Entre as mulheres tu avanças,

Teu sorriso frequentemente se angustia:

Eles vieram, os dias de medo.

Branca sobre a sebe a papoula morre.

 

Como teu corpo com um inchar tão bonito

A vinha de ouro amadurece sobre a colina.

Cintila ao longe o espelho da lagoa

E bate a foice nos campos.

 

Nas sarças correm os orvalhos

Vermelhas as folhas escoam até a terra.

Para saudar sua mulher querida

Um Mouro, moreno e rude se aproxima.

 

(Maternidade bendita, de Georg Trakl – traduzido da versão francesa de Jacques Legrand)

Maternidade bendita, de Georg Trakl
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15 de abril de 2015 0
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Janelas, canteiros vivos,
O canto do órgão entra.
Sombras dançam no muro,
De maneira estranha, a ronda louca.

 

As moitas queimando voam com clareza,
Um enxame de moscas vibra.
No campo as foices ceifam
E uma água antiga canta.

 

Quem com seu sopro me acaricia?
Sinais loucos de andorinhas.
No infinito baixinho escoa
A grande floresta dourada.

 

Chamas brilham nos canteiros.
A ronda louca se exalta
Sobre a parede amarela.
Alguém olha na porta.

 

Incenso e pera cheiram bem,
Vidro e arca se obscurecem.
Queimando lentamente, a face
Se inclina em direção às estrelas brancas.

 

(Em um quarto abandonado, de Georg Trakl – traduzido da versão francesa de Jacques Legrand)

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Limite, de Mário Peixoto
Cinema
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12 de abril de 2015 0
Já nem lembro direito há quanto tempo assisti Limite, de Mário Peixoto, pela primeira vez. Mas lembro que saí de lá com cara de trouxa. Assim como tinha saído da Cinemateca tantas vezes com cara de trouxa, saí da sessão, mais uma vez, com cara de trouxa. Eu acho que tinha assistido uma documentário sobre […]
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