Vladimir Nabokov

Melhores livros lidos em 2016
Literatura
Melhores livros lidos em 2016
28 de dezembro de 2016 at 19:46 0
  1. “Fogo pálido”, de Vladimir Nabokov: um poema relativamente curto e páginas e páginas de notas num romance que influenciou meu próprio romance.
  2. “A Morte do Pai”, de Karl Ove Knausgard: a adolescência, o início da idade adulta e a complicada relação com o pai deste escritor que tem obras tão envolventes que certamente são publicadas no Paraíso.
  3. “Linha M”, de Patti Smith: como o de cima, também de memórias e também com vendas garantidas no Paraíso.
  4. “Ligue os Pontos – Poemas de Amor e Big Bang”, de Gregório Duviver: os poemas de Gregório Duvivier, humorista conhecido por todo o mundo, são de uma beleza surpreendente.
  5. “O livro de Oseias”: Deus manda o seu profeta casar com uma prostituta. Não precisa falar muito mais.
  6. “O Jardim Secreto”, de Frances Hodgson Burnett: personagens deliciosos, um jardim cheio de belezas e mistérios.
  7. “Paraíso Perdido”, de Cees Nooteboom: uma história estranha que envolve duas mulheres, o Brasil, a Austrália e um monte de anjos.
  8. “O homem que amava os cachorros”, de Leonardo Padura: o assassinato de Trotski num verdadeiro tour-de-force literário.
  9. “Amanhã na batalha pensa em mim”, de Javier Marías: o homem errado, no lugar errado, com a mulher errada. Como consertar o que não tem conserto?
  10. “Vida de um homem: Francisco de Assis”, de Chiara Frugoni: a autora tenta nos contar quem era São Francisco de Assis, e do seu livro emerge um sujeito meio louco (louco de Deus?), profundamente bondoso, corajoso e bem-humorado.
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“Fogo Pálido”, de Vladimir Nabokov
Literatura
“Fogo Pálido”, de Vladimir Nabokov
20 de dezembro de 2016 at 16:40 0
No início do ano que vem lanço o meu primeiro romance, “Um amor como nenhum outro”. As influências mais marcantes são Philip Roth (especialmente o de “Complexo de Portnoy”), Morrissey (tanto pelas letras como pelo seu malvisto, mas muito bom, List of the Lost, pela temática e pelo tamanho), e Nabokov (1899-1977). É sobre este último que vou falar aqui. “Fogo Pálido” provavelmente seja o melhor livro do autor russo emigrado depois da Revolução Soviética de 1917 – ele era de família rica e “aristocrática liberal” e, como muitos de seus romances, este tem personagens na mesma condição que ele, russos tentando se virar no Ocidente. Mas não é essa a característica que influenciou a escrita do meu romance: foi o “narrador não-confiável”, presente em boa parte de seus melhores livros (“Lolita”, “Ada ou Ardor”, “Desespero”) e que chega à perfeição neste “Fogo Pálido”. Já pela própria estrutura o livro é muito original: consta de um prefácio de umas 10 páginas, escrito pelo próprio narrador, Charles Kinbote, de um poema de mil versos que ocupa cerca de 28 páginas, chamado “Fogo Pálido” e escrito por outro personagem, o poeta e professor universitário John Shade e, finalmente, das notas de Charles Kinbote, que ocupam as restantes das 236 páginas da minha edição do Círculo do Livro: em outras palavras, as notas ocupam mais de 85% do livro. O poema do personagem John Shade é autobiográfico e melancólico, falando de dilemas existenciais e da filha falecida, triste e solitária. Já as notas de Charles Kinbote são coisa de doido: refugiado de um país imaginário próximo da Rússia, Zembla, e vizinho de John Shade, Kinbote faz comentários sobre o poema que aparentemente não fazem o menor sentido. Ele relaciona versos que só parecem ter a ver com a vida do próprio poeta com os acontecimentos em Zembla, que passara por uma revolução nos moldes da Russa de 1917. Nas notas (que, na verdade, são o cerne do romance) o leitor fica imaginando o que tem de verdade e o que tem de mentira nas histórias malucas de Charles Kinbote – e Nabokov, genial como sempre, não deixa de dar sinais de que tudo aquilo não passa de uma maluquice de um sujeito com mania de grandeza. Ao contrário de Nabokov, com meu livro não pretendi dar um nó na cabeça de ninguém. Mas que não dá para confiar no que o meu Raul escreve, ah não dá não.
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Pnin, de Vladimir Nabokov
Literatura
Pnin, de Vladimir Nabokov
5 de julho de 2015 at 19:30 0
Jorge Luis Borges escreveu o seguinte: "Toda a boa literatura é uma forma de alegria, e nenhum autor me deu tantas alegrias quanto Chesterton". Acho que o "meu Chesterton" é Vladimir Nabokov. Não sei se outro escritor me diverte tanto. (mais…)
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