Texto antigo sobre “A Crow Left Of The Murder”, do Incubus
Música

Texto antigo sobre “A Crow Left Of The Murder”, do Incubus

4 de dezembro de 2017 0

Banda californiana formada no início dos anos 90, o Incubus despontou para o sucesso quando começou a excursionar com grupos como Limp Bizkit, Coal Chamber, Korn e Papa Roach – e deve ser por isto que alguns ainda insistem em colocar o rótulo de nü metal neles. Se nos primeiros e mais pesados álbuns da banda (Fungus Amongus e S.C.I.E.N.C.E, respectivamente de 1995 e 1997) este epíteto já não lhes cabia direito dada a multiplicidade de influências, os subseqüentes (Make Yourself e Morning View, de 1999 e 2001) definitivamente não podem ser chamados de discos de “novo metal”. Ambos são bons discos de rock, com bastante punch e que não apresentam as características do estilo que a crítica ama odiar.

O novo lançamento, A Crow Left Of The Murder (Epic/Sony), é uma espécie de aperfeiçoamento dos dois anteriores. É um grande disco de um rock nervoso, vigoroso, com estilo que, embora deixe menos espaço para o funk, tem um quê de Red Hot Chilli Peppers – só que com mais pegada e um vocalista bem melhor. Além disso, a banda tem um grande senso melódico e a capacidade de fazer ótimos refrões, que grudam na cabeça.

Algumas canções são muito pesadas e com punch inacreditável, como as agressivas “Pistola”, “Smile Lines”, “Leech” e, principalmente, “Megalomaniac”, a melhor do disco. Outras, menos pesadas, como “Made For TV Movie”, “Agoraphobia” e “Talk Shows On Mute”, têm seu ponto alto nos lindos refrões. Já Priceless é quase punk rock. E nas baladas “Here In My Room” e “Southern Girl”, o Incubus também acerta a mão.

Ns versos que canta, o vocalista Brandon Boyd critica popstars megalomaníacos (“Megalomaniac”), queixa-se da mídia televisiva (“Talk Shows On Mute”, “Made For TV Movie”), ameaça os poderosos (“Beware! Criminal!”) ou simplesmente mostra a que veio (“Pistola”). Quando fala de amor (exatamente nas duas baladas) parece um colegial – o que não deixa de ter charme.

Resumo da ópera: se as letras não chegam a impressionar, musicalmente A Crow Left Of The Murder é um disco brilhante. E vale o investimento.

(publicado anteriormente no Mondo Bacana)

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