“Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, e “A Leste do Éden”, de John Steinbeck
Literatura
“Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, e “A Leste do Éden”, de John Steinbeck
24 de maio de 2015 0
Tanto em A Leste do Éden, de John Steinbeck, quanto em Esaú e Jacó, de Machado de Assis, dois irmãos são apaixonados pela mesma mulher. O título dos dois livros se reportam ao Gênesis: Caim foi exilado para um local “a leste do Éden” depois de ter assassinado seu irmão, Abel; Esaú e Jacó eram os dois filhos do patriarca Isaac. Além disso, o nome dos irmãos Trask, do romance de Steinbeck, Caleb e Aron, são retirados da Bíblia. (mais…)
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Uma fonte canta. As nuvens estão, / Suaves e brancas, na claridade do azul. / Pensativos, silenciosos, homens e mulheres / Atravessam, através da noite, o velho parque. // O mármore dos avôs ficou grisalho. / Um voo de migradores foge para os lugares longínquos. /  Um fauno observa, através de seus olhos mortos / As sombras deslizando pelas trevas. // As folhas tombam, vermelhas da velha árvore, / Entram rodopiando pela janela aberta. / O reflexo de uma chama estoura na peça, / Pintada de pesadelos perturbadores. // Um estrangeiro branco entra na residência. / Um cachorro salta pelos corredores antigos. / A serva assopra uma lâmpada, / O ouvido escuta a noite dos acordes de sonata.

(Música para Mirabell, de Georg Trakl – traduzido da versão francesa de Jacques Legrand)

Música para Mirabell, de Georg Trakl
Dois livros de Lolita Pille
Literatura
Dois livros de Lolita Pille
22 de maio de 2015 0
Hell – Paris – 75016 Ela é linda. Ela é riquíssima. Ela sai todas as noites em bares e boates da moda. Ela exagera no álcool e na cocaína. Ela troca de parceiro sexual como quem troca de roupa. Ela mesma diz que é uma putinha, daquelas da pior espécie. O seu nome é Ella. (mais…)
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A Paixão de Cristo, de Mel Gibson
Cinema
A Paixão de Cristo, de Mel Gibson
21 de maio de 2015 0
Dirigido por Mel Gibson, falado em latim e aramaico e com o ator Jim Caviezel no papel principal, A Paixão de Cristo conta a história das doze últimas horas do fundador do Cristianismo. O filme começa quando Jesus, angustiado e tentado pelo demônio (uma figura andrógina que o acompanha durante praticamente toda a projeção), pede a seus discípulos, no Getsêmani, que velem por ele – o que eles não conseguem fazer, pois pegam no sono. Logo chegam os guardas judeus que vão prendê-lo, e começa o martírio: os guardas amarram-no e dão diversos socos e golpes de correntes. Quando Cristo chega diante do sacerdote Caifás, uma de suas vistas já está estourada e ele enxerga apenas com a outra – que fica aberta, arregalada, até o final do filme, como bem notou Luiz Carlos Merten no Estadão. Os sacerdotes fazem um julgamento sumário: bastou Jesus reconhecer que era o Filho de Deus para que fosse proclamada a blasfêmia. Ele recomeça a apanhar. (mais…)
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Cidades (I) – tradução de Rimbaud
Traduções
Cidades (I) – tradução de Rimbaud
20 de maio de 2015 0
A acrópole oficial extrapola as concepções mais colossais da barbárie moderna. Impossível exprimir o dia embaçado produzido por este céu inalteravelmente cinza, o brilho imperial das construções, e a neve eterna do chão. Foram reproduzidas num gosto de enormidade singular todas as maravilhas clássicas da arquitetura. (mais…)
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On the road
Literatura
On the road
19 de maio de 2015 0
Bíblia da geração beat é reeditada no Brasil, em edição de bolso da L&PM. Com tradução revista e corrigida pelo mesmo Eduardo Bueno, o clássico escrito por Jack Kerouac mergulha fundo na loucura de dois amigos que, juntos ou separados, cruzam os Estados Unidos no final dos anos 40 e início dos 50. Fabrício Muller releu On The Road – Pé Na Estrada e descobriu algumas “novidades” na obra que há várias décadas vem influenciando grandes nomes do cinema e da música pop.
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A volta
Esporte
A volta
19 de maio de 2015 0
Depois de vários meses ausente dos estádios, finalmente peguei coragem e, mesmo com a locomoção ainda comprometida (estou usando bengala), fui assistir ao jogo do Glorioso contra o Treze da Paraíba no Pinheirão. Esta ausência se explica por um acidente futebolístico acontecido na véspera do dia dos pais do ano passado, no colégio da minha filha, quando quebrei em cinco partes a cabeça do fêmur. (mais…)
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Uma temporada de facões em Ruanda
História
Uma temporada de facões em Ruanda
18 de maio de 2015 0
Já em 1931 foi introduzida, em Ruanda, a carteira de identidade com menção à etnia - naquele tempo o país africano era uma colônia belga, e os belgas dividiam o poder com monarcas da etnia tútsi. Em 1959 ocorre a morte do último grande rei tútsi, Mutara Rudahigwa, que é seguida por uma série de revoltas hútus que provocam o êxodo de centenas de milhares de membros da etnia rival. Em 1961 os hútus ganham as primeiras eleições legislativas e, no ano seguinte, Ruanda alcança a independência. Em 1973, o general Juvénal Habyarimana, hútu, assume o poder num golpe de estado e a coisa começou a ficar realmente feia para os tútsis: a propaganda oficial chamava estes de "baratas", ou também de "pretensiosos e arrogantes" - já que os tútsis são em média mais altos e mais esbeltos que os hútus. A guerra civil entre as duas etnias vizinhas era iminente. A situação em 1994 era totalmente insustentável e o genocídio ruandês, que já estava planejado meses antes, teve como estopim o assassinato, em 6 de abril, do presidente Juvénal Habyarimana nos céus do aeroporto de Kigali, a capital de Ruanda, pelos guerrilheiros tútsis da FPR, a Frente Patriótica de Ruanda. (mais…)
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