{"id":1005,"date":"2015-06-02T03:22:55","date_gmt":"2015-06-02T03:22:55","guid":{"rendered":"http:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1005"},"modified":"2015-06-02T03:30:48","modified_gmt":"2015-06-02T03:30:48","slug":"john-coltrane","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabriciomuller.com.br\/wp\/?p=1005","title":{"rendered":"John Coltrane"},"content":{"rendered":"<p>Eu tenho uma impress\u00e3o meio boba sobre o cinema, que \u00e9 a seguinte: pra mim, tanto \u201cLimite\u201d, de M\u00e1rio Peixoto, quanto os filmes do sueco Ingmar Bergman <em>n\u00e3o s\u00e3o bem cinema, s\u00e3o outra coisa<\/em>. Como \u00e9 que eu posso explicar isso, n\u00e3o sei. \u00c9 \u00f3bvio que Limite e Bergman s\u00e3o cinema &#8211; mas pra mim a coisa <em>\u00e9 e<\/em> <em>n\u00e3o \u00e9 bem assim<\/em>. Quando penso em cinema (em John Ford ou Yasujiro Ozu, por exemplo) penso em filmes, atores e diretores <em>que fazem parte da hist\u00f3ria do cinema<\/em>. <!--more-->J\u00e1 Bergman e Limite, pra mim, s\u00e3o t\u00e3o extraordin\u00e1rios que est\u00e3o \u00e0 parte. N\u00e3o fazem parte da hist\u00f3ria do cinema. \u00c9, eu sei que isso \u00e9 bobo.<\/p>\n<p>De todo modo, com uma exce\u00e7\u00e3o que comentarei a seguir, isto n\u00e3o me acontece em outros ramos da arte. Por mais que eu goste de Bach e Schumann, nunca me passa pela cabe\u00e7a que os dois n\u00e3o fa\u00e7am parte da hist\u00f3ria da m\u00fasica erudita; ou que Mississippi Fred McDowell e Sonny Boy Williamson n\u00e3o fa\u00e7am parte da hist\u00f3ria do blues; ou que Jean-Marie Gustave Le Cl\u00e9zio ou Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez n\u00e3o fa\u00e7am parte da hist\u00f3ria da literatura; ou que Electric Wizard ou Velvet Cacoon n\u00e3o fa\u00e7am parte da hist\u00f3ria do metal; ou que Morrissey e Bones n\u00e3o fa\u00e7am parte da m\u00fasica pop.<\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o saxofonista John Coltrane (1926-1967) com o jazz. Algum conhecedor da hist\u00f3ria dele poderia pensar que isso se deve ao fato de que seu disco \u201cA love supreme\u201d, de 1965 (quase sempre presente nas listas dos melhores discos do estilo em todos os tempos) \u201ctentou ser um \u00e1lbum espiritual, representativo de uma luta pessoal pela pureza, mostrando uma profunda gratid\u00e3o como artista, ao mesmo tempo que admite que seu talento n\u00e3o \u00e9 propriedade sua, mas a de um poder espiritual mais alto\u201d (obrigado, Wikipedia). Mas \u201cA love supreme\u201d nem \u00e9 o meu disco preferido dele! Gosto mais de \u201cBlue train\u201d, \u201cLush life\u201d, \u201cPrestige 7105\u201d, \u201cSoultrane\u201d, por exemplo. S\u00e3o tantas obras-primas seguidas que \u00e9 at\u00e9 injusto citar alguma m\u00fasica.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1 pra explicar. John Coltrane n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 jazz. \u00c9 mais que isso (como Bergman e \u201cLimite\u201d etc etc). \u00c9 bobo, mas \u00e9 assim mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tenho uma impress\u00e3o meio boba sobre o cinema, que \u00e9 a seguinte: pra mim, tanto \u201cLimite\u201d, de M\u00e1rio Peixoto, quanto os filmes do sueco Ingmar Bergman n\u00e3o s\u00e3o bem cinema, s\u00e3o outra coisa. Como \u00e9 que eu posso explicar isso, n\u00e3o sei. \u00c9 \u00f3bvio que Limite e Bergman s\u00e3o cinema &#8211; mas pra mim a coisa \u00e9 e n\u00e3o \u00e9 bem assim. 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