p>\u201cos maiores e mais violentos crimes s\u00e3o cometidos n\u00e3o pelas pessoas normais, mas pelas almas nobres corrompidas por uma educa\u00e7\u00e3o inadequada\u201d.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerada uma das melhores biografias do imperador romano, \u201cNero: the end of a dinasty\u201d, de Miriam T. Griffin, n\u00e3o s\u00f3 apresenta a complexa personalidade do tirano, como tenta contextualizar seu governo em rela\u00e7\u00e3o ao dos demais imperadores da dinastia julio-claudiana, iniciada por J\u00falio C\u00e9sar e terminada por ele pr\u00f3prio. Nascido no ano 37 d.C., Nero chega ao poder em 54 d.C., aos\u00a016 anos. Uma s\u00e9rie de revoltas militares acaba por fazer com que ele se suicide\u00a0em 68 d.C., aos 30 anos de idade. Os historiadores romanos (basicamente Suet\u00f4nio, T\u00e1cito e Di\u00e3o C\u00e1ssio) que escreveram os\u00a0relatos em que grande parte da pesquisa hist\u00f3rica atual sobre Nero \u00e9 baseada viveram muitas d\u00e9cadas depois da morte dele, j\u00e1 durante a dinastia flaviana. Muito por causa disto, seus relatos s\u00e3o francamente desfavor\u00e1veis ao imperador: grande parte\u00a0do trabalho dos historiadores contempor\u00e2neos, deste modo, \u00e9 tentar expurgar dos relatos antigos tudo o que era exageradamente negativo contra ele, fruto da opini\u00e3o predominante da \u00e9poca em que foram escritos.\u00a0O Nero que emerge do livro de Miriam T. 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