{"id":1340,"date":"2015-07-18T05:28:16","date_gmt":"2015-07-18T05:28:16","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1340"},"modified":"2015-07-20T06:52:48","modified_gmt":"2015-07-20T06:52:48","slug":"nikolai-gogol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1340","title":{"rendered":"Nikolai G\u00f3gol"},"content":{"rendered":"<p>De tempos em tempos, resolvo vender uma boa quantidade de livros aqui de casa. Raramente me arrependo de ter me desfeito de algum, mas com Almas mortas, de Nikolai G\u00f3gol, a coisa foi diferente. \u00c9 um livro inacabado e genial. A ideia \u00e9 mais ou menos essa: um sujeito de car\u00e1ter para l\u00e1 de duvidoso, Tchitchikov, vai de fazenda em fazenda na R\u00fassia do s\u00e9culo XIX para comprar o direito de propriedade sobre camponeses que j\u00e1 estavam mortos de fato &#8211; mas n\u00e3o oficialmente. A ideia po<span class=\"text_exposed_show\">r tr\u00e1s do neg\u00f3cio de Tchitchikov era, com a posse de todos estes camponeses, conseguir um grande empr\u00e9stimo para comprar uma fazenda.<\/span><\/p>\n<div class=\"text_exposed_show\">\n<p>Voltando ao livro do qual eu tinha me desfeito: um belo dia fiquei com saudades de Almas mortas e, gra\u00e7as ao site Estante Virtual, consegui obter uma edi\u00e7\u00e3o da Editora Abril usada, semelhante \u00e0quela que eu tinha vendido. O romance era t\u00e3o bom quanto eu me lembrava! Os fazendeiros russos, com sua avareza e mediocridade, s\u00e3o descritos com grande vivacidade e brilho &#8211; isto sem contar o inusitado da hist\u00f3ria. O fato de Nikolai G\u00f3gol ter praticamente enlouquecido durante a elabora\u00e7\u00e3o do livro e ter queimado metade dele depois de hav\u00ea-lo reescrito duas(!) vezes n\u00e3o impede que a parte que foi publicada, sozinha, ter dado o status de obra-prima para Almas Mortas.<!--more--><\/p>\n<p>G\u00f3gol tinha um extraordin\u00e1rio dom de descrever a pequenez humana, conforme pude perceber recentemente na leitura da pe\u00e7a O inspetor geral. Neste caso, numa cidadezinha perdida na vastid\u00e3o russa, se espalha um boato de que um inspetor do czar vem ver como est\u00e3o as coisas na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O dito &#8220;inspetor&#8221; n\u00e3o passava de um jovem sem car\u00e1ter, que tinha perdido todo o seu dinheiro no jogo. Logo ele percebe que os membros da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica querem adul\u00e1-lo com presentes e dinheiro para que sua &#8220;inspe\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o seja s\u00e9ria. A hist\u00f3ria \u00e9 divertida mas sabemos, infelizmente, que este tipo de comportamento tem mais do que um p\u00e9 na realidade.<\/p>\n<p>A partir de O inspetor geral, acabei procurando mais coisas escritas por G\u00f3gol. Descobri que ele tamb\u00e9m criou contos fant\u00e1sticos ou sobrenaturais, como O Nariz, em que um nariz resolve sair do rosto de seu dono e passear, e O Retrato, uma impressionante narrativa de um retrato amaldi\u00e7oado. J\u00e1 O Capote, que conta a triste hist\u00f3ria de um pobre funcion\u00e1rio de intelig\u00eancia lim\u00edtrofe que se sacrifica para comprar um casaco, tamb\u00e9m tem um p\u00e9 no sobrenatural, enquanto que Di\u00e1rio de um Louco parece (embora eu n\u00e3o tenha a menor ideia se isto de fato procede ou n\u00e3o) ter um p\u00e9 nas pr\u00f3prias experi\u00eancias de G\u00f3gol com a insanidade.<\/p>\n<p>Enfim, G\u00f3gol, com suas descri\u00e7\u00f5es sempre v\u00edvidas de situa\u00e7\u00f5es e personagens, \u00e9 um autor que proporciona um grande prazer de leitura.<\/p>\n<p><em>(texto escrito no in\u00edcio de 2015)<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De tempos em tempos, resolvo vender uma boa quantidade de livros aqui de casa. Raramente me arrependo de ter me desfeito de algum, mas com Almas mortas, de Nikolai G\u00f3gol, a coisa foi diferente. \u00c9 um livro inacabado e genial. A ideia \u00e9 mais ou menos essa: um sujeito de car\u00e1ter para l\u00e1 de duvidoso, Tchitchikov, vai de fazenda em fazenda na R\u00fassia do s\u00e9culo XIX para comprar o direito de propriedade sobre camponeses que j\u00e1 estavam mortos de fato &#8211; mas n\u00e3o oficialmente. A ideia por tr\u00e1s do neg\u00f3cio de Tchitchikov era, com a posse de todos estes camponeses, conseguir um grande empr\u00e9stimo para comprar uma fazenda. Voltando ao livro do qual eu tinha me desfeito: um belo dia fiquei com saudades de Almas mortas e, gra\u00e7as ao site Estante Virtual, consegui obter uma edi\u00e7\u00e3o da Editora Abril usada, semelhante \u00e0quela que eu tinha vendido. O romance era t\u00e3o bom quanto eu me lembrava! Os fazendeiros russos, com sua avareza e mediocridade, s\u00e3o descritos com grande vivacidade e brilho &#8211; isto sem contar o inusitado da hist\u00f3ria. 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