{"id":1244,"date":"2015-07-04T12:44:30","date_gmt":"2015-07-04T12:44:30","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1244"},"modified":"2015-07-02T12:50:35","modified_gmt":"2015-07-02T12:50:35","slug":"dois-principes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1244","title":{"rendered":"Dois pr\u00edncipes"},"content":{"rendered":"<div id=\"id_54b342598dd4c9533724114\" class=\"text_exposed_root text_exposed\">O meu nome foi inspirado no personagem Pr\u00edncipe Fabrizio di Salina, do livro &#8220;O Leopardo&#8221;, escrito pelo tamb\u00e9m pr\u00edncipe\u00a0Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Li o romance na adolesc\u00eancia, mas n\u00e3o me lembrava de praticamente nada. Eu me recordava de alguma coisa do filme (tamb\u00e9m cl\u00e1ssico e dirigido pelo grande Luchino Visconti), que assisti h\u00e1 mais de dez anos. Sempre quis reler o livro cujo personagem ins<span class=\"text_exposed_show\"><span class=\"text_exposed_show\">pirou meu nome &#8211; o que acabei fazendo poucos dias atr\u00e1s.<\/span><\/span><\/div>\n<div class=\"text_exposed_root text_exposed\">\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&#8220;O Leopardo&#8221; (n\u00e3o por acaso comparado \u00e0s vezes com &#8220;Guerra e Paz&#8221;, de Leo Tolstoy) conta, atrav\u00e9s de seus personagens, a hist\u00f3ria das grandes transforma\u00e7\u00f5es pelas quais passou a It\u00e1lia no sec. XIX, \u00e9poca de sua reunifica\u00e7\u00e3o. O Pr\u00edncipe Fabrizio di Salina \u00e9 um nobre senhor de terras que \u00e9 obrigado a vender as suas propriedades, aos poucos, para sustentar os gastos da fam\u00edlia e do castelo onde vive. Mas ele ainda \u00e9 rico o bastante para n\u00e3o precisar trabalhar: para cultivar o \u00f3cio, divide-se entre amantes, ca\u00e7adas e uma bela carreira de astr\u00f4nomo amador (chega a ganhar pr\u00eamios oficiais de astronomia).<\/p>\n<p>Apesar de ter v\u00e1rios filhos, sua prefer\u00eancia vai para o sobrinho Tancredi, filho \u00f3rf\u00e3o de sua irm\u00e3 com um nobre arruinado. O grande acontecimento do livro \u00e9 o casamento de Tancredi com Angelica, a filha de don Calogero &#8211; um plebeu burgu\u00eas que tinha enriquecido enormemente comprando terras: aos olhos do nobre Fabrizio Salina, poucas coisas poderiam rivalizar em vulgaridade com a sovinice e a falta de requinte do pai de Angelica. Mas o Pr\u00edncipe e seu sobrinho sabem perfeitamente discernir os rumos da hist\u00f3ria que est\u00e1 se desenrolando debaixo de seus olhos: apesar de nobre, Tancredi se une aos revoltosos que, sob o comando de Garibaldi, batalham pela unifica\u00e7\u00e3o de It\u00e1lia (\u00e9 do personagem Tancredi a famosa frase &#8220;tudo deve mudar para que tudo fique como est\u00e1&#8221;), enquanto que Fabrizio di Salina (com um pouco de amargura, diga-se de passagem) permite que seu sobrinho case com a linda filha do burgu\u00eas novo-rico. &#8220;O Leopardo&#8221; \u00e9 um daqueles romances cl\u00e1ssicos em que os personagens fazem o que fazem por estarem imersos em um per\u00edodo hist\u00f3rico espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Muito diferente \u00e9 &#8220;O Pequeno Pr\u00edncipe&#8221;, de Antoine de Saint-Exup\u00e9ry, que reli tamb\u00e9m pouco tempo atr\u00e1s, na nova tradu\u00e7\u00e3o de Ferreira Gullar. (J\u00e1 o tinha lido duas vezes: uma, praticamente na inf\u00e2ncia, quando n\u00e3o tinha entendido o que Saint-Exup\u00e9ry queria dizer; e outra, muitos anos depois, quando percebi que o grande J.M.G. Le Cl\u00e9zio deve ter se inspirado no Pequeno Pr\u00edncipe para criar sua escrita po\u00e9tica.) O livro de Saint-Exup\u00e9ry, o preferido de James Dean, \u00e9 totalmente atemporal. Seus temas &#8211; o amor, a perda e a recupera\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia infantil, a pureza de inten\u00e7\u00f5es, a cr\u00edtica \u00e0 mesquinharia e \u00e0 fraqueza humanas (nos personagens, por exemplo, do rei, do b\u00eabado, do empres\u00e1rio, do vaidoso) -, suas frases c\u00e9lebres &#8211; &#8220;o essencial \u00e9 invis\u00edvel aos olhos&#8221;, &#8220;voc\u00ea \u00e9 eternamente respons\u00e1vel por aquilo que cativou&#8221; (na vers\u00e3o de Ferreira Gullar) &#8211; e seu fascinante personagem principal (um &#8220;pr\u00edncipe&#8221; bem diferente de Fabrizio di Salina!) n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com algum per\u00edodo hist\u00f3rico espec\u00edfico. Eles t\u00eam a ver com a pr\u00f3pria exist\u00eancia humana, em qualquer \u00e9poca, em qualquer lugar.<\/p>\n<\/div>\n<p><em>(texto publicado no <a href=\"http:\/\/www.mondobacana.com\/blogs\/dois-pra-ncipes.html\" target=\"_blank\">blog do Mondo Bacana<\/a> em 2014)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meu nome foi inspirado no personagem Pr\u00edncipe Fabrizio di Salina, do livro &#8220;O Leopardo&#8221;, escrito pelo tamb\u00e9m pr\u00edncipe\u00a0Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Li o romance na adolesc\u00eancia, mas n\u00e3o me lembrava de praticamente nada. Eu me recordava de alguma coisa do filme (tamb\u00e9m cl\u00e1ssico e dirigido pelo grande Luchino Visconti), que assisti h\u00e1 mais de dez anos. 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