“Sidarta”, de Hermann Hesse
Literatura

“Sidarta”, de Hermann Hesse

6 de junho de 2018 0

Como se sabe, e a Wikipédia corrobora, Sidarta Gautama, o Buda, foi um príncipe de uma região no sul do atual Nepal que, tendo renunciado ao trono, se dedicou à busca da erradicação das causas do sofrimento humano e de todos os seres, e desta forma encontrou um caminho até ao “despertar” ou “iluminação”. Já em “Sidarta”, do alemão Herman Hesse (li na edição em inglês da Fall River Press, 143 páginas), Sidarta é um nobre brâmane que também renuncia à vida tranquila e confortável que tem para procurar a iluminação, e Gautama é outra pessoa: o próprio Buda. 

No início, Sidarta se une a monges que fazem voto de pobreza. Após alguns anos no meio deles, Sidarta encontra Gautama, e acaba indo procurar a iluminação de outra maneira: se une a um comerciante, fica rico e arranja uma amante. Este caminho acaba tornando-o “seco” para as coisas do espírito, e ele tenta encontrar a iluminação espiritual trabalhando com um humilde balseiro, que lhe ensina “ouvir a voz do rio”. Finalmente, ele encontra a paz de espírito através de uma filosofia panteísta – explicando de maneira aproximada, ele vê a iluminação em todos os lugares, com todas as experiências.

Consegui entender a vontade de Paulo Coelho – sempre desprezado pela crítica especializada – em ser reconhecido como grande escritor: afinal de contas, Hermann Hesse ganhou o Prêmio Nobel em 1946 e é fácil reconhecer a influência do alemão nas obras do brasileiro famosíssimo no mundo todo.

E, francamente, não vejo nada de muito positivo em nada disso: apesar de muito bem escrito, “Sidarta” – como os livros de Paulo Coelho – é de uma confusão espiritual à toda prova.

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