{"id":1241,"date":"2015-07-03T12:38:51","date_gmt":"2015-07-03T12:38:51","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1241"},"modified":"2015-07-02T12:51:58","modified_gmt":"2015-07-02T12:51:58","slug":"georges-simenon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1241","title":{"rendered":"Georges Simenon"},"content":{"rendered":"<p>Eu tinha lido uma longa e elogiosa reportagem sobre o escritor belga Georges Simenon na Folha de S\u00e3o Paulo (sobre o lan\u00e7amento de todos os seus livros estrelados pelo personagem Maigret pela Companhia das Letras). Tinha achado interessante, mas n\u00e3o a ponto de correr atr\u00e1s. Posso afirmar, meio de brincadeira, que Simenon veio at\u00e9 mim: eu estava esperando na fila da padaria e vi, junto com outros livros de bolso da L&amp;PM, o romance &#8220;Maigret hesita&#8221;. Acabei comprando.<!--more--><\/p>\n<p>Situando a\u00a0<span class=\"text_exposed_show\">coisa: eu tinha lido uns dois ou tr\u00eas livros de Simenon no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, depois de ler uns dez da Agatha Christie (era quase crian\u00e7a, pensando bem: antes da autora inglesa, quase que s\u00f3 tinha lido Monteiro Lobato). Gostei dos livros de Simenon mas, de l\u00e1 para c\u00e1, praticamente deixei a literatura policial de lado. Hist\u00f3rias do tipo &#8220;o criminoso \u00e9 o mordomo&#8221; j\u00e1 n\u00e3o me atra\u00edam mais.<\/span><\/p>\n<div class=\"text_exposed_show\">\n<p>Dada a minha pouca aten\u00e7\u00e3o ao estilo, era de se esperar mesmo que eu tivesse come\u00e7ado &#8220;Maigret hesita&#8221; sem a maior das expectativas. Mas que surpresa! O livro estava muito distante de ser um daqueles da Agatha Christie, em que todo o foco vai para a resolu\u00e7\u00e3o de um crime. Nada disso. Simenon ia contando a hist\u00f3ria aos poucos, com uma profundidade psicol\u00f3gica not\u00e1vel. Os personagens pareciam reais, e quest\u00f5es \u00e9ticas iam aparecendo a todo tempo. Tudo isso com uma sutileza not\u00e1vel, j\u00e1 que muito do que era contado n\u00e3o era exatamente dito, mas sugerido.<\/p>\n<p>Fiquei t\u00e3o fascinado que acabei lendo v\u00e1rios outros livros de Simenon, todos com o comiss\u00e1rio Maigret (o decifrador de crimes que est\u00e1 para Simenon como Hercule Poirot est\u00e1 para Agatha Christie): &#8220;Maigret e o fantasma&#8221;, &#8220;Maigret e o matador&#8221;, &#8220;Maigret se defende&#8221;, &#8220;Maigret e o ladr\u00e3o pregui\u00e7oso&#8221;, &#8220;Maigret e os colegas americanos&#8221;. E por a\u00ed vai. Cada um deles com os profundos dramas dos personagens (v\u00edtimas e perpetradores), com a grande compreens\u00e3o humana de Maigret, com a prosa l\u00edmpida de\u00a0Georges Simenon, com a descri\u00e7\u00e3o detalhada do dia-a-dia de um comiss\u00e1rio da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria de Paris. As hist\u00f3rias v\u00e3o sendo contadas aos poucos: os crimes parecem at\u00e9 secund\u00e1rios diante do clima que Simenon cria. Al\u00e9m disso, o escritor &#8211; que assumia ter tido centenas de amantes &#8211; cria uma linda rela\u00e7\u00e3o, de afeto e cumplicidade, de Maigret com sua esposa.<\/p>\n<p>O livro mais recente de Simenon que li, &#8220;Maigret e o mendigo&#8221;, tem tudo isso e uma defini\u00e7\u00e3o do trabalho do comiss\u00e1rio que vale a pena registrar: &#8220;Maigret raramente conversava com sua mulher sobre uma investiga\u00e7\u00e3o em andamento. Ali\u00e1s, geralmente n\u00e3o a discutia com colaboradores mais pr\u00f3ximos, contentando-se em lhes dar instru\u00e7\u00f5es. Isso estava ligado \u00e0 sua forma de trabalhar, de tentar compreender, de se impregnar pouco a pouco da vida de gente que ele n\u00e3o conhecia na v\u00e9spera.&#8221; E assim fazemos os milh\u00f5es de leitores de Simenon mundo afora: nos impregnamos, aos poucos, com suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p><em>(texto publicado no <a href=\"http:\/\/www.mondobacana.com\/blogs\/maigret-e-o-mendigo-de-georges-simenon.html\" target=\"_blank\">blog do Mondo Bacana<\/a> em 2014)<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tinha lido uma longa e elogiosa reportagem sobre o escritor belga Georges Simenon na Folha de S\u00e3o Paulo (sobre o lan\u00e7amento de todos os seus livros estrelados pelo personagem Maigret pela Companhia das Letras). Tinha achado interessante, mas n\u00e3o a ponto de correr atr\u00e1s. 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