{"id":1807,"date":"2015-10-13T03:25:15","date_gmt":"2015-10-13T03:25:15","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1807"},"modified":"2015-10-13T04:06:06","modified_gmt":"2015-10-13T04:06:06","slug":"balzac-mann-roth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1807","title":{"rendered":"Balzac, Mann, Roth"},"content":{"rendered":"<p>Foram f\u00e9rias boas, aquelas dos anos 80. Eu treinava nata\u00e7\u00e3o mais ou menos at\u00e9 \u00e0s dez da manh\u00e3 e jogava futebol de sal\u00e3o at\u00e9 ao meio-dia. Depois do almo\u00e7o, sentava numa cadeira de praia no meu quarto e lia at\u00e9 n\u00e3o poder mais. O meu autor preferido era o alem\u00e3o Thomas Mann (1875-1955): a impressionante hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia burguesa (\u201cOs Buddenbrooks\u201d), discuss\u00f5es filos\u00f3ficas num sanat\u00f3rio para tuberculosos (\u201cA Montanha M\u00e1gica\u201d), um compositor erudito que vende alma para o diabo para fazer obras perfeitas (\u201cDoutor Fausto\u201d), a impressionante hist\u00f3ria b\u00edblica de Jos\u00e9 e seus irm\u00e3os contada em mais de mil p\u00e1ginas (\u201cJos\u00e9 e seus irm\u00e3os\u201d), um mon\u00f3logo interior de Goethe (\u201cCarlota em Weimar\u201d), contos espetaculares (\u201cMario e o m\u00e1gico\u201d). A decad\u00eancia da nobreza, a ascens\u00e3o da burguesia e o papel da Arte e do Artista na sociedade s\u00e3o seus principais temas. Li tudo dele em que consegui colocar as m\u00e3os &#8211; e n\u00e3o devo ter lido nada de Thomas Mann de 1990 para c\u00e1.<!--more--><\/p>\n<p>Eu era rec\u00e9m-casado no in\u00edcio dos anos 90 e comecei a ler os romances de Honor\u00e9 de Balzac (1799-1850) para tentar manter meu conhecimento de franc\u00eas (tinha me formado na Alian\u00e7a Francesa poucos anos antes). A ideia do escritor franc\u00eas era fazer um painel completo da Fran\u00e7a de sua \u00e9poca: o jovem do interior que tenta a sorte em Paris e se d\u00e1 bem (Eug\u00e8ne de Rastignac, em \u201cPai Goriot\u201d), enquanto que outro se d\u00e1 mal (Lucien de Rubempr\u00e9, em \u201cIlus\u00f5es perdidas\u201d e \u201cEsplendor e mis\u00e9ria das cortes\u00e3s\u201d), os avarentos (\u201cO Primo Pons\u201d, o pai de \u201cEug\u00e9nie Grandet\u201d), a solteirona mau-car\u00e1ter (\u201cA Prima Bette\u201d), o conflito entre dois irm\u00e3os (\u201cUm conchego de solteir\u00e3o\u201d). Os grandes temas de Balzac s\u00e3o o poder do dinheiro na sociedade e a descri\u00e7\u00e3o sem eufemismos dos defeitos de boa parte de seus personagens (os nobres em seu livros geralmente praticam o adult\u00e9rio \u00e0s claras, enquanto que os burgueses ricos normalmente s\u00e3o avarentos). Como ele queria que seu painel da sociedade francesa fosse o mais amplo poss\u00edvel, batizou sua obra como um todo de \u201cA Com\u00e9dia Humana\u201d &#8211; e boa parte de seus personagens aparece em mais de um romance. Li boa parte dos livros dele em que consegui colocar as m\u00e3os &#8211; e n\u00e3o devo ter lido nada de Honor\u00e9 de Balzac do ano 2000 para c\u00e1.<\/p>\n<p>Li \u201cO avesso da vida\u201d, do americano Philip Roth (1933- ) ainda na adolesc\u00eancia, e \u201cPastoral americana\u201d no in\u00edcio da idade adulta. Fiquei impressionado como ele contava bem suas hist\u00f3rias, mas n\u00e3o gostei dos livros. At\u00e9 que, de tanto ler elogios sobre a obra dele na imprensa, acabei pedindo \u201cHomem comum\u201d numa festa de amigo secreto em 2008 \u2013 e adorei. Dali por diante li v\u00e1rios livros dele (\u201cO complexo de Portnoy\u201d, \u201cCasei com um comunista\u201d, \u201cCompl\u00f4 contra a Am\u00e9rica\u201d, etc, etc, &#8211; al\u00e9m de ter relido \u2013 e gostado muito \u2013 de \u201cO avesso da vida\u201d). Suas hist\u00f3rias s\u00e3o fortes, sempre com homens judeus vivendo em um pa\u00eds n\u00e3o-judeu &#8211; os Estados Unidos \u2013 como personagens principais. O sexo \u00e9 parte importante em sua obra, e o estilo \u00e9 t\u00e3o extraordin\u00e1rio que \u00e9 elogiado por gente como Jonathan Franzen. Li boa parte dos livros dele em que consegui colocar as m\u00e3os, e acho que o \u00faltimo que li \u00e9 \u201c<a href=\"http:\/\/www.mondobacana.com\/livros-dezembro-2011\/nemesis.html\">N\u00eamesis<\/a>\u201d, em 2011 \u2013 que Roth j\u00e1 declarou ter sido o seu \u00faltimo romance. De l\u00e1 para c\u00e1 pensei em ler algum dos poucos livros dele que tenho e que ainda n\u00e3o li \u2013 mas sempre deixo para depois. N\u00e3o sei se vou l\u00ea-los, na verdade. De certo modo, Philip Roth &#8211; como Thomas Mann e Balzac, antes dele \u2013 j\u00e1 n\u00e3o representa um grande desafio para minha leitura.<\/p>\n<p>Tr\u00eas escritores extraordin\u00e1rios, mas que deixo fazer parte do passado da\u00a0minha mem\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram f\u00e9rias boas, aquelas dos anos 80. Eu treinava nata\u00e7\u00e3o mais ou menos at\u00e9 \u00e0s dez da manh\u00e3 e jogava futebol de sal\u00e3o at\u00e9 ao meio-dia. Depois do almo\u00e7o, sentava numa cadeira de praia no meu quarto e lia at\u00e9 n\u00e3o poder mais. O meu autor preferido era o alem\u00e3o Thomas Mann (1875-1955): a impressionante hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia burguesa (\u201cOs Buddenbrooks\u201d), discuss\u00f5es filos\u00f3ficas num sanat\u00f3rio para tuberculosos (\u201cA Montanha M\u00e1gica\u201d), um compositor erudito que vende alma para o diabo para fazer obras perfeitas (\u201cDoutor Fausto\u201d), a impressionante hist\u00f3ria b\u00edblica de Jos\u00e9 e seus irm\u00e3os contada em mais de mil p\u00e1ginas (\u201cJos\u00e9 e seus irm\u00e3os\u201d), um mon\u00f3logo interior de Goethe (\u201cCarlota em Weimar\u201d), contos espetaculares (\u201cMario e o m\u00e1gico\u201d). A decad\u00eancia da nobreza, a ascens\u00e3o da burguesia e o papel da Arte e do Artista na sociedade s\u00e3o seus principais temas. Li tudo dele em que consegui colocar as m\u00e3os &#8211; e n\u00e3o devo ter lido nada de Thomas Mann de 1990 para c\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1808,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[269,131,270],"class_list":["post-1807","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-honore-de-balzac","tag-philip-roth","tag-thomas-mann","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1807"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1807\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1820,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1807\/revisions\/1820"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1808"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}