“Unrendered”, de Bones
Música
“Unrendered”, de Bones
22 de outubro de 2017 0
Lembro nitidamente do impacto da primeira audição das três primeiras faixas (sem contar a vinheta inicial, “Importing”) da mixtape “Unrendered”, lançada por Bones em abril de 2017: “CtrAltDelete” (em que ele canta “eu prefiro ser aquele que eles odeiam do que aquele que eles acham que é amigável”, frase muito mais verdadeira que qualquer “Imagine” da vida), “SystemPreferences” e “MissingProjectFiles”: a primeira é uma das melhores músicas de toda a carreira do rapper, com um tema melancólico inesquecível ao fundo; a segunda é um rap de impacto hipnótico que Bones faz como ninguém; e a terceira tem uma levada repetitiva e suave que faz com que o ouvinte tenha vontade de colocá-la no repeat por dias. Sem exagero, um LP só com essas três faixas bastaria (e como!) para justificar seu lançamento. E tem os clipes, claro: no sensacional “TakingOutTheTrash”, gravado de maneira convencional, Bones anda em meio à sujeira embaixo de um viaduto – parece São Paulo, aliás – enquanto canta que nunca usa Xanax porque “comprimidos são para otários” – o que deixou $crim, dos $uicideboy$, irritado porque achou que esta era uma indireta de Bones à sua (maravilhosa, na minha opinião) banda; já “SunnyDay” mostra Bones, em VHS, num casarão que deve ser aquele em que está morando em Los Angeles: sim, o homem ficou rico (e não foi por falta de torcida minha!) e agora vai fazer turnês pela Rússia e União Europeia. (mais…)
Leia mais +
“Assim falava Zaratustra”, de Friederich Nietzsche
Filosofia
“Assim falava Zaratustra”, de Friederich Nietzsche
15 de outubro de 2017 0
A famosa frase de Friederich Nietzsche (1844-1900) segundo a qual “Deus morreu” é proferida logo no início de “Assim falava Zaratustra” (Nova Fronteira, 352 páginas). A “morte de Deus” é um dos temas basilares do clássico do filósofo alemão – os outros seriam a vinda do super-homem (que é a superação do homem tal qual conhecemos), a tese do eterno retorno (segundo a qual tudo o que acontece hoje já aconteceu no passado e continuará se repetindo no futuro), a crítica da moral racionalista e cristã e a “vontade de poder” (fundamento de tudo o que é vivo). (mais…)
Leia mais +
“Crepúsculo dos ídolos”, de Friederich Nietzsche
Filosofia
“Crepúsculo dos ídolos”, de Friederich Nietzsche
8 de outubro de 2017 0
“Crepúsculo dos ídolos ou como se filosofa com o martelo” é um livro curto e relativamente simples de ensaios do filósofo alemão Friederich Nietzsche (L&PM Editores, 144 páginas), e que pode ser considerado uma boa introdução à sua filosofia. (mais…)
Leia mais +
“Recordações do escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto
Literatura
“Recordações do escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto
2 de outubro de 2017 0
Não sei bem o que eu tinha na cabeça quando não gostei da leitura de “Recordações do escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto (1881-1922), uns seis anos atrás. De modo geral, achei que o livro era tão depressivo e amargo que estes defeitos sobrepujavam em muito as suas qualidades: o retrato preciso de mazelas brasileiras como o racismo, a falta de palavra dos políticos, o sensacionalismo da imprensa. De lá para cá, li recentemente a ótima biografia “Lima Barreto – Triste visionário”, de Lilia Moritz Schwarcz, que comentei por aqui, e fiquei com vontade de tirar a cisma deste clássico da literatura brasileira. Isaías Caminha, o personagem principal e narrador da história, nasce no interior do estado do Rio de Janeiro e, com a carta de recomendação dirigida a certo deputado em mãos, vai à então capital da República tentar iniciar os estudos superiores. Em uma passagem clássica, Isaías Caminha se choca ao se sentir vítima de racismo numa estação de trem, quando é tratado rispidamente pelo atendente, que é gentil com o passageiro branco a seu lado. Nada dá certo para o personagem no Rio de Janeiro: o tal deputado não move uma palha por ele, que chega a passar fome, vagando sem destino e sem dinheiro pelas ruas da cidade. Isaías Caminha acaba conseguindo um emprego como contínuo num jornal e, por circunstâncias inusitadas, acaba subindo na carreira alguns anos depois. (mais…)
Leia mais +
“A harmonia do mundo”, de Marcelo Gleiser
Literatura
“A harmonia do mundo”, de Marcelo Gleiser
29 de setembro de 2017 0
Marcelo Gleiser é o mais conhecido cientista brasileiro da atualidade. Além de dar aulas na renomada universidade americana Darthmouth College, suas pesquisas no ramo da astrofísica levaram-no a ganhar um prêmio do governo dos Estados Unidos em 1994. Mas o motivo de ele ser conhecido no Brasil está relacionado à sua atividade como divulgador científico: Gleiser mantém já há alguns anos uma coluna mensal no jornal Folha de São Paulo, publicou diversos livros – entre eles os ótimos O fim da terra e do céu e A dança do universo – e agora pode ser visto todos os domingos no Fantástico, da TV Globo, com o quadro Poeira das estrelas. (mais…)
Leia mais +
“007 Contra o Satânico Dr. No”, de Ian Fleming
Literatura
“007 Contra o Satânico Dr. No”, de Ian Fleming
29 de setembro de 2017 0
007 Contra o Satânico Dr. No, de Ian Fleming (Editora Record, 286 páginas), começa com o agente James Bond se recuperando do envenenamento sofrido em Moscou Contra 007 (que o Bacana resenhou aqui). M, seu superior no Serviço Secreto Inglês, resolve dar um descanso para Bond, mandando-o para a Jamaica (ainda possessão britânica, já que o livro fora lançado em 1958) para investigar o sumiço de dois agentes, um homem e uma mulher, suspeitos de terem deserdado e fugido juntos para alguma ilha paradisíaca do Caribe. (mais…)
Leia mais +
“Americanah”, de Chimamanda Ngozi Adichie
Literatura
“Americanah”, de Chimamanda Ngozi Adichie
27 de setembro de 2017 0
Ifemelu é uma nigeriana que, cansada da falta de perspectivas em seu país natal, tenta a sorte nos Estados Unidos. Lá ela acaba virando uma blogueira de sucesso, mas, num passo arriscado, resolve voltar a morar na Nigéria. Não é só a saudade da sua terra que a faz tomar esta decisão inesperada: o grande amor de sua vida, Obinze, que ela tinha abandonado sem maiores explicações, continua vivendo na sua terra natal - ele, que tinha uma origem de classe média como Ifemelu, agora é um empresário de sucesso. Deste modo, é atrás de amor e não de dinheiro que ela volta para a Nigéria, já que vivia muito bem financeiramente nos Estados Unidos. Descrito assim, “Americanah”, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras, 520 páginas), parece apenas uma história de amor – é também, mas é muito mais do que isto. “Americanah” discute com profundidade temas como a relação entre os negros americanos e não-americanos nos Estados Unidos; a relação entre brancos, judeus, negros e asiáticos naquele país; a sociedade profundamente corrupta da Nigéria, e a desesperança de grande parte de sua população (parece o Brasil, né?); as relações culturais e pessoais nas universidades americanas e nigerianas. Parece um tratado de sociologia, e também é, mas é muito mais do que isto. (mais…)
Leia mais +
“Le Médécin malgré lui”, de Molière
Literatura
“Le Médécin malgré lui”, de Molière
25 de setembro de 2017 0
Sganarelle é um cortador de lenha por profissão e péssimo marido: bebe demais, gasta toda a herança da mulher, Martine, é adúltero, mal trabalha. Logo no início da peça “Le Médécin malgré lui” (algo como “o médico apesar dele mesmo”), do dramaturgo francês Molière (1622-1673), Sganarelle, cansado das reclamações da mulher, dá uma surra nela. Um vizinho chega para resolver a situação, mas Martine resolve colocar panos quentes e não faz queixa do marido. Mas ela bola uma vingança, que logo põe em prática. Dois homens, Valère e Lucas, aparecem em cena procurando algum médico que cure a súbita mudez de Lucinde, a filha do patrão deles. Martine lhes diz que seu marido, Sganarelle, é um médico extraordinário, mas com um probleminha: só assume sua profissão (e trabalha nela) debaixo de surra. Valère e Lucas vão até Sganarelle, lhe perguntam se ele é médico, e diante da óbvia recusa (pois ele não era médico, afinal de contas), começam a moê-lo de pancada. (mais…)
Leia mais +