{"id":1611,"date":"2015-09-03T05:45:46","date_gmt":"2015-09-03T05:45:46","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1611"},"modified":"2015-08-30T05:51:17","modified_gmt":"2015-08-30T05:51:17","slug":"rapidos-comentarios-sobre-livros-lidos-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1611","title":{"rendered":"R\u00e1pidos coment\u00e1rios sobre livros lidos \u2013 5"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Uma das coisas surpreendentes de O Homem Eterno (Editora Mundo Crist\u00e3o), do escritor ingl\u00eas G.K.Chesterton (1874-1936) \u00e9 como ele consegue agradar ateus ou agn\u00f3sticos inteligentes. Daniel Piza, de quem eu reclamei recentemente aqui, indicou o livro em sua coluna no Estad\u00e3o. Marcelo Coelho falou bem do livro no jornal Folha de S\u00e3o Paulo. Por estes cr\u00edticos admiram esta genial obra em defesa do cristianismo em geral, e do catolicismo em particular? Alcir P\u00e9cora, tamb\u00e9m na Folha, explica: \u201cpor mais que o leitor partilhe dos pressupostos ateus, evolucionistas e materialistas que ele combate, n\u00e3o tem como se impedir de admirar a capacidade inesgot\u00e1vel de Chesterton para fazer do que parece verdade certa o objeto de um saco de piadas engra\u00e7adas e inteligentes\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Chesterton se converteu ao catolicismo j\u00e1 no final da vida, e O Homem Eterno foi escrito j\u00e1 depois de sua convers\u00e3o. A obra \u00e9 dividida em duas partes, resumidas com pouqu\u00edssimas palavras a seguir: em \u201cDa criatura chamada homem\u201d Chesterton explica que o homem \u00e9 muito mais diferente dos animais do que sonha a v\u00e3 filosofia ateia, e em \u201cDo homem chamado Cristo\u201d ele mostra que Jesus Cristo ou bem era um louco &#8211; pois dizia ser o Filho de Deus &#8211; ou era o pr\u00f3prio Filho de Deus. O problema \u00e9 que o conjunto do que ele falou \u00e9 t\u00e3o s\u00e9rio e profundo que mesmo quem \u00e9 ateu n\u00e3o costuma descart\u00e1-lo como um doente mental. S\u00f3 resta ent\u00e3o a segunda \u2013 e maravilhosa \u2013 hip\u00f3tese. \u00a0<!--more--><\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">A cole\u00e7\u00e3o \u201cLivros que mudaram o mundo\u201d, da Editora da Folha de S\u00e3o Paulo, est\u00e1 publicando obras de import\u00e2ncia hist\u00f3rica inquestion\u00e1vel. Dela li recentemente \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos\u201d, de Sigmund Freud, que fala de uma teoria revolucion\u00e1ria (quando lan\u00e7ada) sobre os sonhos: que eles s\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o de um desejo. Para isto, o inconsciente se serve de diversos subterf\u00fagios que fazem com que a censura do pr\u00f3prio c\u00e9rebro seja \u201cdriblada\u201d. A partir disto, v\u00e1rios desejos inconfess\u00e1veis v\u00eam \u00e0 tona, atrav\u00e9s das m\u00e1scaras criadas pelos sonhos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Para pessoas n\u00e3o especialistas no assunto, como eu, \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos\u201d \u00e9 de um impacto e de uma pertin\u00eancia extraordin\u00e1rios \u2013 por mais que n\u00e3o se concorde com todas as ideias expostas por Freud em sua obra cl\u00e1ssica. Pena que muitos trechos necessitem de um conhecimento pr\u00e9vio de medicina ou psicologia para serem bem compreendidos. A Folha poderia ter lan\u00e7ado uma edi\u00e7\u00e3o resumida do livro (que tem mais de trezentas p\u00e1ginas em formato grande e letra pequena) e isto teria sido, acredito, mais proveitoso para o p\u00fablico leigo.<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">\u201cElizabeth Costello\u201d (Vintage Books \u2013 a edi\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 da Companhia das Letras) \u00e9 meio um ensaio, meio um romance, do escritor sul-africano J.M. Coetzee, Pr\u00eamio Nobel de 2003. O livro conta a hist\u00f3ria de uma escritora, cujo nome d\u00e1 o t\u00edtulo \u00e0 obra, que \u00e9 um alter ego do pr\u00f3prio Coetzee. A autora \u00e9 famosa por ter escrito um genial livro de estreia, o qual sempre \u00e9 lembrado quando ela \u00e9 citada, e faz confer\u00eancias em diversos locais \u2013 como universidades, e at\u00e9 mesmo em um navio. Cada cap\u00edtulo do livro tem, como t\u00edtulo, o tema desenvolvido por uma confer\u00eancia \u2013 a qual \u00e9 a parte \u201censaio\u201d de \u201cElizabeth Costello\u201d. A parte \u201cromance\u201d do livro trata do que acontece com a pr\u00f3pria escritora nos dias em torno da confer\u00eancia \u2013 seu cansa\u00e7o, seu relacionamento com o filho, a nora e a irm\u00e3, suas d\u00favidas a respeito de suas pr\u00f3prias opini\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">As teses de Elizabeth Costello (a parte \u201censaio do livro\u201d) s\u00e3o fortes e originais \u2013 mesmo discordando delas, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o ficar fascinado com o poder da argumenta\u00e7\u00e3o de Coetzee -, e tratam de temas como a literatura na \u00c1frica, o tratamento dispensado aos animais, a publica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de descri\u00e7\u00f5es detalhadas das brutalidades nazistas. E a parte \u201cromance\u201d do livro \u00e9 t\u00e3o fascinante quanto: Elizabeth Costello \u00e9 uma personagem forte e contradit\u00f3ria, que gruda na nossa mem\u00f3ria.<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">\u201cO caderno vermelho\u201d, de Paul Auster (Companhia das Letras) \u00e9 um livrinho inesperado: o importante escritor americano, autor de \u201cInven\u00e7\u00e3o da Solid\u00e3o\u201d, conta curtas hist\u00f3rias reais, todas elas descrevendo coincid\u00eancias surpreendentes e inesperadas. A m\u00e3o do acaso, ou de Deus, como queiram, est\u00e1 presente o tempo todo. Se fosse escrito por Paulo Coelho, a cr\u00edtica cairia de pau.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o importa. \u201cO caderno vermelho\u201d \u00e9 delicioso!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\"><em>(publicado <a href=\"http:\/\/www.mondobacana.com\/blogs\/livros-lidos-recentemente-5.html\">no blog do Mondo Bacana<\/a> em 4 de janeiro de 2011)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das coisas surpreendentes de O Homem Eterno (Editora Mundo Crist\u00e3o), do escritor ingl\u00eas G.K.Chesterton (1874-1936) \u00e9 como ele consegue agradar ateus ou agn\u00f3sticos inteligentes. Daniel Piza, de quem eu reclamei recentemente aqui, indicou o livro em sua coluna no Estad\u00e3o. Marcelo Coelho falou bem do livro no jornal Folha de S\u00e3o Paulo. Por estes cr\u00edticos admiram esta genial obra em defesa do cristianismo em geral, e do catolicismo em particular? Alcir P\u00e9cora, tamb\u00e9m na Folha, explica: \u201cpor mais que o leitor partilhe dos pressupostos ateus, evolucionistas e materialistas que ele combate, n\u00e3o tem como se impedir de admirar a capacidade inesgot\u00e1vel de Chesterton para fazer do que parece verdade certa o objeto de um saco de piadas engra\u00e7adas e inteligentes\u201d. Chesterton se converteu ao catolicismo j\u00e1 no final da vida, e O Homem Eterno foi escrito j\u00e1 depois de sua convers\u00e3o. A obra \u00e9 dividida em duas partes, resumidas com pouqu\u00edssimas palavras a seguir: em \u201cDa criatura chamada homem\u201d Chesterton explica que o homem \u00e9 muito mais diferente dos animais do que sonha a v\u00e3 filosofia ateia, e em \u201cDo homem chamado Cristo\u201d ele mostra que Jesus Cristo ou bem era um louco &#8211; pois dizia ser o Filho de Deus &#8211; ou era o pr\u00f3prio Filho de Deus. O problema \u00e9 que o conjunto do que ele falou \u00e9 t\u00e3o s\u00e9rio e profundo que mesmo quem \u00e9 ateu n\u00e3o costuma descart\u00e1-lo como um doente mental. 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