{"id":2005,"date":"2015-11-15T03:34:41","date_gmt":"2015-11-15T03:34:41","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2005"},"modified":"2015-11-15T05:29:48","modified_gmt":"2015-11-15T05:29:48","slug":"as-tres-maiores-bandas-de-metal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=2005","title":{"rendered":"As tr\u00eas maiores bandas de metal"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo deste texto \u00e9 exagerado e &#8211; em \u00faltima an\u00e1lise &#8211; pouco verdadeiro. Parece\u00a0que alguma coisa est\u00e1 errada quando algu\u00e9m relaciona as\u00a0&#8220;tr\u00eas maiores bandas de metal&#8221; e n\u00e3o inclui\u00a0nem\u00a0Metallica, nem Iron Maiden: afinal, em termos de popularidade, poucas bandas no estilo chegam perto delas. <!--more-->A\u00a0explica\u00e7\u00e3o, \u00f3bvia, \u00e9 que as &#8220;tr\u00eas maiores bandas de metal&#8221; o s\u00e3o na minha perspectiva das coisas: \u00e9 que eu achei que um\u00a0t\u00edtulo como &#8220;minhas tr\u00eas bandas preferidas de metal&#8221; n\u00e3o representaria\u00a0a grandeza de Neurosis, Electric Wizard e Burzum. Enfim.\u00a0O engra\u00e7ado \u00e9 que &#8211; por mais que eu goste de listas &#8211; sempre acho\u00a0complicado resumir minhas\u00a0prefer\u00eancias sobre qualquer coisa em uma rela\u00e7\u00e3o de cinco ou dez melhores (ainda n\u00e3o me conformo, por exemplo, em n\u00e3o ter colocado nada do Blink 182 na minha lista de dez clipes preferidos, <a href=\"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/2015\/11\/14\/meus-dez-clipes-preferidos-segunda-parte\/\">aqui <\/a>e <a href=\"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/2015\/11\/13\/meus-dez-clipes-preferidos-primeira-parte\/\">aqui<\/a>). No presente\u00a0caso, entretanto, em nenhum momento tive a menor d\u00favida da minha escolha.<\/p>\n<p>Se nos dois primeiros discos &#8211; &#8220;Pain of mind&#8221; (1987) e &#8220;The word as law&#8221; (1990), ambos no estilo punk\/hardcore &#8211; os californianos do Neurosis ainda n\u00e3o tinham criado ainda nada de muito especial, em &#8220;Souls at zero&#8221; (1992) a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; come\u00e7ou: longas faixas com varia\u00e7\u00f5es de ritmos criadas com maestria &#8211; indo do folk mais tranquilo \u00e0 viol\u00eancia mais brutal &#8211; e uma interpreta\u00e7\u00e3o de tal maneira intensa que d\u00e1 at\u00e9 para entender quando eles chamam a sua devo\u00e7\u00e3o \u00e0 banda de &#8220;religi\u00e3o&#8221;. Nos \u00e1lbuns seguintes &#8211; &#8220;Enemy of the sun&#8221; (1993), &#8220;Through silver in blood&#8221; (1996), &#8220;Times of grace&#8221; (1999), &#8220;A sun that never sets&#8221; (2001) e &#8220;The eye of every storm&#8221; (2004),\u00a0&#8220;Given to the rising&#8221; (2007) e &#8220;Honour found in decay&#8221; (2012) &#8211; a banda manteve a qualidade extraordin\u00e1ria de suas composi\u00e7\u00f5es (um pouco menos nestes dois \u00faltimos, \u00e9 verdade). A comunidade\u00a0do finado Orkut sobre o Neurosis chamava a banda, exageradamente, de\u00a0&#8220;a maior e mais complexa manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica sob a face da terra&#8221;. Ao ouvir faixas como &#8220;From the hill&#8221; (de &#8220;A sun that never sets&#8221;) ou &#8220;No river to take me home&#8221; (de\u00a0&#8220;The eye of every storm&#8221;) fica dif\u00edcil discordar do exagero dos f\u00e3s.<\/p>\n<p>Imagine um Black Sabbath mais lento, mais grave e muito mais pesado: esta \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o que dou para quem quer saber como soa\u00a0o\u00a0Electric Wizard, de Dorset, Inglaterra. Da pr\u00f3pria explica\u00e7\u00e3o surge o nome do estilo da banda segundo\u00a0a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.metal-archives.com\/bands\/Electric_Wizard\/407\">Encyclopaedia Metallum<\/a>, &#8220;doom\/stoner metal&#8221;: do Black Sabbath vem o lado &#8220;stoner&#8221; (partindo do pressuposto que todo grupo de <em>stoner<\/em> faz riffs na linha da banda de Tony Iommi); da lentid\u00e3o vem o lado &#8220;doom&#8221; (estilo de metal lento e depressivo). O Electric Wizard tem uma obra-prima absoluta, &#8220;Dopethrone&#8221; (2000) &#8211; um dos meus discos preferidos em qualquer estilo -, com faixas como &#8220;Funeralopolis&#8221; e &#8220;I, the witchfinder&#8221; &#8211; que, se n\u00e3o s\u00e3o as melhores de metal j\u00e1 criadas, chegam perto disso. Embora de n\u00edvel um pouco inferior, os demais discos da banda s\u00e3o excelentes \u00a0&#8211; com destaque para &#8220;Witchcult today&#8221; (2007) e &#8220;Time to die&#8221; (2014).\u00a0De certa maneira, o Electric Wizard \u00e9 o\u00a0herdeiro de uma s\u00e9rie de grupos\u00a0excelentes de metal, stoner ou doom &#8211; como Black Sabbath, Kyuss,\u00a0 Candlemass, Anathema e My Dying Bride &#8211; e criou um som que superou o de todos eles.<\/p>\n<p>Se o Electric Wizard \u00e9 o \u00faltimo de uma linhagem, o Burzum \u00e9 o primeiro da sua. Criador de um estilo de black metal em que\u00a0melodias quase delicadas s\u00e3o soterradas por paredes de microfonia e vocais assustadores, a banda norueguesa de um \u00fanico integrante &#8211; Varg Vikernes &#8211; \u00e9 influ\u00eancia decisiva para uma s\u00e9rie de bandas de grande\u00a0qualidade, como Xasthur, Velvet Cacoon, Leviathan, Drudkh, Wigrid, Silencer e Paysage d&#8217;hiver. S\u00f3 que &#8211; cada vez mais me conven\u00e7o disso &#8211; neste caso nenhuma das influenciadas supera a original. Afinal de contas, \u00e1lbuns como &#8220;Filosofem&#8221; (1996) ou &#8220;Hvis Lyset Tar Oss&#8221; (1994) s\u00e3o t\u00e3o extraordin\u00e1rios que provavelmente vencer\u00e3o a barreira do tempo e ter\u00e3o\u00a0sua import\u00e2ncia art\u00edstica reconhecida pela posteridade. Por mais que Varg Vikernes seja um sujeito desprez\u00edvel (como o escritor Louis-Ferdinand C\u00e9line e o poeta Ezra Pound tamb\u00e9m eram, ali\u00e1s).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo deste texto \u00e9 exagerado e &#8211; em \u00faltima an\u00e1lise &#8211; pouco verdadeiro. 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