{"id":1935,"date":"2015-11-05T01:47:05","date_gmt":"2015-11-05T04:47:05","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1935"},"modified":"2016-03-15T21:39:59","modified_gmt":"2016-03-16T00:39:59","slug":"rapidos-comentarios-sobre-livros-lidos-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1935","title":{"rendered":"R\u00e1pidos coment\u00e1rios sobre livros lidos \u2013 9"},"content":{"rendered":"<p><em>Febre de bola <\/em>(Editora Rocco) \u00e9 o primeiro livro de Nick Hornby, e \u00e9 uma leitura deliciosa. Ele conta a paix\u00e3o do autor pelo Arsenal, equipe de futebol londrina. O titulo de cada cap\u00edtulo \u00e9 a data e as equipes participantes de uma dada partida. Nick Hornby se concentra principalmente na rela\u00e7\u00e3o daquele jogo \u00a0com algum acontecimento, de car\u00e1ter pessoal ou n\u00e3o. Assim, ele faz coment\u00e1rios sobre os tr\u00e1gicos acontecimentos dos est\u00e1dios de Heysel (quando dezenas de torcedores italianos foram mortos espezinhados por hooligans ingleses, na B\u00e9lgica, em 1985) e de Hillsborough (quando 96 torcedores ingleses foram mortos esmagados, em 1996), a vit\u00f3ria brasileira na Copa de 1970 ou o racismo nos est\u00e1dios ingleses. Mas o que torna o livro especialmente saboroso s\u00e3o os coment\u00e1rios de Hornby sobre sua vida pessoal: os temas principais s\u00e3o o seu pr\u00f3prio fanatismo desvairado, qual o papel do futebol na rela\u00e7\u00e3o com as pessoas pr\u00f3ximas (o meio-irm\u00e3o, o melhor amigo, o pai, a namorada), como foi a carreira de Nick Hornby como torcedor de outra equipe, o Cambridge United (que passou por v\u00e1rias divis\u00f5es na Liga Inglesa, sempre abaixo da primeira).<!--more--><\/p>\n<hr \/>\n<p>Como o livro anterior, <em>A vida sexua<\/em><em>l de<\/em><em>\u00a0Catherine M.<\/em>, de Catherine Millet (Ediouro), tamb\u00e9m conta um aspecto da vida da autora: neste caso, sua movimentad\u00edssima vida sexual. A autora \u00e9 uma cr\u00edtica francesa de arte de grande import\u00e2ncia (\u00e9 editora da revista <em>Art Press<\/em>) e, neste livro, descreve com grande detalhe suas orgias sexuais, seus relacionamentos r\u00e1pidos e seus relacionamentos longos. Em muitas passagens do livro &#8211; como quando ela faz uma rela\u00e7\u00e3o entre o espa\u00e7o e o sexo &#8211; Catherine Millet fala de sexo como&#8230; uma cr\u00edtica de arte. De todo o modo, a sensa\u00e7\u00e3o final ap\u00f3s o t\u00e9rmino do livro acaba sendo de fastio: tanto sexo assim pode ser bom, mas a maneira de a autora viv\u00ea-lo parece um tanto fria.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 autobigr\u00e1fico, do h\u00fangaro Imre K\u00e9rtesz (Editorial Presen\u00e7a), Pr\u00eamio Nobel de 2002. Segundo meu amigo\u00a0Jonas Lopes\u00a0o livro, um longo mon\u00f3logo interior, \u00e9 bastante inspirado nas obras do austr\u00edaco Thomas Bernhard (autor que, confesso, nunca li). De fato, o estilo do livro \u00e9 a primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o: o mon\u00f3logo de\u00a0<em>Kaddish para uma Crian\u00e7a que n\u00e3o Vai Nascer<\/em> (<em>kaddish <\/em>\u00e9 a ora\u00e7\u00e3o judaica pelos mortos) \u00e9 intenso e repetitivo (seria uma afronta cham\u00e1-lo de confuso?). De todo modo, \u00e9 o que ele quer dizer \u00e9 o que realmente conta (e s\u00e3o muitas as passagens memor\u00e1veis do livro). O personagem principal, em primeira pessoa, fala da vida, da obsess\u00e3o pelo trabalho, da rela\u00e7\u00e3o com a sua moradia, da obsess\u00e3o por sua mulher (de quem acaba se separando), da educa\u00e7\u00e3o opressiva que recebeu. O tema mais forte &#8211; e que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro &#8211; \u00e9 a sua recusa em ter filhos. Como judeu sobrevivente de Auschwitz, ele conclui n\u00e3o h\u00e1 mais vida poss\u00edvel depois de um sofrimento t\u00e3o atroz . Ser\u00e1 que sou um otimista incorrig\u00edvel ou o fato de a mulher do personagem principal aparecer no final do livro com dois filhos de outro pai n\u00e3o seria um sinalzinho de esperan\u00e7a da parte de Imre K\u00e9rtesz?<\/p>\n<p><em>(publicado <a href=\"http:\/\/www.mondobacana.com\/blogs\/livros-lidos-recentemente.html\">no blog do Mondo Bacana<\/a> em 2010)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Febre de bola (Editora Rocco) \u00e9 o primeiro livro de Nick Hornby, e \u00e9 uma leitura deliciosa. Ele conta a paix\u00e3o do autor pelo Arsenal, equipe de futebol londrina. O titulo de cada cap\u00edtulo \u00e9 a data e as equipes participantes de uma dada partida. Nick Hornby se concentra principalmente na rela\u00e7\u00e3o daquele jogo \u00a0com algum acontecimento, de car\u00e1ter pessoal ou n\u00e3o. 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