Duas noites no Teatro Guaíra
Literatura, Música
Duas noites no Teatro Guaíra
17 de julho de 2017 0
Estou escrevendo um romance que se passa em Curitiba nos anos 50-60. Li alguns livros sobre a época e alguma literatura daqueles tempos – principalmente Nelson Rodrigues e Dalton Trevisan. O curitibano é um de meus autores preferidos, mas fico meio dividido quanto a Nelson Rodrigues: li as crônicas de “A vida como ela é”, comecei, mas não consegui terminar, o folhetim “O meu destino é pecar” - que ele assinava com o pseudônimo de Suzana Flag - e algumas crônicas esportivas. Tudo me pareceu muito exagerado, sem sutileza, carregado nas tintas. (mais…)
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Minhas músicas preferidas: 8. “Company”, de Justin Bieber
Música
Minhas músicas preferidas: 8. “Company”, de Justin Bieber
10 de julho de 2017 0
Foi com “Purpose”, disco de novembro de 2015, que Justin Bieber começou a querer ser tratado como um artista sério. Seu quarto álbum de estúdio é uma deliciosa mistura de faixas dançantes (“Get Used To It”, “Been You”), melancólicas (“Trust”, “Life Is Worth Living”, “Purpose”), delicadas (“What Do You Mean”, “Children”). O melhor são as mais viajantes, em que a rica produção musical parece querer levar o ouvinte para um lugar distante e bonito (“The Feeling”, “Where Are Ü Now”, com Jack Ü, “I’ll Show You”). Tudo isto com a belíssima e (aparentemente) sincera interpretação de Justin Bieber, cantor de recursos vocais limitados, mas de timbre único. A minha faixa preferida do disco é “Company”, em que Bieber pergunta para alguém (uma pretendente, possivelmente) se eles não podem fazer companhia um para o outro – uma letra singela, ombreada por um balanço sofisticado e hipnotizante. O clipe é uma maravilha: mostra o cantor em vários momentos de sua vida “na estrada” durante uma turnê: como em suas interpretações, ele parece sincero quando está sério, melancólico ou se divertindo com fãs e amigos (algum engraçadinho pode vir me perguntar se ele estava sendo sincero quando veio aqui para o Brasil uns anos atrás e não parou de aprontar). (mais…)
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“Le diable au corps”, de Raymond Radiguet
Literatura
“Le diable au corps”, de Raymond Radiguet
10 de julho de 2017 0
A Primeira Guerra Mundial estava no seu auge quando um adolescente de 15 anos – que ainda não podia servir nas Forças Armadas – tem um tórrido caso amoroso com Marthe, moça de 18 anos noiva de Jacques, rapaz que servia no front. A guerra, para o jovem amante, significou “quatro anos de férias”. (mais…)
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“Contos da Cantuária”, de Geoffrey Chaucer
Literatura
“Contos da Cantuária”, de Geoffrey Chaucer
5 de julho de 2017 0
Na Idade Média, um certame de peregrinos visa escolher quais as melhores histórias de cavalaria e romances. Este é o mote do clássico “Contos da Cantuária”, de Geoffrey Chaucer (1342-1400), em brilhante tradução em versos de José Francisco Botelho (Companhia das Letras, 684 páginas). Cada uma das histórias dos peregrinos, então, é um conto. (mais…)
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Ariana Grande – Allianz Parque em São Paulo (1 de julho de 2017)
Música
Ariana Grande – Allianz Parque em São Paulo (1 de julho de 2017)
3 de julho de 2017 0
“A primeira vez que vi Ariana Grande num clipe foi em ‘Focus’, uma impressionante mistura de ingenuidade infantil e de sensualidade explosiva – ela me pareceu uma espécie de Marylin Monroe mais alegre. ‘Side To Side’, com Nicki Minaj, é melhor ainda. No vídeo, o jeito ao mesmo tempo inocente e provocativo de Ariana Grande serve como um ótimo contraponto para a autoconfiança divertida da rapper. O fato é que gostei tanto destas duas canções que acabei baixando todos os álbuns de Ariana Grande pelo Spotify, e foi muito agradável descobrir que a qualidade do restante de suas músicas basicamente não diferia da de “Focus” e de “Side To Side”. Ela consegue ser dramática e intensa (“Let Me Love You”, com Lil Wayne), dançante (“Greedy”), melancólica (“I Don’t Care”), romântica (“Moonlight”), forte (“Dangerous Woman”), e por aí vai. As músicas de Ariana Grande são sempre uma excelente companhia. Quando as escuto por muito tempo normalmente acho que já está na hora de mudar um pouco - mas sinto que suas canções me puxam, como se fossem um redemoinho para onde sou levado. Ouvir Ariana Grande me acalma. Obrigado, mocinha. ”
O texto acima – um pouco modificado – eu fiz para um livro de crônicas que estou escrevendo, chamado provisoriamente de “Memórias”: naquela ocasião ainda não estava marcado o show da cantora aqui no Brasil. Assim que anunciado, consegui meu ingresso para a sua apresentação em São Paulo e começou a longa expectativa. Entre a compra da entrada e o show da menina por aqui, sábado passado, ocorreu a tragédia de Manchester, onde um idiota se explodiu matando 22 pessoas e ferindo outras 50 depois de um show da cantora. Houve a possibilidade – real – de que Ariana Grande acabasse cancelando o restante da turnê, o que felizmente não aconteceu. Chegou o grande dia e lá estava eu, no estádio do Palmeiras em São Paulo. Não tinha como um fã como eu não gostar do show, mas mesmo assim me surpreendi com a sua espetacular presença de palco, com as belíssimas tomadas, literalmente cinematográficas, que surgiam no telão e com a voz da menina. Que voz, minha gente. Quem sabe faz ao vivo. (mais…)
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“Nietzsche”, de Scarlett Marton
Filosofia
“Nietzsche”, de Scarlett Marton
18 de junho de 2017 0
A coleção “Encanto Radical”, da Brasiliense, é uma série de curtas biografias sobre personagens históricos, artísticos e literários realmente encantadores. O nome da coleção é um primor. Carrego sempre comigo os exemplares das biografias de Marcel Proust, James Dean e Santa Teresa d’Ávila. (mais…)
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Minhas músicas preferidas: 9. “To Ü”, de Jack Ü
Música
Minhas músicas preferidas: 9. “To Ü”, de Jack Ü
15 de junho de 2017 0
Detroit é uma cidade decadente. Com a concorrência dos carros asiáticos, a indústria automobilística americana sofreu um golpe profundo, que acabou refletindo na cidade-sede da maioria das montadoras dos Estados Unidos. Uma quantidade enorme de casas foi abandonada, sem que novos moradores as ocupassem. Imagino que os DJs Skrillex e Diplo, que juntos formam o duo de música eletrônica Jack Ü, tenham pensado nisso quando colocaram, logo no início do clipe de “To Ü”, a legenda “September in Detroit”. Sim, estamos na sede da indústria automobilística americana, e a paisagem é desoladora. O clipe todo se passa numa rua onde o mato já tomou conta e, aparentemente, em suas proximidades: vemos casas e carros abandonados e muitos casais – heterossexuais e homossexuais dos dois sexos - em quartos onde a pobreza (para os padrões americanos, claro) é evidente. Em sua quase totalidade, os participantes do clipe são jovens e malvestidos, e o filtro utilizado na filmagem destaca a sensação de desolação. Os casais, quando não estão se beijando e se abraçando, olham para a câmera com um olhar tão triste quanto desafiador. (mais…)
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“Diário de um Fescenino”, de Rubem Fonseca
Literatura
“Diário de um Fescenino”, de Rubem Fonseca
13 de junho de 2017 0
Rufus é um escritor que mora sozinho, que não gosta da companhia de pessoas do mesmo sexo e que, por outro lado, ama ter relações com pessoas do sexo oposto. De preferência, com mais de uma ao mesmo tempo – sem que uma saiba da outra. Sem inspiração para escrever a obra para a qual tinha sido contratado, Rufus começa a escrever um diário – e é exatamente este diário o conteúdo de “Diário de um fescenino”, romance de Rubem Fonseca (1925 - ) publicado originalmente em 2003 (Companhia das Letras, 253 páginas). (mais…)
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