“A glória e seu cortejo de horrores”, de Fernanda Torres
Literatura
“A glória e seu cortejo de horrores”, de Fernanda Torres
22 de Abril de 2018 0
Eu tinha escrito o seguinte sobre o romance anterior de Fernanda Torres, “O Fim”, lançado em 2013:

“Quem conhece aquela atriz meio amalucada de Os Normais e das suas, muitas vezes, destrambelhadas entrevistas, não consegue imaginar que seu primeiro romance seria tão sério e, porque não dizer, profundo – mesmo que muitas vezes bem-humorado. Pelo menos, não me surpreendi com a qualidade indiscutível de sua prosa: as colunas mensais que ela escreve na Folha já me mostravam que ali estava alguém com um grande talento literário. Fico na expectativa de seus próximos livros. ” (mais…)

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“Les Ombres Errantes”, de François Couperin
Música
“Les Ombres Errantes”, de François Couperin
18 de Abril de 2018 0
A maioria dos discos para teclado solo do compositor francês François Couperin (1668-1733) que se encontra no serviço de streaming Spotify são executadas no cravo, instrumento para o qual suas músicas foram originariamente compostas. Um dos poucos tocados no piano é este “Les Ombres Errantes”, com o israelense Iddo Bar-Shaï. Tudo parecia, à primeira vista, perfeito no disco: a capa, que me lembrou um visual meio black metal, meio Joy Division; o título, “As Sombras Errantes”; o nome exótico do pianista; os títulos das peças, a cargo do próprio Couperin: “La Muse-Plantine” ("A Musa-Plantinha"), “Le Rossignol-em-Amour” ("O Rouxinol-em-Amor"), “Double du Rossignol” ("O Rouxinol Duplo"), “Les Petites Âges – L’Enfantine” ("As Pequenas Idades - O Infante"), “La Misterieuse” (“A Misteriosa), e por aí vai. O texto da contracapa fala o seguinte:

“Grave, ligeira, majestosa, pitoresca, a obra para cravo de François Couperin, com seus indispensáveis ornamentos e detalhes picantes, nos propõe seguir todas os movimentos da alma do 'maior poeta entre nossos cravistas', segundo a expressão de Debussy. Interpretado ao piano, que traz consigo sua própria cor, estas peças de cravo, em seus climas diferentes, conservam tudo o que faz seu charme.”

As peças do disco são movimentos de composições maiores: estamos, portanto, diante de um “best of”. A sensibilidade do pianista, a delicadeza das composições, as belíssimas melodias, tudo faz com que este “Les Ombres Errantes” cumpra com louvor o que prometia na primeira impressão que eu tive. Belíssimo. Dê uma rápida escutada em “Le Dodo, ou L’Amour ou Berceu: 15ème ordre, 3ème Livre” ou em  "Les Rozeaux: 13ème ordre, 3ème livre"– duas das mais belas peças de Couperin - para você ter uma ideia do que estou falando. (mais…)
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“O Gigante Enterrado”, de Kazuo Ishiguro
Literatura
“O Gigante Enterrado”, de Kazuo Ishiguro
15 de Abril de 2018 0
Causou surpresa entre os críticos a publicação de “O Gigante Enterrado”, de Kazuo Ishiguro, em 2015 (Companhia das Letras, 400 páginas): o livro é uma história de fantasia em que aparecem ogros, gigantes, dragões, raros em livros de autores “sérios” como este inglês, nascido no Japão, vencedor do Prêmio Nobel de 2017. Numa aldeia medieval inglesa, pouco tempo depois da morte do rei Arthur, a população está perdendo a memória. As pessoas não lembram de fatos importantes do passado, como casamento o nascimento dos filhos. Um casal  de idosos, Axl e Beatrice, que está sofrendo perseguições por motivos mal explicados, resolve ir atrás do filho, que – eles lembram vagamente – mora numa ilha a alguns dias de distância a pé. É nesse caminho que eles encontram os dragões, ogros e gigantes citados acima, e descobrem por que as pessoas estão perdendo a memória. (mais…)
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Gypsy
Séries
Gypsy
11 de Abril de 2018 0
É difícil falar sobre “Gypsy”, série da Netflix estrelada por Naomi Watts lançada em 2017. Difícil porque, detonada pela crítica, ela foi cancelada pouco tempo depois de ter sido lançada – não existirá, portanto, uma segunda temporada. O pior é que, exatamente ao contrário de “13 Reasons Why” (sobre a qual vou comentar na semana que vem), para a qual, mesmo sem previsão anterior, tem uma nova temporada garantida, “Gypsy” tinha sido planejada para continuar. Resultado: não há desfecho para as tramas no último dos seus dez episódios, com cerca de 50 minutos cada um. (mais…)
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“Fragmentos”, de Marilyn Monroe
Cinema
“Fragmentos”, de Marilyn Monroe
8 de Abril de 2018 0
Marilyn Monroe, que praticamente não conseguiu frequentar a escola, tinha uma necessidade enorme de se cultivar. Estava sempre com um livro nas mãos, e gostava de autores difíceis – Joyce, Proust, Flaubert e Steinbeck entre eles. Sua vontade de obter cultura era tão grande que ela chegou a se casar com o grande dramaturgo Arthur Miller. Segundo as palavras de Ruy Castro, ela “enchia cadernos com seus sonhos, ideias e palavras”. “Fragmentos” (Tordesilhas, 269 páginas) é composto destes “sonhos, ideias e palavras” da grande atriz. No livro – uma edição caprichadíssima, com textos transcritos e fac-símiles - Marilyn fala sobre suas sessões de análise, seus planos, suas compras. Alguns pensamentos perdidos aqui e ali, alguns poemas. A sensação que dá ao terminar a leitura é estranha: “Fragmentos” dá a impressão de ser a ponta do enorme iceberg que era a mente de Marilyn, sempre fugidia. Transcrevo aqui dois poemas, para dar uma ideia da coisa:
“Título – Sobre meus poemas   Norman – tão difícil de satisfazer Quando tudo o que quero é tirar lazer...? E daí que rimou? O mundo acabou? Quando ela (nós?) passamos por tudo isso  Após esse tempo na terra”
   
“Deixei minha casa de madeira verde rústica – Um sofá de veludo azul com o qual sonho até agora Um arbusto escuro à esquerda da porta. Pelo caminho clíquete claque enquanto minha boneca em sua carruagem subia sobre as rachaduras – 'Iremos longe.'   Os prados são imensos a terra (será) dura Nas minhas costas. O capim ondeou tocava o azul e nuvens brancas paradas se transformando de um homem velho para um cachorro sorridente com orelhas ao vento   Olha – Os prados estão alcançando – estão tocando o céu Deixamos nossos contornos contra / sobre o capim amassado. Ela morrerá mais cedo porque estávamos lá – algo diferente terá crescido?   Não chore minha boneca não chore seguro você e a balanço até dormir. quieta quieta Eu estou estava apenas fingindo que eu (era) não sou sua mãe que morreu.   Alimentarei você do arbusto escuro brilhante à esquerda da porta.”
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“The Witches – Salem, 1692”, de Stacy Schiff
História
“The Witches – Salem, 1692”, de Stacy Schiff
4 de Abril de 2018 0
Betty Parris, de nove anos, e Abigail Williams, de onze, respectivamente a filha e a sobrinha do Pastor Samuel Parris, começaram a se contorcer “em posições estranhas”, a jogar coisas pelo quarto, a gritar e emitir sons desconexos. O ano era 1692 e a cidade, Salem, no Massachusetts. Num tempo em que não havia quem duvidasse da existência de Satã, a cidade começou a entrar em pânico com o sofrimento das meninas – pior do que isso, outras duas garotas, de doze anos, passaram a ter os mesmos sintomas: Ann Putnam, Jr., de doze anos, e Elizabeth Hubbard, de dezoito. (mais…)
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“Marilyn”, de André de Dienes
Cinema
“Marilyn”, de André de Dienes
1 de Abril de 2018 0
Em 1945, Norma Jeane recebeu do fotógrafo de origem romena André de Dienes a seguinte proposta: por cem dólares semanais (cerca de mil e quatrocentos dólares no dinheiro de hoje), mais roupas e despesas, os dois viajariam pelos Estados Unidos para que ela posasse para ele. Norma Jeane – a futura Marilyn Monroe - era uma garota de dezenove anos, recém-casada e que queria se estabelecer como modelo e atriz em Hollywood. (mais…)
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Dark
Séries
Dark
21 de Março de 2018 0
A série se passa numa cidade do interior, onde adolescentes zanzam de lá para cá o tempo todo - e alguns deles desaparecem sem deixar rastros. Uma grande central de energia existe no local, e há rumores de que são feitas experiências tenebrosas por lá. A década de 80 tem importância fundamental na trama. (mais…)
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