{"id":1112,"date":"2015-06-08T15:18:59","date_gmt":"2015-06-08T15:18:59","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1112"},"modified":"2015-06-08T15:18:59","modified_gmt":"2015-06-08T15:18:59","slug":"marie-de-bernadaky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1112","title":{"rendered":"Marie de Bernadaky"},"content":{"rendered":"<p>Por mais que eu tente, n\u00e3o conseguiria exagerar a import\u00e2ncia de Marcel Proust na minha hist\u00f3ria, como direi, &#8220;liter\u00e1ria&#8221;. <!--more-->Li os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, no final dos anos 80, quase que de uma sentada. Tudo na obra me fascinou: as enormes digress\u00f5es em que o autor nunca perde o fio da meada; as descri\u00e7\u00f5es de m\u00fasicas, pinturas e pe\u00e7as de teatro (muitas delas imaginadas por Proust); as rela\u00e7\u00f5es inesperadas entre fatos ou sensa\u00e7\u00f5es que nada parecem ter a ver um com os outros; o estilo. A obra \u00e9 composta em primeira pessoa por um personagem cujo nome praticamente nunca aparece, mas que \u00e9 quase que totalmente baseado no pr\u00f3prio Proust: &#8220;Em Busca do Tempo Perdido&#8221; \u00e9, ao mesmo tempo, um romance e uma esp\u00e9cie diferente de livro de mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Como tantos outros proustman\u00edacos, sempre tive o desejo de reler &#8220;Em Busca do Tempo Perdido&#8221; e, desde que terminei de ler a obra, tentei atingir este objetivo algumas vezes. Cheguei uma vez at\u00e9 \u00e0 metade de &#8220;O Caminho de Guermantes&#8221;, o terceiro da s\u00e9rie, mas parei por ali. Nestas tentativas, acho que j\u00e1 cheguei a reler &#8220;O Caminho de Swann&#8221;, o primeiro livro, umas duas ou tr\u00eas vezes.<\/p>\n<p>A minha mais recente tentativa de releitura em &#8220;Em Busca do Tempo Perdido&#8221; come\u00e7ou uns dois anos atr\u00e1s. Li os dois e maiores cap\u00edtulos de &#8220;O Caminho de Swann&#8221;, &#8220;Combray&#8221; e &#8220;Um Amor de Swann&#8221;, em portugu\u00eas, e parei de novo. Recentemente resolvi retomar a leitura, mudando um pouco a &#8220;t\u00e1tica&#8221;: duas p\u00e1ginas por dia em franc\u00eas, com dicion\u00e1rio (eu odeio ler em outras l\u00ednguas com dicion\u00e1rio). Quem sabe agora vai. Com esta nova &#8220;metodologia&#8221; de leitura, j\u00e1 terminei o terceiro, \u00faltimo e mais curto cap\u00edtulo de &#8220;O Caminho de Swann&#8221;, chamado &#8220;Nome de Terras: O Nome&#8221;.<\/p>\n<p>O assunto mais importante (praticamente o \u00fanico) de &#8220;Nome de Terras: o Nome&#8221; \u00e9 o amor do autor por Gilberte Swann, a filha de um amigo dos pais dele, Charles Swann (o personagem principal do segundo cap\u00edtulo de &#8220;O Caminho de Swann&#8221;, &#8220;Um Amor de Swann&#8221; &#8211; praticamente um romance \u00e0 parte dentro de &#8220;Em Busca do Tempo Perdido&#8221;).<\/p>\n<p>\u00c9 pat\u00e9tico o amor do personagem autor por Gilberte: eles se encontram sempre no jardim dos Champs Elis\u00e9es, em Paris, e a grande expectativa da vida de Proust era saber se ela iria tamb\u00e9m, para brincarem juntos: se chovesse, ou nevasse, ela provavelmente n\u00e3o iria e a tristeza do autor seria enorme. A luta dele com as nuvens amea\u00e7adoras do c\u00e9u \u00e9 uma das muitas passagens inesquec\u00edveis do cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>Gilberte Swann na vida real chamava-se Marie de Bernadaky, e era uma filha de um nobre polon\u00eas. Foi o grande amor da inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia de Proust, e at\u00e9 o final da vida ele se referiria a ela como &#8220;o grande amor de sua vida&#8221;. Marie de Bernadaky n\u00e3o correspondia ao amor do futuro escritor, e a m\u00e3e dele tamb\u00e9m n\u00e3o aprovava esta paix\u00e3o, j\u00e1 que ela causava um grande sofrimento para ele. Com isto, Proust acabou decidindo nunca mais ver Marie de Bernadaky (o que realmente acabou ocorrendo).<\/p>\n<p>Depois deste trauma inicial, Proust come\u00e7ou a procurar em outros homens o amor que a menina que amara n\u00e3o tinha lhe dado. Se ele teria sido heterossexual caso Marie de Bernadaky tivesse lhe correspondido \u00e9 uma quest\u00e3o que jamais ser\u00e1 respondida.<\/p>\n<p><em>(texto publicado no <a href=\"http:\/\/www.mondobacana.com\/blogs\/gilberte-swann.html\">Mondo Bacana<\/a> em 11 de fevereiro de 2015)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais que eu tente, n\u00e3o conseguiria exagerar a import\u00e2ncia de Marcel Proust na minha hist\u00f3ria, como direi, &#8220;liter\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1113,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"image","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[58],"class_list":["post-1112","post","type-post","status-publish","format-image","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-marcel-proust","post_format-post-format-image"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1112"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1115,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1112\/revisions\/1115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}