Molière

“O Misantropo”, de Molière
Literatura
“O Misantropo”, de Molière
19 de novembro de 2017 at 19:46 0
Alceste é um sujeito correto. Correto demais, para falar a verdade. Não aceita hipocrisia. Fala a verdade, doa a quem doer. Um admirador dele, Oronte, lhe mostra um soneto e Alceste lhe responde que ele deveria parar com a poesia, já que o soneto é odioso. Reclama com seu amigo Philinte porque ele trata bem gente que não conhece direito, ou que tem má fama. Mas Alceste tem um ponto fraco: Célimène, garota por quem é apaixonado, é uma conhecida manipuladora dos sentimentos dos homens – mas dela o nosso Alceste perdoa tudo. Este é um resumo de “O Misantropo”, peça de Molière encenada pela primeira vez em 1666 (Jorge Zahar, 130 páginas, tradução de Barbara Heliodora). Na introdução da peça, Barbara Heliodora comenta que, em outras duas peças do francês Molière (1622-1673), “O Avarento” e “Tartufo”, já comentadas aqui, o dramaturgo criticava com cores fortes tanto a avareza do protagonista da primeira peça quanto a hipocrisia religiosa do da segunda. Ainda segundo Heliodora, em “O Misantropo”, “porém, a questão é muito mais sutil, e o protagonista é criticado por levar sua integridade a excessos que prejudicam seu relacionamento com o mundo em que vive. Alceste por certo não merece riso tão forte ou cruel” quanto os protagonistas de ‘O Avarento’ e ‘Tartufo’, “porém Molière, com seu exemplar bom senso, mostra o engano da integridade e da indignação moral quando há perda de perspectiva”. (mais…)
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“Le Médécin malgré lui”, de Molière
Literatura
“Le Médécin malgré lui”, de Molière
25 de setembro de 2017 at 21:08 0
Sganarelle é um cortador de lenha por profissão e péssimo marido: bebe demais, gasta toda a herança da mulher, Martine, é adúltero, mal trabalha. Logo no início da peça “Le Médécin malgré lui” (algo como “o médico apesar dele mesmo”), do dramaturgo francês Molière (1622-1673), Sganarelle, cansado das reclamações da mulher, dá uma surra nela. Um vizinho chega para resolver a situação, mas Martine resolve colocar panos quentes e não faz queixa do marido. Mas ela bola uma vingança, que logo põe em prática. Dois homens, Valère e Lucas, aparecem em cena procurando algum médico que cure a súbita mudez de Lucinde, a filha do patrão deles. Martine lhes diz que seu marido, Sganarelle, é um médico extraordinário, mas com um probleminha: só assume sua profissão (e trabalha nela) debaixo de surra. Valère e Lucas vão até Sganarelle, lhe perguntam se ele é médico, e diante da óbvia recusa (pois ele não era médico, afinal de contas), começam a moê-lo de pancada. (mais…)
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“L’Avare”, de Molière
Literatura
“L’Avare”, de Molière
10 de setembro de 2017 at 00:25 0
Harpagon tem um filho e uma filha, chamados respectivamente Cléante e Élise. Ele se apaixona por uma moça pobre, Mariane, e ela por um criado do pai, Valère. Harpagon acaba querendo se casar com a mesma moça por quem o filho era apaixonado, e quer que a filha se case com um cinquentão, Anselme. Obviamente que o desejo do pai é contrário ao dos filhos, e este é o mote para “L’Avare” (O Avarento), comédia clássica do dramaturgo Molière (1622-1673). (mais…)
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“Tartufo”, “Escola de Mulheres”, “O Burguês Fidalgo”, de Molière
Literatura
“Tartufo”, “Escola de Mulheres”, “O Burguês Fidalgo”, de Molière
26 de junho de 2016 at 23:49 0
O fato de eu ter estudado “Le Cid”, de Pierre Corneille (1606-1684), no curso de francês, me fez gostar muito deste dramaturgo clássico do sec. XVIII, e esta admiração se estendeu posteriormente a seu contemporâneo Jean Racine (1639-1699) - ambos eram dramaturgos da corte de Luís XIV. Os dois eram mestres na criação de tragédias, e suas peças tratam dos grandes dramas humanos – honra, amor, paxão, orgulho; seus diálogos em forma de versos são tão bem escritos que sempre tenho vontade de ler aquelas poesias maravilhosas em voz alta. Por levar tão a sério Corneille e Racine, sempre tendi a menosprezar o outro grande dramaturgo clássico da corte de Luís XIV, Molière (1622-1672, pseudônimo de Jean-Baptiste Poquelin), que era especialista em comédias – na minha opinião, um comediante não poderia ser tão profundo quanto um poeta trágico. Para tirar a cisma, resolvi ler as três peças de uma antiga edição da Editora Abril, “O Tartufo”, “Escola de Mulheres” e “O Burguês Fidalgo” (acho que li uma ou duas delas na adolescência, mas certamente a leitura não me marcou muito). (mais…)
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