“La Bibliothèque de Marcel Proust”, de Anka Muhlstein
Literatura

“La Bibliothèque de Marcel Proust”, de Anka Muhlstein

17 de janeiro de 2017 0

É bacana saber que um dos seus defeitos era compartilhado por um gênio. Em “La Bibliothèque de Marcel Proust” (“A Biblioteca de Marcel Proust”), de Anka Muhlstein (Odile Jacob, 180 páginas), a autora conta que o grande escritor francês era tão bagunçado com seus livros que raramente conseguia encontrá-los quando queria. Às vezes emprestava um para um amigo e pedia que ele o guardasse, já que seria mais fácil reencontrá-lo na casa dele do que na sua própria. Bem, eu também tenho dificuldade em encontrar meus livros…

Brincadeiras à parte, o foco de “La Bibliothèque de Marcel Proust” não é exatamente a sua biblioteca, mas a profunda relação do autor com os livros – que se iniciou na infância e continuou por toda a vida. Vários aspectos do tema são analisados pela autora.

A relação dos personagens de “Em Busca do Tempo Perdido” com os livros, por exemplo. Segundo Muhlstein, a grande maioria das personagens da obra-prima de Proust é leitora assídua, mas boa parte delas só atinge a superfície das obras que lê, enquanto que outros conseguem captar as profundidades requeridas pelos autores das obras-primas da literatura. Grande destaque neste aspecto é o arrogante M. de Charlus – para muitos, o melhor personagem de “Em Busca do Tempo Perdido” -, um homossexual arrogante e pernóstico, de alta nobreza que sempre fazia questão de impor limites aos plebeus nas proximidades, mas que ao mesmo tempo era um profundo leitor de Balzac.

A relação dos escritores preferidos de Proust com o autor também é dissecada em “La Bibliothèque de Marcel Proust” de maneira leve e interessante. Anka Muhlstein discorre com precisão sobre a influência que os escritos de Baudelaire, Ruskin, Balzac, Racine, Saint Simon, Anatole France, Tolstói e os Irmãos Goncourt exerceram não só na obra-prima de Proust, como nas suas demais obras e na sua vida de maneira geral.

De certa maneira, “Em Busca do Tempo Perdido” nunca termina, e ótimas obras como “La Bibliothèque de Marcel Proust” mantêm a chama acesa.

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