{"id":2070,"date":"2015-11-20T14:22:43","date_gmt":"2015-11-20T14:22:43","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2070"},"modified":"2015-11-20T14:22:43","modified_gmt":"2015-11-20T14:22:43","slug":"a-musica-classica-e-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2070","title":{"rendered":"A m\u00fasica cl\u00e1ssica e eu"},"content":{"rendered":"<p><strong>In\u00edcio<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>Na casa em que eu morava tinha uma cole\u00e7\u00e3o de 12 discos com gatinhos na capa. Foi ali que tudo come\u00e7ou? Eu sempre achava que sim, mas quando lembro da frase que minha m\u00e3e repete at\u00e9 hoje, <em>no seu anivers\u00e1rio de 9 anos o Fabricio pediu as nove sinfonias de Beethoven<\/em>, fico me perguntando o que veio antes: se a cole\u00e7\u00e3o dos gatinhos &#8211; chamada <em>Os Cl\u00e1ssicos Mais Populares do Mundo<\/em> &#8211; ou se uma vers\u00e3o da quinta sinfonia de Beethoven, de uma cole\u00e7\u00e3o de capa amarela da Abril (a qual me fez fazer o pedido das outras oito).<\/p>\n<p><strong>As nove sinfonias de Beethoven<\/strong><\/p>\n<p>Se a fonte inicial do meu amor \u00e0 m\u00fasica cl\u00e1ssica \u00e9 incerta, a mem\u00f3ria do resto da hist\u00f3ria me \u00e9 menos nebulosa. A impress\u00e3o que eu tive quando do recebimento da cole\u00e7\u00e3o completa das nove sinfonias de Beethoven &#8211; um grosso volume branco de capa dura com 9 Lps no seu interior &#8211; foi de total deslumbramento, j\u00e1 que eu tinha poucas esperan\u00e7as de ganh\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>A cole\u00e7\u00e3o dos gatinhos<\/strong><\/p>\n<p>Por mais maravilhoso que tenha sido o presente, \u00e9 certo que ouvi muito menos as nove sinfonias de Beethoven (eu me concentrava no quarto movimento da <em>nona<\/em>, no primeiro da <em>quinta<\/em> e no lado B da <em>sexta<\/em>) do que a cole\u00e7\u00e3o dos gatinhos. Esta era uma cole\u00e7\u00e3o com diversos movimentos famosos de grandes compositores &#8211; eu tinha prefer\u00eancia por algumas faixas em particular, por exemplo: <em>Largo, <\/em>da \u00f3pera<em> Xerxes<\/em> (de Haendel, principalmente na vers\u00e3o para voz solo), <em>Clair de Lune<\/em> (Debussy), <em>Bolero<\/em> (Ravel), <em>Grande Valsa Brilhante <\/em>(Chopin). Mas nesta cole\u00e7\u00e3o minha predile\u00e7\u00e3o mesmo ia para Bach: a <em>Toccata em fuga em r\u00e9 menor<\/em>, a<em> \u00c1ria na Corda Sol<\/em>, a <em>Badinerie<\/em>, o <em>Jesus Alegria dos Homens<\/em>.<\/p>\n<p><strong>J.S.Bach<\/strong><\/p>\n<p>De tanto ouvir estas mesmas faixas de Bach acabei chegando \u00e0 conclus\u00e3o de que eu deveria era procurar conhecer melhor a obra deste compositor alem\u00e3o nascido no s\u00e9culo XVI. Foi quando a Abril lan\u00e7ou a cole\u00e7\u00e3o <em>Gigantes da M\u00fasica<\/em> &#8211; com capas e encartes coloridos, uma edi\u00e7\u00e3o de primeira &#8211; com os tr\u00eas primeiros <em>Concertos de Brandemburgo<\/em>, e, posteriormente, com uma edi\u00e7\u00e3o de obras para \u00f3rg\u00e3o. Nesta mesma \u00e9poca Jo\u00e3o Carlos Martins come\u00e7ou lan\u00e7ar, ao piano, as obras para teclado do compositor &#8211; e assim a coisa foi indo. Em resumo: durante v\u00e1rios anos comprei todos os discos de Bach que vi pela frente. Meu interesse maior ia para as cantatas.<\/p>\n<p><strong>M\u00fasica de vanguarda<\/strong><\/p>\n<p>Anos mais tarde, gra\u00e7as \u00e0 influ\u00eancia da Enciclop\u00e9dia Abril, comecei a me interessar por compositores de vanguarda: Schoenberg, Messiaen, Stockhausen, Alban Berg, Anton von Webern, Pierre Boulez, Debussy (que nem \u00e9 t\u00e3o vanguarda assim). Numa viagem que fui \u00e0 Europa trouxe v\u00e1rios discos destes compositores &#8211; os quais praticamente n\u00e3o escuto mais.<\/p>\n<p><strong>Val\u00e9ria<\/strong><\/p>\n<p>Com poucas exce\u00e7\u00f5es &#8211; como meu interesse por Mahler e por um ou outro disco de Liszt, Chopin ou C\u00e9sar Franck &#8211; meu interesse por m\u00fasica cl\u00e1ssica continuou o mesmo por anos a fio, ou seja: muito Bach, mais algum barroco e m\u00fasica de vanguarda. O panorama s\u00f3 come\u00e7ou a mudar mesmo quando j\u00e1 estava casado com a Val\u00e9ria, que tocava piano cl\u00e1ssico e que tinha um duo com violoncelo com o C\u00e9sar. Foi quando comecei a me interessar mais a fundo por m\u00fasica de c\u00e2mara e por compositores de outras escolas: Faur\u00e9, Beethoven (de novo!), Mozart e, principalmente, Brahms &#8211; que hoje em dia gosto quase tanto quanto de Bach. Tamb\u00e9m comecei a muito ouvir Glenn Gould ao piano.<\/p>\n<p><strong>Lieder de Schubert<\/strong><\/p>\n<p>Depois que a Val\u00e9ria parou de tocar piano fiquei um bom tempo ouvindo pouca m\u00fasica cl\u00e1ssica, at\u00e9 descobrir os lieder (can\u00e7\u00f5es para voz e piano) de compositores rom\u00e2nticos alem\u00e3es, principalmente Schubert &#8211; tamb\u00e9m comprei praticamente todos os discos do estilo que vi pela frente.<\/p>\n<p><strong>Hoje<\/strong><\/p>\n<p>Ultimamente voltei a ouvir m\u00fasica de c\u00e2mara, muita. Tenho tirado\u00a0 a poeira dos meus velhos LPs do tempo em que comprei quando a Val\u00e9ria tocava piano, e quase todo dia os escuto de madrugada. Gra\u00e7as a repetidas audi\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos quartetos de Beethoven, muito complexos e cheios de varia\u00e7\u00f5es de ritmos e de temas, tenho perdido a implic\u00e2ncia com compositores com estas caracter\u00edsticas, como Schumann. Tenho comprado uns belos cds tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>M\u00fasica cl\u00e1ssica \u00e9 legal, gente.<\/p>\n<p><em>(texto escrito em 2003)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In\u00edcio<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2071,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[148,286,129],"class_list":["post-2070","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-bach","tag-beethoven","tag-schubert","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2070"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2072,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2070\/revisions\/2072"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}