Philip Roth

Rápidos comentários sobre livros lidos – 8
Literatura
Rápidos comentários sobre livros lidos – 8
3 de novembro de 2015 at 01:30 0
Uma pena que o primeiro livro J.M.G. Le Clézio, prêmio Nobel de Literatura de 2008, sobre o qual escrevo seja Révolutions (Gallimard). Sou um grande admirador do autor, e gostava de seus livros antes mesmo de ele ter recebido o Nobel. Suas obras frequentemente têm longos períodos em que nada parece acontecer, mas os finais são tão bonitos que fazem com que o todo faça sentido. Seus livros são plenos de bons sentimentos e poesia - mas nunca sentimentaloides ou apelativos. (mais…)
Leia mais +
Rápidos comentários sobre livros lidos – 7
Literatura
Rápidos comentários sobre livros lidos – 7
1 de novembro de 2015 at 01:22 0
Começamos pelo melhor: Summertime, do Prêmio Nobel de 2003 J.M. Coetzee (Viking - a edição brasileira se chama Verão, e foi publicada pela Companhia das Letras) é o terceiro volume das "memórias" do autor, e trata de vida de Coetzee na África do Sul, no início dos anos setenta. O livro composto por uma série de entrevistas, feitas por um jovem jornalista, com pessoas que conheceram Coetzee, inclusive uma brasileira pela qual Coetzee esteve apaixonado.  Uma das muitas coisas inusitadas em Summertime é que, no livro, Coetzee já está morto, o que na realidade não aconteceu - o grande escritor está vivinho da silva. Outro exemplo é que, no início dos aos setenta, o autor estava casado e com filhos, enquanto que em Summertime ele é celibatário e vive com o pai. A partir desta premissa falsa, torna-se claro que Coetzee, propositadamente, escreveu uma obra que é um híbrido de ficção e realidade - e o leitor fica sem saber onde começa uma e termina outra. Summertime mostra um Coetzee estranho, solitário e calado. Uma das mulheres entrevistadas diz que ele passa a sensação de ser "de madeira", de tão frio que é; em outro trecho é dito que ele é o tipo de pessoa que "não causa nenhuma impressão dos outros"; a brasilera, por quem Coetzee sofre uma paixão avassaladora e patética, se irrita profundamente com ele; e a única relação do autor que parece mal resolvida é com sua prima de primeiro grau, que parece ainda ter mais do que uma queda por ele. Em Summertime, os depoimentos não chegam a se contradizer, mas frequentemente temos a sensação de ver o autor muito de longe, como se fosse impossivel chegar no "Coetzee real". É esta sensação geral de mistério e esquisitice que faz com que Summertime possa ser considerada, sem exagero, uma obra-prima. (mais…)
Leia mais +
Balzac, Mann, Roth
Literatura
Balzac, Mann, Roth
13 de outubro de 2015 at 03:25 0
Foram férias boas, aquelas dos anos 80. Eu treinava natação mais ou menos até às dez da manhã e jogava futebol de salão até ao meio-dia. Depois do almoço, sentava numa cadeira de praia no meu quarto e lia até não poder mais. O meu autor preferido era o alemão Thomas Mann (1875-1955): a impressionante história de uma família burguesa (“Os Buddenbrooks”), discussões filosóficas num sanatório para tuberculosos (“A Montanha Mágica”), um compositor erudito que vende alma para o diabo para fazer obras perfeitas (“Doutor Fausto”), a impressionante história bíblica de José e seus irmãos contada em mais de mil páginas (“José e seus irmãos”), um monólogo interior de Goethe (“Carlota em Weimar”), contos espetaculares (“Mario e o mágico”). A decadência da nobreza, a ascensão da burguesia e o papel da Arte e do Artista na sociedade são seus principais temas. Li tudo dele em que consegui colocar as mãos - e não devo ter lido nada de Thomas Mann de 1990 para cá. (mais…)
Leia mais +
Rápidos comentários sobre livros lidos – 4
Literatura
Rápidos comentários sobre livros lidos – 4
25 de agosto de 2015 at 13:08 0

Tenho uma razoável noção da Segunda Guerra Mundial, graças ao bom número de livros que li sobre o assunto: a guerra em si, o Holocausto, o Terceiro Reich. Por outro lado, o que eu sabia sobre a Primeira Guerra Mundial (a “Grande Guerra”) praticamente se resumia ao que se comenta sobre ela nos livros sobre a Segunda Guerra – principalmente, sobre as duras condições impostas aos derrotados alemães no Tratado de Versalhes, assinado em 1919, que foi um fator decisivo para a deflagração da guerra de 39/45. (mais…)

Leia mais +
“Complô contra a América”, de Philip Roth
Literatura
“Complô contra a América”, de Philip Roth
8 de agosto de 2015 at 06:26 0
Charles Lindberg era antissemita e um herói da aviação (foi o primeiro ser humano a atravessar num voo solitário o Oceano Atlântico, em 1927). Ele foi um dos líderes da campanha americana para que os Estados Unidos não participassem da Segunda Guerra Mundial. O que aconteceria se este sujeito fosse alçado à condição de presidente na eleição de 1940 (que, na realidade,  foi vencida por Franklin Delano Roosevelt)? É o que especula o grande Philip Roth em Complô contra a América (Companhia das Letras). A "presidência Lindberg", como era de se esperar, é bastante mais dura para com os judeus do que foi  a de Roosevelt - e os acontecimentos daqueles anos loucos anos é o tema do livro, contado em primeira pessoa por um personagem (que também se chama Philip Roth) que na época tinha cerca de oito anos. (mais…)
Leia mais +
Rápidos comentários sobre livros lidos – 2
Literatura
Rápidos comentários sobre livros lidos – 2
3 de maio de 2015 at 21:20 0
Austerlitz, de W.G.Sebald (Companhia das Letras): Austerlitz é um sujeito de grande cultura geral, que fascina o personagem que é o narrador deste espetacular romance do alemão W.G.Sebald, falecido em 2001. Os encontros do narrador com Austerlitz acontecem meio aleatoriamente, em períodos muitos espaçados  e em diferentes países da Europa. Os comentários sobre arquitetura, arte e literatura de Austerlitz são profundos e interessantes. (mais…)
Leia mais +