{"id":1822,"date":"2015-10-15T04:43:14","date_gmt":"2015-10-15T04:43:14","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1822"},"modified":"2015-10-15T19:09:48","modified_gmt":"2015-10-15T19:09:48","slug":"grl-jose-de-san-martin-padre-de-la-patria-150-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1822","title":{"rendered":"Grl. Jos\u00e9 de San Mart\u00edn \u2013 Padre de la Patria \u2013 150 a\u00f1os"},"content":{"rendered":"<p>Se levarmos ao p\u00e9 da letra a famosa frase \u201cinfeliz a na\u00e7\u00e3o que precisa de her\u00f3is\u201d, do dramaturgo alem\u00e3o Bertolt Brecht, podemos concluir cinicamente que \u2013 ao\u00a0menos neste aspecto\u00a0\u2013 o Brasil n\u00e3o \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o infeliz. H\u00e1 enormes controv\u00e9rsias sobre a biografia de Tiradentes, por exemplo. Nossa independ\u00eancia foi proclamada pelo sucessor do trono do pa\u00eds colonizador. Getulio Vargas \u00e9 outro personagem controverso. Certamente, n\u00e3o temos um her\u00f3i \u2013 pelo menos n\u00e3o um aceito quase que unanimemente pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, foi um pouco surpreso que, numa viagem recente a Buenos Aires, ouvi\u00a0a guia argentina falar algo como \u201cn\u00f3s temos um her\u00f3i nacional, Jos\u00e9 de San Mart\u00edn\u201d. Eu sabia que ele tinha sido importante na independ\u00eancia de alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, mas para mim sua import\u00e2ncia jamais poderia se comparar com a de Sim\u00f3n Bol\u00edvar. Pelo visto, eu estivera\u00a0enganado o tempo todo.<!--more--><\/p>\n<p>Movido pela curiosidade sobre este \u201cher\u00f3i de verdade\u201d, comprei o livro \u2013 usado \u2013 \u201cGrl. Jos\u00e9 de San Mart\u00edn \u2013 Padre de la Patria \u2013 150 a\u00f1os\u201d, edi\u00e7\u00e3o comemorativa do C\u00edrculo Militar da Rep\u00fablica Argentina lan\u00e7ada no 2000, em homenagem aos 150 anos do falecimento do Libertador. O livro \u00e9 assinado por diversos estudiosos, e cada um deles responde por um cap\u00edtulo diferente, abordando diversos aspectos da vida de Jos\u00e9 de San Mart\u00edn (1778-1850). A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente bem cuidada.<\/p>\n<p>O personagem hist\u00f3rico que emerge das p\u00e1ginas de \u201cGrl. Jos\u00e9 de San Mart\u00edn \u2013 Padre de la Patria \u2013 150 a\u00f1os\u201d \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que se pode chegar de um \u201cher\u00f3i de verdade\u201d: \u00a0Jos\u00e9 de San Mart\u00edn ajudou a assegurar a independ\u00eancia da Argentina na batalha de San Lorenzo; criou e treinou o Ex\u00e9rcito dos Andes; com a sa\u00fade fr\u00e1gil, desceu a Cordilheira\u00a0\u2013 nas terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es da \u00e9poca &#8211; para liderar a liberta\u00e7\u00e3o do Chile do dom\u00ednio espanhol; posteriormente conseguiu obter a independ\u00eancia do Peru. Pessoalmente era modesto a ponto de chegar\u00a0inc\u00f3gnito de madrugada nas cidades depois de suas vit\u00f3rias militares, para evitar homenagens; devolvia boa parte dos soldos que recebia; mesmo depois de todas as suas vit\u00f3rias nas lutas pela independ\u00eancia da Argentina, Chile e Peru, se prontificou a ser subordinado a Sim\u00f3n Bol\u00edvar para a continua\u00e7\u00e3o da luta pela independ\u00eancia de toda a Am\u00e9rica do Sul &#8211; como a\u00a0proposta foi recusada, deixou a vida p\u00fablica para n\u00e3o atrapalhar o outro Libertador; recusou diversas vezes promo\u00e7\u00f5es e postos de poder, sejam militares ou civis; por saber que este tipo de conflito normalmente traz preju\u00edzos a\u00a0na\u00e7\u00f5es rec\u00e9m-criadas, sempre se recusou a tomar partido nas disputas e lutas entre latino-americanos: esta postura, ali\u00e1s, lhe causou in\u00fameros dissabores e cr\u00edticas, que acabaram praticamente obrigando-o a passar seus \u00faltimos trinta anos de vida no ex\u00edlio, na Europa.<\/p>\n<p>Corajoso, militar brilhante e com uma postura moral irrepreens\u00edvel, sob qualquer aspecto que se analise Jos\u00e9 de San Mart\u00edn \u00e9 um \u201cher\u00f3i de verdade\u201d.<\/p>\n<p>Feliz a na\u00e7\u00e3o que possui her\u00f3is, eu acrescentaria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se levarmos ao p\u00e9 da letra a famosa frase \u201cinfeliz a na\u00e7\u00e3o que precisa de her\u00f3is\u201d, do dramaturgo alem\u00e3o Bertolt Brecht, podemos concluir cinicamente que \u2013 ao\u00a0menos neste aspecto\u00a0\u2013 o Brasil n\u00e3o \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o infeliz. H\u00e1 enormes controv\u00e9rsias sobre a biografia de Tiradentes, por exemplo. Nossa independ\u00eancia foi proclamada pelo sucessor do trono do pa\u00eds colonizador. Getulio Vargas \u00e9 outro personagem controverso. Certamente, n\u00e3o temos um her\u00f3i \u2013 pelo menos n\u00e3o um aceito quase que unanimemente pela popula\u00e7\u00e3o. Assim, foi um pouco surpreso que, numa viagem recente a Buenos Aires, ouvi\u00a0a guia argentina falar algo como \u201cn\u00f3s temos um her\u00f3i nacional, Jos\u00e9 de San Mart\u00edn\u201d. Eu sabia que ele tinha sido importante na independ\u00eancia de alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, mas para mim sua import\u00e2ncia jamais poderia se comparar com a de Sim\u00f3n Bol\u00edvar. 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