“La Bibliothèque de Marcel Proust”, de Anka Muhlstein
Literatura
“La Bibliothèque de Marcel Proust”, de Anka Muhlstein
17 de janeiro de 2017 0
É bacana saber que um dos seus defeitos era compartilhado por um gênio. Em “La Bibliothèque de Marcel Proust” (“A Biblioteca de Marcel Proust”), de Anka Muhlstein (Odile Jacob, 180 páginas), a autora conta que o grande escritor francês era tão bagunçado com seus livros que raramente conseguia encontrá-los quando queria. Às vezes emprestava um para um amigo e pedia que ele o guardasse, já que seria mais fácil reencontrá-lo na casa dele do que na sua própria. Bem, eu também tenho dificuldade em encontrar meus livros... (mais…)
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“Uivo – Kaddish e Outros Poemas”, de Allen Ginsberg
Literatura
“Uivo – Kaddish e Outros Poemas”, de Allen Ginsberg
16 de janeiro de 2017 0
O início do poema “Uivo”, do poeta beat Allen Ginsberg (1926-1997) é espetacular:
“Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, / arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa, / hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite, / que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz, / que desnudaram seus cérebros sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos, (...)”
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“Manson”, de Jeff Guinn
História
“Manson”, de Jeff Guinn
12 de janeiro de 2017 0
Segundo Jeff Guinn, o autor da brilhante biografia “Manson” (Darkside, 520 páginas), a persistência macabra da fama do assassino Charles Manson se deve ao fato de que ele e boa parte de seus seguidores ainda estão vivos, aparecendo na internet, presos e lutando por seus direitos à condicional. Do mesmo modo, o jornalista André Barcinski, no seu extinto blog no R7 (agora ele está no UOL) nunca entendeu o fascínio que este criminoso medíocre exerce sobre as pessoas. Discordo dos dois. (mais…)
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Melhores livros lidos em 2016
Literatura
Melhores livros lidos em 2016
28 de dezembro de 2016 0
  1. “Fogo pálido”, de Vladimir Nabokov: um poema relativamente curto e páginas e páginas de notas num romance que influenciou meu próprio romance.
  2. “A Morte do Pai”, de Karl Ove Knausgard: a adolescência, o início da idade adulta e a complicada relação com o pai deste escritor que tem obras tão envolventes que certamente são publicadas no Paraíso.
  3. “Linha M”, de Patti Smith: como o de cima, também de memórias e também com vendas garantidas no Paraíso.
  4. “Ligue os Pontos – Poemas de Amor e Big Bang”, de Gregório Duviver: os poemas de Gregório Duvivier, humorista conhecido por todo o mundo, são de uma beleza surpreendente.
  5. “O livro de Oseias”: Deus manda o seu profeta casar com uma prostituta. Não precisa falar muito mais.
  6. “O Jardim Secreto”, de Frances Hodgson Burnett: personagens deliciosos, um jardim cheio de belezas e mistérios.
  7. “Paraíso Perdido”, de Cees Nooteboom: uma história estranha que envolve duas mulheres, o Brasil, a Austrália e um monte de anjos.
  8. “O homem que amava os cachorros”, de Leonardo Padura: o assassinato de Trotski num verdadeiro tour-de-force literário.
  9. “Amanhã na batalha pensa em mim”, de Javier Marías: o homem errado, no lugar errado, com a mulher errada. Como consertar o que não tem conserto?
  10. “Vida de um homem: Francisco de Assis”, de Chiara Frugoni: a autora tenta nos contar quem era São Francisco de Assis, e do seu livro emerge um sujeito meio louco (louco de Deus?), profundamente bondoso, corajoso e bem-humorado.
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Meus discos preferidos: 1. “Your Arsenal” – Morrissey
Música
Meus discos preferidos: 1. “Your Arsenal” – Morrissey
23 de dezembro de 2016 0
A culpa é da Revista Bizz. Nos anos 80-início dos anos 90 o amante brasileiro do rock que hoje é chamado de indie (entre os quais eu me incluía) e que não tinha dinheiro ou inglês suficientes para ler a New Musical Express ou a Spin não tinha outra fonte para saber das novidades que não fosse a Bizz mesmo. A revista amava The Smiths e eu ia na cola, mesmo sem entender patavina de inglês. Gostava do vocal e das melodias, mas estava longe de ser a minha banda preferida. Quando comecei a entender inglês – obrigado pelos estudos de mestrado – comecei a ler as letras de Morrissey e comecei a entender o porquê da adoração toda. Nesta época os Smiths já tinham acabado e a carreira solo estava começando a derrapar: depois de um início promissor com “Viva Hate” vieram dois discos malvistos pela crítica, “Bona Drag” e “Kill Uncle” (este último, hoje em dia desprezado pelo próprio cantor), e parecia que Morrissey não iria mais se reerguer. Só que não: o disco seguinte, “Your Arsenal”, foi incensado pela maior parte da crítica da Bizz (se bem que fiquei furioso com os dois zero que o disco levou na seção “Bolsa de Discos”, mas enfim) e parecia que o cantor inglês tinha reencontrado seu lugar. (mais…)
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Meus discos preferidos: 2. “Rotten” – Bones
Música
Meus discos preferidos: 2. “Rotten” – Bones
22 de dezembro de 2016 0
Foi difícil escolher um na longa lista de discos (ou mixtapes, vá lá) de Bones para a minha lista de discos preferidos. (mais…)
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“Fogo Pálido”, de Vladimir Nabokov
Literatura
“Fogo Pálido”, de Vladimir Nabokov
20 de dezembro de 2016 0
No início do ano que vem lanço o meu primeiro romance, “Um amor como nenhum outro”. As influências mais marcantes são Philip Roth (especialmente o de “Complexo de Portnoy”), Morrissey (tanto pelas letras como pelo seu malvisto, mas muito bom, List of the Lost, pela temática e pelo tamanho), e Nabokov (1899-1977). É sobre este último que vou falar aqui. “Fogo Pálido” provavelmente seja o melhor livro do autor russo emigrado depois da Revolução Soviética de 1917 – ele era de família rica e “aristocrática liberal” e, como muitos de seus romances, este tem personagens na mesma condição que ele, russos tentando se virar no Ocidente. Mas não é essa a característica que influenciou a escrita do meu romance: foi o “narrador não-confiável”, presente em boa parte de seus melhores livros (“Lolita”, “Ada ou Ardor”, “Desespero”) e que chega à perfeição neste “Fogo Pálido”. Já pela própria estrutura o livro é muito original: consta de um prefácio de umas 10 páginas, escrito pelo próprio narrador, Charles Kinbote, de um poema de mil versos que ocupa cerca de 28 páginas, chamado “Fogo Pálido” e escrito por outro personagem, o poeta e professor universitário John Shade e, finalmente, das notas de Charles Kinbote, que ocupam as restantes das 236 páginas da minha edição do Círculo do Livro: em outras palavras, as notas ocupam mais de 85% do livro. O poema do personagem John Shade é autobiográfico e melancólico, falando de dilemas existenciais e da filha falecida, triste e solitária. Já as notas de Charles Kinbote são coisa de doido: refugiado de um país imaginário próximo da Rússia, Zembla, e vizinho de John Shade, Kinbote faz comentários sobre o poema que aparentemente não fazem o menor sentido. Ele relaciona versos que só parecem ter a ver com a vida do próprio poeta com os acontecimentos em Zembla, que passara por uma revolução nos moldes da Russa de 1917. Nas notas (que, na verdade, são o cerne do romance) o leitor fica imaginando o que tem de verdade e o que tem de mentira nas histórias malucas de Charles Kinbote – e Nabokov, genial como sempre, não deixa de dar sinais de que tudo aquilo não passa de uma maluquice de um sujeito com mania de grandeza. Ao contrário de Nabokov, com meu livro não pretendi dar um nó na cabeça de ninguém. Mas que não dá para confiar no que o meu Raul escreve, ah não dá não.
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“Ulisses”, de Homero
Literatura
“Ulisses”, de Homero
16 de dezembro de 2016 0
Consta que Marcel Proust se surpreendia com o fato de que os personagens de Homero tinham emoções modernas, no que eu concordo. Mais do que isso, salta aos olhos agilidade da narrativa e a descrição precisa dos conflitos em “Odisseia” (Penguin-Companhia das Letras, 576 páginas): o final da história, inclusive, em que Ulisses e seu filho Telêmaco se vingam dos pretendentes de Penélope, tem todos os elementos de um thriller de suspense. De todo modo, é óbvio que este é um livro muito antigo, e isto faz grande parte do charme de “Odisseia” para o leitor de hoje. (mais…)
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