{"id":1790,"date":"2015-10-18T02:05:05","date_gmt":"2015-10-18T02:05:05","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1790"},"modified":"2015-10-15T19:09:30","modified_gmt":"2015-10-15T19:09:30","slug":"o-quarto-vermelho-de-tirar-o-folego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1790","title":{"rendered":"O quarto vermelho &#8211; De tirar o f\u00f4lego"},"content":{"rendered":"<p>No final de um dia bonito, com o servi\u00e7o praticamente terminado, a m\u00e9dica psiquiatra Katherine Quinn (mais conhecida apenas como Kit) foi convidada pelo seu superior para ir at\u00e9 uma delegacia entrevistar Michael Doll, um vagabundo esquisito e suspeito de ter assassinado Lianne, uma jovem andarilha que n\u00e3o tinha nenhum parente conhecido. Na delegacia Doll sente-se acuado e corta o rosto da doutora, que fica com uma enorme cicatriz.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 assim que come\u00e7a <i>O quarto vermelho<\/i> (Record, 446 p\u00e1ginas), <i>thriller <\/i>psicol\u00f3gico escrito por Nicci French, pseud\u00f4nimo do casal de jornalistas brit\u00e2nicos Sean French e Nicci Gerard. A dupla j\u00e1 \u00e9 autora de dez livros, entre eles <i>Mata-me de prazer<\/i>, que originou um filme hom\u00f4nimo estrelado por Heather Graham e Joseph Fiennes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o in\u00edcio eletrizante, <i>O quarto vermelho<\/i>, que foi publicado originalmente em 2001 e \u00e9 o quinto romance da dupla, continua com a Dra. Kit se recuperando no hospital e, depois, voltando ao batente no hospital. Apesar do trauma que ela possa ter ficado no confronto com o suspeito de assassinato, a pol\u00edcia pede que a m\u00e9dica continue no caso. Ela ent\u00e3o marca um encontro com Doll, que j\u00e1 havia sido liberado pela pol\u00edcia, na casa dele. Al\u00e9m de morar pr\u00f3ximo ao lugar em que a jovem assassinada Lianne foi encontrada, ele \u00e9 suspeito porque uma policial conseguiu gravar uma fita com ele que tinha algo muito pr\u00f3ximo de uma confiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O vagabundo \u00e9 uma pessoa pat\u00e9tica e repugnante: praticamente sem nenhuma higiene pessoal, ele usa roupas velhas e sujas e passa os dias em um canal pescando peixes que n\u00e3o vai comer, por causa da sujeira da \u00e1gua do local. O pequeno quarto em que Doll mora est\u00e1 sempre sujo e em desordem, cheio de objetos sem valor que ele pega nas ruas e coleciona. Para completar o triste quadro, o suspeito do assassinato da garota Lianne \u00e9 carente, solit\u00e1rio, e chora com facilidade. Muito mais digno de pena do que de \u00f3dio, portanto.<\/p>\n<p>Na conversa com ele, Kit acaba descobrindo que a sensual policial que obteve a confiss\u00e3o de Doll o fez lhe oferecendo favores sexuais. Resultado: mesmo com o vagabundo tendo feito uma enorme cicatriz na doutora, ela o defende e consegue que ele deixe de ser o principal suspeito do crime. Esta prova de \u00e9tica e efici\u00eancia acaba fazendo com que o policial chefe da investiga\u00e7\u00e3o chame a m\u00e9dica para participar ativamente do caso \u2013 o que ela faz com uma dedica\u00e7\u00e3o e uma obstina\u00e7\u00e3o enormes, de maneira muitas vezes pouco usual, procurando pistas aparentemente sem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o caso (o que exaspera freq\u00fcentemente outros policiais envolvidos na investiga\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo da Dra. Kit \u00e9 relacionar o assassinato da garota Lianne com outro crime semelhante. Ap\u00f3s descartar v\u00e1rios outros casos, a m\u00e9dica se concentra na tr\u00e1gica morte de Philippa Burton, assassinada enquanto cuidava da filha de tr\u00eas anos em um parque. Os policiais que a auxiliam n\u00e3o se conformam com o rumo da investiga\u00e7\u00e3o da doutora: Lianne n\u00e3o tinha nada a ver com a outra morta. Phillipa era rica, tinha mais de trinta anos e era uma dona-de-casa respons\u00e1vel, enquanto que a jovem assassinada tinha pouqu\u00edssimos conhecidos e morava em abrigos. Al\u00e9m disso, as duas n\u00e3o foram mortas do mesmo modo, e seus ferimentos n\u00e3o eram semelhantes, ao contr\u00e1rio do que comumente acontece em casos de <i>serial killers<\/i>. O que havia de parecido nos dois casos, segundo a Dra. <span lang=\"en-US\">Kit? As duas foram encontradas de bru\u00e7os. <\/span>Parece pouco &#8211; e \u00e9 pouco -, mas a intui\u00e7\u00e3o dela dizia que o assassinato de Lianne era relacionado com o de Philippa.<\/p>\n<p>Com este rumo esquisito na investiga\u00e7\u00e3o, obviamente a situa\u00e7\u00e3o de Kit estava ficando insustent\u00e1vel perante os demais policiais, e ela quase foi obrigada a sair do caso&#8230; at\u00e9 ela conseguiu obter uma prova realmente forte do relacionamento dos dois crimes. O que acontece daqui por diante n\u00e3o vai ser contado aqui para n\u00e3o estragar a surpresa.<\/p>\n<p><i>O quarto vermelho<\/i> \u00e9 um livro eletrizante, que n\u00e3o perde o pique em nenhuma e a hist\u00f3ria, cheia de reviravoltas, tem um enredo bem. Al\u00e9m disso, os locais e fatos s\u00e3o descritos com maestria: Nicci French consegue fazer com que o leitor praticamente &#8220;se sinta&#8221; nos locais obscuros &#8211; e \u00e0s vezes sinistros &#8211; da Londres em que se passa a trama.<\/p>\n<p>Em outras palavras, <i>O quarto vermelho <\/i>\u00e9 um policial altamente recomendado, uma \u00f3tima pedida para quem quiser uma leitura inteligente e de tirar o f\u00f4lego.<\/p>\n<p><em>(publicado no Suplemento dominical do jornal O Estado do Paran\u00e1, em 22 de outubro de 2006)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final de um dia bonito, com o servi\u00e7o praticamente terminado, a m\u00e9dica psiquiatra Katherine Quinn (mais conhecida apenas como Kit) foi convidada pelo seu superior para ir at\u00e9 uma delegacia entrevistar Michael Doll, um vagabundo esquisito e suspeito de ter assassinado Lianne, uma jovem andarilha que n\u00e3o tinha nenhum parente conhecido. Na delegacia Doll sente-se acuado e corta o rosto da doutora, que fica com uma enorme cicatriz.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1791,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[266],"class_list":["post-1790","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-nicci-french","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1790"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1790\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1793,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1790\/revisions\/1793"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}