{"id":1226,"date":"2015-06-28T07:34:11","date_gmt":"2015-06-28T07:34:11","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1226"},"modified":"2015-06-28T16:29:16","modified_gmt":"2015-06-28T16:29:16","slug":"drudkh-e-hate-forest-traducoes-de-textos-feitas-em-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1226","title":{"rendered":"Drudkh e Hate Forest: tradu\u00e7\u00f5es de textos (feitas em 2006)"},"content":{"rendered":"<p>Roman Saenko \u00e9 um ucraniano respons\u00e1vel por duas das minhas bandas de metal extremo preferidas: Drudkh e Hate Forest. \u00c9 dif\u00edcil achar qualquer coisa sobre ele na internet &#8211; mesmo fotos s\u00e3o rar\u00edssimas.<\/p>\n<p>Para matar minha pr\u00f3pria curiosidade a respeito do assunto, traduzi os dois textos abaixo sobre suas bandas, obtidos no site franc\u00eas <a href=\"http:\/\/www.metalorgie.com\" target=\"_blank\">Metalorgie<\/a>.<!--more--><\/p>\n<blockquote><p><strong>HATE FOREST<\/strong><\/p>\n<p>Texto em franc\u00eas original obtido <a href=\"http:\/\/www.metalorgie.com\/metal\/groupes.php?id=805\">aqui<\/a>\u00a0(a p\u00e1gina foi atualizada desde a tradu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil achar informa\u00e7\u00f5es sobre o Hate Forest. Em uma \u00e9poca em que tudo se acelera, onde a internet tomou um lugar incontest\u00e1vel no mundo da m\u00fasica, a banda n\u00e3o tem site, praticamente n\u00e3o existem artigos a seu respeito, e praticamente n\u00e3o tem fotos. Para falar a verdade, apenas a Supernal Music, atual gravadora do grupo, tem um resumo sucinto que podemos encontrar em diferentes sites. Resta ent\u00e3o a paci\u00eancia, a coleta de informa\u00e7\u00f5es, obtidas daqui e dali em f\u00f3runs, blogs e por amadores.<\/p>\n<p>Este mist\u00e9rio \u00e9 obviamente uma vontade do pai do Hate Forest, Roman Saenko, que cultiva o mist\u00e9rio e a ambival\u00eancia em torno de seus diferentes projetos, principalmente daqueles os quais ele \u00e9 o cabe\u00e7a: Drudkh e Hate Forest. Enquanto que o Drudkh parece ser a face po\u00e9tica e quase exaltada de Saenko, o \u00a0Hate Forest \u00a0\u00e9, ao contr\u00e1rio, sua besta selvagem, que utiliza a forma do black metal, uma arma execr\u00e1vel e s\u00e1dica sacrificada \u00e0 sua causa. A discografia do grupo \u00e9 uma fogueira de \u00f3dio inacredit\u00e1vel e seus temas perpassam assuntos como elitismo humano (para n\u00e3o dizer racial) ou ainda a ideologia nietzscheana: a procura do \u00f3dio supremo parte de boas bases. Entretanto, Saenko evoca estes temas de maneira sutil, para deixar seu projeto um tanto amb\u00edguo. Afiliado, por observadores, ao movimento nacional socialista, que \u00e9 presente em numerosos grupos de black metal do leste da Europa, o Hate Forest jamais afirma explicitamente a ades\u00e3o a este tipo de ideologia, o que faz dele um grupo &#8220;\u00e0 parte&#8221;.<\/p>\n<p>Criada na Ucr\u00e2nia, a imunda cria\u00e7\u00e3o de um louco come\u00e7a a juntar seus peda\u00e7os em 1995. Depois se seguiram um bom n\u00famero de EPs, \u00e1lbuns, m\u00edni best-ofs entre os quais se destacam, notadamente, Scynthia (1999), The Most Ancient One (2001) e Purity (2003), verdadeiramente representativos dentro do conjunto da obra muito compacta do grupo &#8211; que, ali\u00e1s, n\u00e3o conhece uma evolu\u00e7\u00e3o real, mas sim caminha em uma fonte inesgot\u00e1vel de inspira\u00e7\u00e3o raw black, em que apenas o mal parece dominar o que sai dali. Citemos, entretanto, Battlefields (2003), experimenta\u00e7\u00e3oo realmente \u00e0 parte do grupo, onde cantos folcl\u00f3ricos ucranianos servem a um desespero de um black\/doom de fundo quase pag\u00e3o, mas sempre cheio de \u00f3dio. Este disco continua, at\u00e9 hoje, como a \u00fanica fonte de diversidade na discografia de Hate Forest. E \u00e9 em 2005, com Sorrow, que o grupo parece ter entregado a alma. Com efeito, numerosos boatos correram a Europa dizendo que este seria seu \u00faltimo \u00e1lbum. O grupo ter\u00e1 sido, entretanto, um dos pontas de lan\u00e7a deste movimento black metal vindo dos pa\u00edses da ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e continua como exemplo em mat\u00e9ria de sucesso (relativo, \u00e9 claro) adquirido gra\u00e7as ao boca a boca.<\/p>\n<p>Deixando de lado Battlefields, a descoberta de um disco do Hate Forest sempre tem os mesmos efeitos em algum inadvertido. Para al\u00e9m das horrorosas caixas de cds mostrando florestas, muitas vezes com neve, em um estado de devasta\u00e7\u00e3o avan\u00e7ado, musicalmente falando a primeira audi\u00e7\u00e3o d\u00e1 sempre a impress\u00e3o de um maci\u00e7o de \u00f3dio totalmente intrag\u00e1vel e de uma linearidade gigantesca, que faz o ouvinte querer abandonar rapidamente este supl\u00edcio. Este efeito diminui, obviamente, \u00e0 medida que se avan\u00e7a na obra do grupo, com a condi\u00e7\u00e3o de que se persevere e que se ache interesse nesta m\u00fasica &#8211; o que n\u00e3o \u00e9 a vontade de todo o mundo, concordo. Mas Roman Saenko n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed, certamente, se vai agradar ou n\u00e3o. Ele quer apenas espalhar no mundo a maior quantidade de \u00f3dio poss\u00edvel, seu desgosto pela ra\u00e7a humana via ideologias discut\u00edveis, mas que combinam perfeitamente com a obra. Pouco importa, al\u00e9m disso, que algu\u00e9m adira: o que se procura em Hate Forest \u00e9 o \u00f3dio. Um \u00f3dio p\u00fatrido e vicioso, universal, inclusive contra voc\u00ea mesmo, que o deixar\u00e1 forte, mas que o destruir\u00e1 selvagemente.<\/p>\n<p>Sorrow n\u00e3o foge \u00e0 regra, embora tenha uma produ\u00e7\u00e3o bem melhor do que os anteriores. Com boatos que dizem que \u00e9 o \u00faltimo \u00e1lbum do grupo (de todo o modo, depois de 10 anos espalhando \u00f3dio), ele n\u00e3o, entretanto, muda o registro. N\u00f3s estamos ainda diante de um raw black de incr\u00edvel intensidade. Do in\u00edcio ao fim, o disco n\u00e3o concede absolutamente nada. A bateria e seu som dos pratos sempre particular (que sempre me faz pensar em uma marreta que martela inexoravelmente as pedras de uma mina profunda na Ucr\u00e2nia) batem sempre em um ritmo infernal, sem interrup\u00e7\u00f5es. Os riffs s\u00e3o sempre imponentes e frios, e suas melodias com a mesma inspira\u00e7\u00e3o dissonante, raras no black metal, algumas vezes colocadas em destaque por elementos ambientes discretos. Para mim, estas melodias oferecem uma das evolu\u00e7\u00f5es identific\u00e1veis (com dificuldade, \u00e9 verdade) em Sorrow: mais alegres (Fullmoon), mais constantes igualmente em suas evolu\u00e7\u00f5ees, elas permitem ao ouvinte, uma vez que se completou a sua assimila\u00e7\u00e3o, de ficar quase sem f\u00f4lego do in\u00edcio ao fim das musicas, quase em estado de sublima\u00e7\u00e3o. Tenha cuidado, entretanto, mais uma vez: Hate Forest n\u00e3o tem nenhuma inten\u00e7\u00e3o de te trazer sentimentos magn\u00edficos; ao contr\u00e1rio, a banda quer que voc\u00ea encare os seus sentimentos mais vis, mais mesquinhos &#8211; e isto bem mais que em qualquer outro grupo de black metal, te destruindo lentamente, at\u00e9 que voc\u00ea se sinta totalmente submisso a Saenko, que te ataca com sua crueldade desumana sem avisar, com seu grunhido impiedoso, sempre pr\u00f3ximo das fronteiras do death metal.<\/p>\n<p>Sorrow praticamente n\u00e3o muda sua receita, e desde o in\u00edcio de sua carreira o Hate Forest a utiliza, e dever\u00edamos come\u00e7ar a nos cansar dela. Entretanto, isto n\u00e3o acontece. O grupo sempre teve este lado atraente, quase celeste, que nos leva a escutar o disco de novo e de novo, at\u00e9 que possamos discernir suas entranhas e sentir plenamente todo este \u00f3dio, mais intensa depois de um tempo do que quando a escutamos pela primeira vez.<\/p>\n<p>Mesmo com o Hate Forest utilizando desde sempre os clich\u00eas que deram forma ao black metal, ele faz isso maravilhosamente, indo at\u00e9 a sua ess\u00eancia e juntando uma personalidade incrivelmente rara para o estilo. Aten\u00e7\u00e3o, Sorrow \u00e9 dirigido sobretudo a um p\u00fablico prevenido, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras (que, estejamos de acordo, t\u00eam rela\u00e7\u00e3o apenas com o seu autor) quanto \u00e0 sonoridade. Mas se voc\u00ea precisar de um elixir de desgosto, voc\u00ea vai encontrar um dos grupos melhores grupos do mundo para este fim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DRUDKH<\/strong><\/p>\n<p>Texto em franc\u00eas original obtido <a href=\"http:\/\/www.metalorgie.com\/metal\/groupes.php?id=1124\">aqui<\/a>\u00a0(a p\u00e1gina foi atualizada desde a tradu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O Drudkh nasceu em 2002 das m\u00e3os do frontman do grupo ucraniano Hate Forest. Trabalhando num estilo black metal raivoso e odioso no seu primeiro projeto, Roman Saenko necessitou explorar a face mais doce e melanc\u00f3lica de sua criatividade. Cantando os elogios ao nacionalismo ucraniano e ariano, como um bom n\u00famero de grupos na Europa do Leste, o Drudkh \u00e9 considerado um grupo de ideias entrevadas, mas \u00e9 fundamental consider\u00e1-las dentro do contexto cultural da na\u00e7\u00e3o, e reter apenas o aspecto art\u00edstico da obra lan\u00e7ada por Saenko.<\/p>\n<p>Forgotten Legends, o primeiro \u00e1lbum do grupo, foi gravado rapidamente depois da forma\u00e7\u00e3o do grupo, que foi criado apenas para ser um projeto de est\u00e1dio. O estilo \u00e9 um black metal atmosf\u00e9rico e suicida, compar\u00e1vel a atmosferas do Burzum no melhor de sua forma, mas com uma pegada totalmente eslava, uma vontade mel\u00f3dica fort\u00edssima e, sobretudo, uma melancolia incompar\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2004 \u00e9 lan\u00e7ado Autumn Aurora, que utiliza a mesma receita de seu antecessor, com muito mais maturidade, contudo, e at\u00e9, radicaliza\u00e7\u00e3o nas emo\u00e7\u00f5es e melodias. Considerada, desde ent\u00e3o, como constitu\u00edda de duas obras-primas, a discografia do Drudkh, contudo, decepcionou muita gente com The Swan Road (2005), caindo um pouco na qualidade mas, ao mesmo tempo, prefigurando as mudan\u00e7as encontradas em Blood In Our Wells (2006), \u00faltimo \u00e1lbum at\u00e9 aqui da forma\u00e7\u00e3o, que foi lan\u00e7ado depois do final oficial das atividades do Hate Forest. Com uma pegada ainda mais mel\u00f3dica, evolu\u00e7\u00f5es mais diversificadas, sem perder contudo a coes\u00e3o, este disco ratifica o status da forma\u00e7\u00e3o ucraniana nos meandros do black metal underground.<\/p>\n<p>The Swan Road deixou o Drudkh enfraquecido, certamente em sua pior forma desde o in\u00edcio. T\u00edpico \u00e1lbum de transi\u00e7\u00e3o, o disco nos deixou um pouco perdidos, ainda mais depois do an\u00fancio do fim do Hate Forest, que fez com que parecesse que Saenko estava, quem sabe, em seu decl\u00ednio art\u00edstico. Mas n\u00e3o. O orgulho nacionalista tem, ao que parece, uma tenacidade sem limites, mas o que faz a qualidade deste novo esfor\u00e7o do projeto ucraniano vem bem mais certamente da fibra art\u00edstica de seu genitor, que nos faz esquecer totalmente suas ideias duvidosas.<\/p>\n<p>Desde os primeiros acordes de Nav&#8217; encontramos esta atmosfera pag\u00e3o, feita de cantos tradicionais e de instrumentos de folclore ucraniano. Drudkh abre as portas de seu mundo, um mundo triste e belo, onde a esperan\u00e7a s\u00f3 existe na comunh\u00e3o de todo um povo com suas origens. Furrows of God nos coloca totalmente neste universo e descobrimos com prazer esta guitarra com doce satura\u00e7\u00e3o que transmite uma energia dissimulada atrav\u00e9s de lamentos imponentes e incrivelmente sombrios. Desde esta faixa, e em todo Blood In Our Wells, encontramos um Drudkh com melodias ainda mais refinadas que antes, mais atordoantes, mais bem colocadas, e que certamente pegam pelas v\u00edsceras como nunca Saenko tinha feito antes neste projeto. Est\u00e1 bem a\u00ed a enorme for\u00e7a de car\u00e1ter deste disco do ucraniano que d\u00e1 uma nova dimens\u00e3o mel\u00f3dica \u00e0 sua m\u00fasica, utilizando um bom n\u00famero de t\u00e9cnicas poss\u00edveis na guitarra: arpejos, acordes, harm\u00f4nicas, incorporadas \u00e0s faixas por graciosas progress\u00f5es passando por solos mais pesados e elaborados que nunca, e seus eternos interl\u00fadios folk ac\u00fasticos, ou ambientes (feitos de camadas de guitarras superpostas). Blood In Our Wells lan\u00e7a um v\u00e9u \u00fanico, ligeiro e frio aos confins da long\u00ednqua e selvagem Ucr\u00e2nia, frequentemente mid-tempo e doce, mas \u00e0s vezes cheios de mudan\u00e7as de ritmos e normalmente bem pensados. Nas passagens mais virulentas, Saenko endurece seu canto gutural, o carrega com m\u00e1s emo\u00e7\u00f5es e a bateria, normalmente leve, se faz mais presente e volumosa, levando a uma pulsa\u00e7\u00e3o at\u00e9 um charleston dos mais pesados. Com evolu\u00e7\u00f5es de relevos t\u00e3o inesperados quanto desorientadores, as faixas de Blood In Our Wells imergem totalmente neste oceano de amargura mel\u00f3dica, de solid\u00e3o eterna, revelando uma faceta \u00fanica do black metal, embora com uma pegada t\u00edpica dos grupos da Europa do Leste.<\/p>\n<p>De v\u00e1rias faces, a irm\u00e3zinha de Hate Forest toma a dianteira de uma obra lan\u00e7ada por um personagem decididamente muito esperto, e este novo \u00e1lbum mostra sua ambi\u00e7\u00e3o. Digamos, para terminar, que Drudkh, a entidade mais melanc\u00f3lica da cena black metal, amplificou seu sofrimento com a morte de sua metade e que isto n\u00e3o foi ruim para Blood In Our Wells, que se tornou uma p\u00e9rola rara, oferecendo uma enorme evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s primeiras obras-primas do grupo, lhe dando um sabor mais suculento ainda, sempre conservando sua identidade j\u00e1 indivis\u00edvel. Blood In Our Wells \u00e9 um destes discos de black de rara magia, e seria lament\u00e1vel voc\u00ea privar-se dele, caso seja um mel\u00f4mano prevenido.<\/p><\/blockquote>\n<p><em>(tradu\u00e7\u00f5es feitas em 2006)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roman Saenko \u00e9 um ucraniano respons\u00e1vel por duas das minhas bandas de metal extremo preferidas: Drudkh e Hate Forest. \u00c9 dif\u00edcil achar qualquer coisa sobre ele na internet &#8211; mesmo fotos s\u00e3o rar\u00edssimas. 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