Literatura

“Recordações do escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto
Literatura
“Recordações do escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto
2 de outubro de 2017 at 22:18 0
Não sei bem o que eu tinha na cabeça quando não gostei da leitura de “Recordações do escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto (1881-1922), uns seis anos atrás. De modo geral, achei que o livro era tão depressivo e amargo que estes defeitos sobrepujavam em muito as suas qualidades: o retrato preciso de mazelas brasileiras como o racismo, a falta de palavra dos políticos, o sensacionalismo da imprensa. De lá para cá, li recentemente a ótima biografia “Lima Barreto – Triste visionário”, de Lilia Moritz Schwarcz, que comentei por aqui, e fiquei com vontade de tirar a cisma deste clássico da literatura brasileira. Isaías Caminha, o personagem principal e narrador da história, nasce no interior do estado do Rio de Janeiro e, com a carta de recomendação dirigida a certo deputado em mãos, vai à então capital da República tentar iniciar os estudos superiores. Em uma passagem clássica, Isaías Caminha se choca ao se sentir vítima de racismo numa estação de trem, quando é tratado rispidamente pelo atendente, que é gentil com o passageiro branco a seu lado. Nada dá certo para o personagem no Rio de Janeiro: o tal deputado não move uma palha por ele, que chega a passar fome, vagando sem destino e sem dinheiro pelas ruas da cidade. Isaías Caminha acaba conseguindo um emprego como contínuo num jornal e, por circunstâncias inusitadas, acaba subindo na carreira alguns anos depois. (mais…)
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“A harmonia do mundo”, de Marcelo Gleiser
Literatura
“A harmonia do mundo”, de Marcelo Gleiser
29 de setembro de 2017 at 11:07 0
Marcelo Gleiser é o mais conhecido cientista brasileiro da atualidade. Além de dar aulas na renomada universidade americana Darthmouth College, suas pesquisas no ramo da astrofísica levaram-no a ganhar um prêmio do governo dos Estados Unidos em 1994. Mas o motivo de ele ser conhecido no Brasil está relacionado à sua atividade como divulgador científico: Gleiser mantém já há alguns anos uma coluna mensal no jornal Folha de São Paulo, publicou diversos livros – entre eles os ótimos O fim da terra e do céu e A dança do universo – e agora pode ser visto todos os domingos no Fantástico, da TV Globo, com o quadro Poeira das estrelas. (mais…)
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“007 Contra o Satânico Dr. No”, de Ian Fleming
Literatura
“007 Contra o Satânico Dr. No”, de Ian Fleming
29 de setembro de 2017 at 11:03 0
007 Contra o Satânico Dr. No, de Ian Fleming (Editora Record, 286 páginas), começa com o agente James Bond se recuperando do envenenamento sofrido em Moscou Contra 007 (que o Bacana resenhou aqui). M, seu superior no Serviço Secreto Inglês, resolve dar um descanso para Bond, mandando-o para a Jamaica (ainda possessão britânica, já que o livro fora lançado em 1958) para investigar o sumiço de dois agentes, um homem e uma mulher, suspeitos de terem deserdado e fugido juntos para alguma ilha paradisíaca do Caribe. (mais…)
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“Americanah”, de Chimamanda Ngozi Adichie
Literatura
“Americanah”, de Chimamanda Ngozi Adichie
27 de setembro de 2017 at 22:46 0
Ifemelu é uma nigeriana que, cansada da falta de perspectivas em seu país natal, tenta a sorte nos Estados Unidos. Lá ela acaba virando uma blogueira de sucesso, mas, num passo arriscado, resolve voltar a morar na Nigéria. Não é só a saudade da sua terra que a faz tomar esta decisão inesperada: o grande amor de sua vida, Obinze, que ela tinha abandonado sem maiores explicações, continua vivendo na sua terra natal - ele, que tinha uma origem de classe média como Ifemelu, agora é um empresário de sucesso. Deste modo, é atrás de amor e não de dinheiro que ela volta para a Nigéria, já que vivia muito bem financeiramente nos Estados Unidos. Descrito assim, “Americanah”, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (Companhia das Letras, 520 páginas), parece apenas uma história de amor – é também, mas é muito mais do que isto. “Americanah” discute com profundidade temas como a relação entre os negros americanos e não-americanos nos Estados Unidos; a relação entre brancos, judeus, negros e asiáticos naquele país; a sociedade profundamente corrupta da Nigéria, e a desesperança de grande parte de sua população (parece o Brasil, né?); as relações culturais e pessoais nas universidades americanas e nigerianas. Parece um tratado de sociologia, e também é, mas é muito mais do que isto. (mais…)
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“Le Médécin malgré lui”, de Molière
Literatura
“Le Médécin malgré lui”, de Molière
25 de setembro de 2017 at 21:08 0
Sganarelle é um cortador de lenha por profissão e péssimo marido: bebe demais, gasta toda a herança da mulher, Martine, é adúltero, mal trabalha. Logo no início da peça “Le Médécin malgré lui” (algo como “o médico apesar dele mesmo”), do dramaturgo francês Molière (1622-1673), Sganarelle, cansado das reclamações da mulher, dá uma surra nela. Um vizinho chega para resolver a situação, mas Martine resolve colocar panos quentes e não faz queixa do marido. Mas ela bola uma vingança, que logo põe em prática. Dois homens, Valère e Lucas, aparecem em cena procurando algum médico que cure a súbita mudez de Lucinde, a filha do patrão deles. Martine lhes diz que seu marido, Sganarelle, é um médico extraordinário, mas com um probleminha: só assume sua profissão (e trabalha nela) debaixo de surra. Valère e Lucas vão até Sganarelle, lhe perguntam se ele é médico, e diante da óbvia recusa (pois ele não era médico, afinal de contas), começam a moê-lo de pancada. (mais…)
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Valdez Vem Aí, de Elmore Leonard
Literatura
Valdez Vem Aí, de Elmore Leonard
15 de setembro de 2017 at 14:54 0
(Texto publicado em 2006 no Mondo Bacana) Valdez Vem Aí (Editora Rocco, 218 páginas), do grande escritor de westerns Elmore Leonard, começa com um negro encurralado em sua própria casa por algumas pessoas – entre elas pistoleiros que o estão ameaçando porque o seu chefe, um tal de sr. Tanner, pensava que o homem acuado era um foragido do exército que tinha matado um de seus homens. Roberto Valdez, que representa a lei na aldeia onde estes acontecimentos ocorrem, aparece sem ser chamado. E ninguém dá bola para ele. A situação se encontra em um impasse. O negro não sai da casa e, por estar armado, os pistoleiros e Tanner nem tentam entrar lá. No meio desta situação complicada, a mulher do encurralado, uma índia grávida, sem se dirigir aos presentes entra na residência. (mais…)
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“Ele simplesmente não está a fim de você” e “Garotas que dizem ni”
Literatura
“Ele simplesmente não está a fim de você” e “Garotas que dizem ni”
15 de setembro de 2017 at 14:44 0
(texto publicado no suplemento dominical do jornal O Estado do Paraná em 2006) A revolução do costumes e a invenção da pílula anticoncepcional, nos anos 60, permitiram que as mulheres passassem a ter, em relação ao que acontecia nas décadas anteriores, uma liberdade sexual muito maior. Além disso, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho fez com que elas, cada vez mais, não precisassem mais procurar maridos que as sustentassem. Isto tudo, entretanto, não resultou necessariamente em um aumento da felicidade para as mulheres. Dar pistas para solucionar o dilema em que muitas solteiras ou divorciadas vivem nos dias de hoje é o objetivo do terapeuta sexual Ian Kerner no livro Fala sério! Você também não está a fim dele (Best Seller, 192 páginas). (mais…)
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Asterix – textos de 2006
Cinema, Literatura
Asterix – textos de 2006
11 de setembro de 2017 at 09:13 0
Asterix e os vikings: Criada em 1961 por René Goscinny e Albert Uderzo, as histórias do gaulês Asterix fazem, até hoje, um imenso sucesso no mundo inteiro: além das HQs (traduzidas em mais de 100 idiomas e que já venderam mais de 120 milhões de exemplares) e filmes (de desenho animado e "normais"), até um parque temático nos moldes da Disneyworld foi construído nas imediações de Paris. As histórias da pequena aldeia gaulesa (a Gália se situava onde atualmente é a França) que resiste à dominação romana, pouco antes do início da Era Cristã, graças à poção mágica criada pelo druida Panoramix - que dá uma força sobrenatural a seus habitantes -, continua fascinando crianças, jovens e adultos pelo mundo todo. Entre as maiores qualidades das histórias do baixinho Asterix podem ser citados: o brilhante traço de Uderzo; a esperteza, a coragem e a inteligência do personagem principal; o conseqüente contraste com a obtusidade de seu melhor amigo Obelix (que caiu num caldeirão da poção mágica quando criança e que, por isto, conquistou uma força sobre-humana para o resto da vida); a sabedoria do druida; os engraçados personagens Abracurcix (o chefe da aldeia), Chatotorix (um bardo que canta insuportavelmente mal) e Ordenalfabetix (o vendedor de peixes que vive se pegando com o ferreiro Automatix). Não se pode esquecer também do charme adicional de histórias em que os não-poderosos (os gauleses, neste caso) sempre vencem os poderosos (os romanos). Mas sem dúvida nenhuma a maior responsável pelo imenso sucesso de Asterix são os brilhantes roteiros assinados por René Goscinny, falecido em 1977: a morte deste foi uma perda insuperável para a qualidade das histórias do baixinho gaulês, o que se pode comprovar lendo as fracas histórias recentes de Asterix, roteirizadas pelo desenhista Albert Uderzo. (mais…)
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