“As Nuvens”, de Aristófanes
Literatura

“As Nuvens”, de Aristófanes

3 de junho de 2018 0

Estrepsíades tem um filho, Fidípedes, que gasta todo o dinheiro do pai em cavalos. Para resolver as dívidas causadas por este, Estrepsíades tem uma ideia genial: vai até a academia de Sócrates na esperança de que o filósofo e seus discípulos lhe arranjem um jeito de, através de argumentos sofistas, passar a perna nos seus credores e não precisar mais pagar nada. Este é o argumento principal de “As Nuvens” (Coleção Teatro Vivo da Abril Cultural, 214 páginas, edição conjunta com “Lisístrata”), comédia clássica de Aristófanes (446?-380? a.C.).

Segundo o Sócrates de “As Nuvens”, apenas três deuses existem: as Nuvens (que fazem a chuva e os trovões através de movimentos de seus rins e intestinos), o Caos e a Língua (a principal arma dos sofistas, afinal de contas). Esta “informação” acaba sendo importante para Estrepsíades quando os credores vêm até ele, que diz que não tem responsabilidade por juramentos feitos em nome de Zeus, que não existe segundo o que acabara de aprender com Sócrates.

Além da discussão sobre os deuses, Estrepsíades e seu filho acabam aprendendo várias técnicas para engambelar o próximo, a ponto de Fidípedes arranjar argumentos, no final da peça, para bater no próprio pai – que se irrita de tal modo com os “ensinamentos” de Sócrates e seus discípulos que acaba colocando fogo na academia do filósofo.

Segundo a Nota do Editor do volume sobre Sócrates da coleção “Os Pensadores”, da Abril Cultural (lançada em 1972), como o filósofo não deixou nenhum escrito,

“tudo o que sabemos sobre ele provém de depoimentos de discípulos ou de adversários. Os historiadores da filosofia são unânimes em considerar que os principais testemunhos sobre Sócrates são fornecidos por Platão e Xenofonte, que o exaltam, e por Aristófanes, que o combate e satiriza. Do confronto desses diferentes retratos é que se pode tentar extrair a fisionomia de Sócrates.”

Não dá mesmo para saber o quão verdadeira é a versão debochada de Aristófanes se aproxima do verdadeiro Sócrates. Mas que a peça é divertidíssima, ah é.

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