Philip Roth (1933-2018)
Literatura

Philip Roth (1933-2018)

23 de maio de 2018 0

É engraçado que se eu fosse fazer minha lista de dez livros preferidos, assim de cabeça, provavelmente não entraria nenhum livro de Philip Roth (1933-2018). Quem sabe algum dele entrasse numa lista de vinte melhores, mas francamente não tenho certeza. Acho que agora meio que entendo o porquê disso.

Pensando na morte deste grande escritor americano, ocorrida ontem, percebi que, para mim, os grandes livros podem me impressionar pela arte ou pela, como direi, pela “experiência”. Deixa eu ver se consigo explicar.

Os livros que me impressionaram pela arte – e que são sempre os favoritos nas minhas listas de preferidos – são aqueles que, durante a leitura, me deixaram embasbacado pela qualidade das imagens criadas, pela genialidade em si da obra, pela surpresa da coisa. Nunca imaginaria – se não os tivesse lido – que existissem livros como “2666”, de Roberto Bolaño, “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, ou “O Castelo”, de Franz Kafka.

Philip Roth se enquadra em outra categoria. Seus livros – como os de Junichiro Tanizaki, Rubem Fonseca, Santa Teresa d’Ávila ou Javier Marías – fazem com que eu veja minha própria vida com outros olhos. É quase como uma sessão de análise: esses autores parecem estar me dizendo algo como “você pensa esse tipo de coisa, por mais que finja que não”.

Eu desisti de ler Philip Roth já há uns três anos, conforme já comentei por aqui, porque, de certo modo – como Thomas Mann e Balzac, antes dele –, o americano já não representava mais “um grande desafio para minha leitura”. Pensando nesta minha teoria da “sessão de análise”, fico me perguntando se não “me dei alta” dele: afinal de contas li uns vinte livros do americano, de certa forma achei que a “análise” já tinha atingido seus “objetivos”.

Sei lá se não estou falando besteira: o fato é que sempre olho para os livros que tenho dele lá em casa, e que (ainda) não li, como “O Professor de Desejo” ou “A Lição de Anatomia”, tenho vontade de voltar a mergulhar em suas histórias fortes cujos personagens principais – quase sempre judeus, americanos e heterossexuais – são atormentados e, frequentemente, vítimas de um destino implacável.

Descanse em paz, Philip Roth. Você teve uma bela vida. Seus milhões de leitores pelo mundo são uma prova viva disso.

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