“A Morte do Pai”, de Karl Ove Knausgard
Literatura

“A Morte do Pai”, de Karl Ove Knausgard

18 de outubro de 2016 0

Só fui ter ideia de que Karl Ove Knausgard é um superstar da literatura a partir da leitura de uma reportagem no site Vice contando sobre a multidão que foi até à Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) este ano para ter contato com o escritor norueguês, assistir sua participação em debates e obter algum autógrafo. Eu lembrava que tinha lido sobre sua série autobiográfica, batizada de “Minha Luta” (minha Nossa Senhora!), na Folha de São Paulo, mas não tinha ficado muito impressionado – acho que por causa do nome da série mesmo. Enfim, depois da reportagem na Vice (e de saber que 10% dos noruegueses já leram sua série), resolvi dar uma conferida em “A Morte do Pai”, o primeiro dos seis volumes de “Minha Luta”.

É até complicado descrever o livro, mas um resumo infame seria assim: “Karl Ove Knausgard conta detalhes de sua adolescência e de sua complicada relação com o falecido pai”. O autor descreve com grande minúcia acontecimentos como a criação de sua fracassada banda de rock, sua relação conflituosa com os estudos, seus primeiros namoros, suas experiências com álcool. Mas o principal destaque do livro é mesmo sua relação com o pai, homem de temperamento muito difícil e que, assim que Karl Ove torna-se adulto, entra numa espiral de alcoolismo que acaba por matá-lo – o enterro dele tem papel fundamental no livro, aliás.

Assim como em “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, em “A Morte do Pai” Karl Ove Knausgard chega a utilizar perto de cinquenta páginas para descrever um jantar ou os acontecimentos de uma noite; o escritor norueguês, por outro lado, acha insultuosa a comparação com o francês, já que para ele, “é impossível ser uma espécie de Proust norueguês”. Segundo Karl Ove,

“Proust escrevia de maneira fina e elegante e seu livro (‘Em busca do tempo perdido’) é a melhor obra literária já escrita. A única coisa em comum entre meu trabalho e o dele foi no tamanho do livro. Só isso. ”

De todo modo, parafraseando o título daquela coletânea do Elvis, “50 milhões de pessoas não podem estar erradas”: “A Morte do Pai” é tão fascinante e absorvente que cheguei a pensar que a Amazon vendia a versão eletrônica do primeiro volume bem mais barata que as outras pelo mesmo motivo que faz um traficante dar drogas de presente até a pessoa se viciar. Bem, a Amazon já mudou os preços dos exemplares, o que fez minha teoria ir para o ralo – mas a analogia continua valendo.

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