{"id":1752,"date":"2015-10-04T07:44:02","date_gmt":"2015-10-04T07:44:02","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1752"},"modified":"2015-10-04T14:57:50","modified_gmt":"2015-10-04T14:57:50","slug":"ouvir-billie-holiday-pega-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1752","title":{"rendered":"Ouvir Billie Holiday pega bem"},"content":{"rendered":"<p>Cada m\u00fasica tem um momento ou um estado de esp\u00edrito para ser ouvida. As can\u00e7\u00f5es de Elliott Smith s\u00e3o maravilhosas, mas qualquer um que as ou\u00e7a durante muito tempo seguido acaba tendo\u00a0ideias depressivas. Nick Drake e Chet Baker eu gosto de ouvir sem fazer mais nada. Morrissey e Bones me tiram da in\u00e9rcia (e nem sempre quero sair da in\u00e9rcia). Burzum e Glenn Gould s\u00e3o para os momentos de maior concentra\u00e7\u00e3o, Nirvana\u00a0e Electric Wizard, para os momentos mais agitados. Bach e os lieder de Schubert s\u00e3o para os\u00a0instantes mais s\u00e9rios, Blink 182 e Limp Bizkit, para os instantes mais alegres. E por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>S\u00f3 tem uma exce\u00e7\u00e3o a esta regra: Billie Holiday. N\u00e3o importa como eu esteja me sentindo &#8211; reflexivo ou agitado, triste ou alegre -, ouvir a grande cantora americana de jazz sempre cai bem. N\u00e3o importa se a grava\u00e7\u00e3o \u00e9 com ela novinha &#8211; com a voz ainda l\u00edmpida &#8211; ou se \u00e9 do final da carreira &#8211; quando os anos de abuso de drogas e \u00e1lcool fizeram sua voz ficar fraca. N\u00e3o importa se ela est\u00e1\u00a0acompanhada por um pequeno conjunto de jazz ou por uma grande orquestra. N\u00e3o importa se a qualidade de som \u00e9 boa ou ruim. N\u00e3o importa se a grava\u00e7\u00e3o \u00e9 de\u00a0est\u00fadio ou ao vivo.\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>Deve ser porque ela consegue fazer a fus\u00e3o perfeita entre o popular e o erudito; entre o jazz e o blues; entre o simples e o sofisticado; entre o profundo e o descompromissado; entre o dram\u00e1tico e o bem-humorado. Ou por algum outro motivo. N\u00e3o importa.<\/p>\n<p>O que importa \u00e9 que, para mim, ouvir Billie Holiday sempre pega bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada m\u00fasica tem um momento ou um estado de esp\u00edrito para ser ouvida. As can\u00e7\u00f5es de Elliott Smith s\u00e3o maravilhosas, mas qualquer um que as ou\u00e7a durante muito tempo seguido acaba tendo\u00a0ideias depressivas. Nick Drake e Chet Baker eu gosto de ouvir sem fazer mais nada. Morrissey e Bones me tiram da in\u00e9rcia (e nem sempre quero sair da in\u00e9rcia). Burzum e Glenn Gould s\u00e3o para os momentos de maior concentra\u00e7\u00e3o, Nirvana\u00a0e Electric Wizard, para os momentos mais agitados. Bach e os lieder de Schubert s\u00e3o para os\u00a0instantes mais s\u00e9rios, Blink 182 e Limp Bizkit, para os instantes mais alegres. E por a\u00ed vai. S\u00f3 tem uma exce\u00e7\u00e3o a esta regra: Billie Holiday. N\u00e3o importa como eu esteja me sentindo &#8211; reflexivo ou agitado, triste ou alegre -, ouvir a grande cantora americana de jazz sempre cai bem. N\u00e3o importa se a grava\u00e7\u00e3o \u00e9 com ela novinha &#8211; com a voz ainda l\u00edmpida &#8211; ou se \u00e9 do final da carreira &#8211; quando os anos de abuso de drogas e \u00e1lcool fizeram sua voz ficar fraca. N\u00e3o importa se ela est\u00e1\u00a0acompanhada por um pequeno conjunto de jazz ou por uma grande orquestra. N\u00e3o importa se a qualidade de som \u00e9 boa ou ruim. 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