Sobre a ira / Sobre a tranquilidade da alma, de Sêneca
Literatura

Sobre a ira / Sobre a tranquilidade da alma, de Sêneca

23 de julho de 2015 2

Segundo a introdução da edição da Penguin-Companhia das Letras de “Sobre a ira / Sobre a tranquilidade da alma”, de Sêneca (4 a.C – 65 d.C), o discurso filosófico foi utilizado pelo grande pensador romano “não como uma atividade estritamente intelectual, mas como um meio para estimular nos leitores determinada disposição interior que pudesse resultar na prática de condutas estabelecidas como positivas pela doutrina moral estoica, da qual Sêneca sempre se manteve adepto e foi um importante divulgador”.

Como o próprio título sugere, o livro é composto por duas obras diferentes – e ambas são escritas em forma de discurso. Em “Sobre a ira” Sêneca expõe suas teses para seu irmão mais velho, Novato – que mais tarde mudou seu nome para Galião Anaeano, em decorrência de uma adoção legal. Já como procônsul da Acaia, Galião decidiu abster-se de julgar um processo movido pelos judeus de Corinto contra o apóstolo Paulo (episódio citado em Atos dos Apóstolos (18, 12-17)). Já “Sobre a tranquilidade da alma” é endereçado a Sereno, um amigo dileto do filósofo.

Em “Sobre a ira” Sêneca defende a tese – contrária à de outros filósofos da Antiguidade, como Aristóteles – de que a ira sempre é prejudicial. Segundo o romano, um grande homem não deve irar-se nunca e, quando não for possível reprimir a ira, ele deve tentar se acalmar o mais cedo possível. Já “Sobre a tranquilidade da alma” apresenta sugestões sobre o “bem viver”, discorrendo sobre vários assuntos, como os bens e os prazeres, o ócio, as atividades sociais e políticas, o autoconhecimento, a opinião alheia, e assim por diante.

Apenas a partir da descrição acima, eu certamente não me interessaria pela leitura do livro – do jeito que está escrito, as obras têm mais jeito de autoajuda do que de outra coisa.

Ledo engano. A profundidade do pensamento, a vivacidade do estilo e os ricos exemplos que o filósofo apresenta para confirmar suas teses tornam a leitura de “Sobre a ira / Sobre a tranquilidade da alma” extremamente prazerosa.

 

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There are 2 comments

  • Erick Azevedo disse:

    Comprei esse livro, pois gosto de filosofia. Você conhece o autor, ou o livro, que relata a historia de Diógenes de Sinope? Venho procurando a bastante tempo mas não consigo encontrar. Valeu pelo texto sobre Sêneca.

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