{"id":1652,"date":"2015-09-09T13:58:53","date_gmt":"2015-09-09T13:58:53","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1652"},"modified":"2015-09-09T13:58:53","modified_gmt":"2015-09-09T13:58:53","slug":"o-bom-exemplo-da-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1652","title":{"rendered":"O bom exemplo da Argentina"},"content":{"rendered":"<p>Por mais que o Galv\u00e3o Bueno insista em fazer crer que os argentinos sejam todos nossos rivais (eu mesmo estou longe de negar completamente esta rivalidade), h\u00e1 um tipo particular de brasileiro que, em grande parte, admira e tenta mesmo imitar os argentinos: os verdadeiros torcedores de clubes.<\/p>\n<p>Eu mesmo nunca assisti a um jogo de futebol na Argentina, mas j\u00e1 li alguns relatos na imprensa que me impressionaram &#8211; e muito. Por exemplo, na Folha Online de 29\/08\/2001 o jornalista Paulo Cesar Martin faz um emocionante relato do que \u00e9 ser torcedor de futebol na Argentina. <!--more-->Ele conta que assistiu a um jogo do Boca Juniors contra o Palmeiras em Buenos Aires e que ficou fascinado como, mesmo com o time argentino jogando mal, em nenhum momento a torcida para de apoi\u00e1-lo. Segundo Martin, a rela\u00e7\u00e3o do argentino com seu clube de cora\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m do simples fato de torcer pelo time. Existe, acima da venera\u00e7\u00e3o aos jogadores, o amor pela institui\u00e7\u00e3o, pelo bairro, pelas cores do clube. Obviamente, no final do seu texto Martin compara a apaixonada torcida argentina com a exigente e negativista torcida brasileira.<\/p>\n<p>Esta mesma compara\u00e7\u00e3o \u00e9 o cerne do texto de Marcos Caetano no Estad\u00e3o de 28 de abril de 2003. Segundo Caetano, \u201ca diferen\u00e7a entre os torcedores brasileiros e argentinos \u00e9 muito evidente e f\u00e1cil de explicar. Enquanto os argentinos amam o clube de uma forma quase religiosa &#8211; e sem esperar nada em troca -, (&#8230;) o torcedor brasileiro n\u00e3o ama o esporte. Ama apenas e t\u00e3o somente as conquistas. Existem muitas maneiras de amar. Mas eu, rom\u00e2ntico incorrig\u00edvel, prefiro a das tardes da Bombonera.\u201d<\/p>\n<p>Finalmente, na Folha de S\u00e3o Paulo de 29 de junho de 2003, o brilhante comentarista Tost\u00e3o escreve, sobre o primeiro jogo da final da Libertadores de 2003, na Argentina, entre Boca Juniors e Santos: \u201co Boca Juniors ganhava do Santos por 1 a 0, seria importante para os argentinos fazerem o segundo gol, e o t\u00e9cnico Carlos Bianchi trocou um atacante por um volante. (&#8230;) Se um t\u00e9cnico brasileiro, jogando em casa, recuasse o time, seria criticado e chamado de burro pelos torcedores. Esses continuaram dan\u00e7ando, cantando e torcendo. Como se diz no jarg\u00e3o do futebol, Bianchi n\u00e3o tem somente o time nas m\u00e3os, mas tamb\u00e9m a torcida.\u201d<\/p>\n<p>O leitor j\u00e1 deve ter adivinhado aonde quero chegar, com estes exaustivos exemplos. O que eu quero dizer \u00e9 que com grande satisfa\u00e7\u00e3o que tenho visto, no Couto Pereira, a torcida coritibana cada vez mais vibrante, cada vez mais participante, cada vez mais positiva, cada vez mais argentina &#8211; no que este termo tem de melhor. \u00c9 claro que continuamos a ter o desprazer de ver pessoas no est\u00e1dio preocupadas apenas em criticar o pr\u00f3prio time &#8211; como se isto levasse a alguma vantagem para o Coxa. Mas estes negativistas est\u00e3o cada vez menos salientes &#8211; seja pelo belo exemplo que a Torcida Imp\u00e9rio Alviverde tem dado, apoiando o time sempre durante os 90 minutos, na vit\u00f3ria ou na derrota, seja pelas seguidas interpela\u00e7\u00f5es que os &#8220;cornetas&#8221; come\u00e7am a sofrer dos demais torcedores para que mudem seu comportamento.<\/p>\n<p>Muito ainda precisa ser feito, claro. Mas estamos no caminho correto, n\u00e3o tenho a menor d\u00favida quanto a isto.<\/p>\n<p><em>(texto publicado no site <a href=\"http:\/\/coxanautas.com.br\">COXAnautas <\/a>em 15\/7\/2003)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais que o Galv\u00e3o Bueno insista em fazer crer que os argentinos sejam todos nossos rivais (eu mesmo estou longe de negar completamente esta rivalidade), h\u00e1 um tipo particular de brasileiro que, em grande parte, admira e tenta mesmo imitar os argentinos: os verdadeiros torcedores de clubes. Eu mesmo nunca assisti a um jogo de futebol na Argentina, mas j\u00e1 li alguns relatos na imprensa que me impressionaram &#8211; e muito. 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