Literatura

“Uma Temporada no Escuro”, de Karl Ove Knausgard
Literatura
“Uma Temporada no Escuro”, de Karl Ove Knausgard
19 de março de 2017 at 23:30 0
Enfim terminei de ler o quarto livro da série “Minha Luta”, do norueguês Karl Ove Knausgard, chamado “Uma Temporada no Escuro”, o último lançado no Brasil (Companhia das Letras, 496 páginas). Agora começa a agonia para esperar a tradução dos dois próximos, “Min kamp. Femte bok” e “Min kamp. Sjette bok” (nomes pegos na Wikipedia: segundo o Google Tradutor, simplesmente "Minha Luta. Quinto livro" e "Minha Luta. Sexto livro"). (mais…)
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Rubem Fonseca, Knausgard
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Rubem Fonseca, Knausgard
28 de fevereiro de 2017 at 19:47 0
Eu já tinha ficado bastante impressionado com “A Morte do Pai”, o primeiro dos livros da série autobiográfica “Minha Luta” (epa), do norueguês Karl Ove Knausgard. O segundo, “Um Outro Amor” (Companhia das Letras, 592 páginas), é ainda melhor: o início da relação com sua mulher, Linda, a vida com seus filhos, o início da carreira de escritor, a amizade com Geir e a mudança da Noruega para a Suécia são os principais temas do romance deste escritor espetacular, que consegue descrever um jantar em cinquenta páginas e mesmo assim manter o interesse para seus inúmeros (10% da população da Noruega já leu sua enorme série autobiográfica, para que se tenha uma ideia) leitores. O livro seguinte da série, “A Ilha da Infância” (Companhia das Letras, 436 páginas), que conta suas lembranças de infância e início da adolescência, por outro lado, mesmo longe de ser ruim, está distante da qualidade dos dois primeiros. Suas longas descrições de brincadeiras e passeios nas florestas próximas de onde vivia não deixam de ter seu interesse, mas os acontecimentos apresentados nos romances anteriores prendem muito mais a atenção. Além disso, o maior drama de “A Ilha da Infância”, a relação com o pai, sádico com os dois filhos, já tinha sido mais bem descrito em “A Morte do Pai”. De todo modo, Knausgard é sempre Knausgard, e a falta de descrição da descoberta do sexo – ele simplesmente descreve fatos anteriores e posteriores a este acontecimento sempre decisivo – é uma mostra da excelência (como se ainda precisássemos de alguma) do norueguês como escritor. (mais…)
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“La Bibliothèque de Marcel Proust”, de Anka Muhlstein
Literatura
“La Bibliothèque de Marcel Proust”, de Anka Muhlstein
17 de janeiro de 2017 at 00:08 0
É bacana saber que um dos seus defeitos era compartilhado por um gênio. Em “La Bibliothèque de Marcel Proust” (“A Biblioteca de Marcel Proust”), de Anka Muhlstein (Odile Jacob, 180 páginas), a autora conta que o grande escritor francês era tão bagunçado com seus livros que raramente conseguia encontrá-los quando queria. Às vezes emprestava um para um amigo e pedia que ele o guardasse, já que seria mais fácil reencontrá-lo na casa dele do que na sua própria. Bem, eu também tenho dificuldade em encontrar meus livros... (mais…)
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“Uivo – Kaddish e Outros Poemas”, de Allen Ginsberg
Literatura
“Uivo – Kaddish e Outros Poemas”, de Allen Ginsberg
16 de janeiro de 2017 at 21:30 0
O início do poema “Uivo”, do poeta beat Allen Ginsberg (1926-1997) é espetacular:
“Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, / arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa, / hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite, / que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz, / que desnudaram seus cérebros sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos, (...)”
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Melhores livros lidos em 2016
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Melhores livros lidos em 2016
28 de dezembro de 2016 at 19:46 0
  1. “Fogo pálido”, de Vladimir Nabokov: um poema relativamente curto e páginas e páginas de notas num romance que influenciou meu próprio romance.
  2. “A Morte do Pai”, de Karl Ove Knausgard: a adolescência, o início da idade adulta e a complicada relação com o pai deste escritor que tem obras tão envolventes que certamente são publicadas no Paraíso.
  3. “Linha M”, de Patti Smith: como o de cima, também de memórias e também com vendas garantidas no Paraíso.
  4. “Ligue os Pontos – Poemas de Amor e Big Bang”, de Gregório Duviver: os poemas de Gregório Duvivier, humorista conhecido por todo o mundo, são de uma beleza surpreendente.
  5. “O livro de Oseias”: Deus manda o seu profeta casar com uma prostituta. Não precisa falar muito mais.
  6. “O Jardim Secreto”, de Frances Hodgson Burnett: personagens deliciosos, um jardim cheio de belezas e mistérios.
  7. “Paraíso Perdido”, de Cees Nooteboom: uma história estranha que envolve duas mulheres, o Brasil, a Austrália e um monte de anjos.
  8. “O homem que amava os cachorros”, de Leonardo Padura: o assassinato de Trotski num verdadeiro tour-de-force literário.
  9. “Amanhã na batalha pensa em mim”, de Javier Marías: o homem errado, no lugar errado, com a mulher errada. Como consertar o que não tem conserto?
  10. “Vida de um homem: Francisco de Assis”, de Chiara Frugoni: a autora tenta nos contar quem era São Francisco de Assis, e do seu livro emerge um sujeito meio louco (louco de Deus?), profundamente bondoso, corajoso e bem-humorado.
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“Fogo Pálido”, de Vladimir Nabokov
Literatura
“Fogo Pálido”, de Vladimir Nabokov
20 de dezembro de 2016 at 16:40 0
No início do ano que vem lanço o meu primeiro romance, “Um amor como nenhum outro”. As influências mais marcantes são Philip Roth (especialmente o de “Complexo de Portnoy”), Morrissey (tanto pelas letras como pelo seu malvisto, mas muito bom, List of the Lost, pela temática e pelo tamanho), e Nabokov (1899-1977). É sobre este último que vou falar aqui. “Fogo Pálido” provavelmente seja o melhor livro do autor russo emigrado depois da Revolução Soviética de 1917 – ele era de família rica e “aristocrática liberal” e, como muitos de seus romances, este tem personagens na mesma condição que ele, russos tentando se virar no Ocidente. Mas não é essa a característica que influenciou a escrita do meu romance: foi o “narrador não-confiável”, presente em boa parte de seus melhores livros (“Lolita”, “Ada ou Ardor”, “Desespero”) e que chega à perfeição neste “Fogo Pálido”. Já pela própria estrutura o livro é muito original: consta de um prefácio de umas 10 páginas, escrito pelo próprio narrador, Charles Kinbote, de um poema de mil versos que ocupa cerca de 28 páginas, chamado “Fogo Pálido” e escrito por outro personagem, o poeta e professor universitário John Shade e, finalmente, das notas de Charles Kinbote, que ocupam as restantes das 236 páginas da minha edição do Círculo do Livro: em outras palavras, as notas ocupam mais de 85% do livro. O poema do personagem John Shade é autobiográfico e melancólico, falando de dilemas existenciais e da filha falecida, triste e solitária. Já as notas de Charles Kinbote são coisa de doido: refugiado de um país imaginário próximo da Rússia, Zembla, e vizinho de John Shade, Kinbote faz comentários sobre o poema que aparentemente não fazem o menor sentido. Ele relaciona versos que só parecem ter a ver com a vida do próprio poeta com os acontecimentos em Zembla, que passara por uma revolução nos moldes da Russa de 1917. Nas notas (que, na verdade, são o cerne do romance) o leitor fica imaginando o que tem de verdade e o que tem de mentira nas histórias malucas de Charles Kinbote – e Nabokov, genial como sempre, não deixa de dar sinais de que tudo aquilo não passa de uma maluquice de um sujeito com mania de grandeza. Ao contrário de Nabokov, com meu livro não pretendi dar um nó na cabeça de ninguém. Mas que não dá para confiar no que o meu Raul escreve, ah não dá não.
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“Ulisses”, de Homero
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“Ulisses”, de Homero
16 de dezembro de 2016 at 10:47 0
Consta que Marcel Proust se surpreendia com o fato de que os personagens de Homero tinham emoções modernas, no que eu concordo. Mais do que isso, salta aos olhos agilidade da narrativa e a descrição precisa dos conflitos em “Odisseia” (Penguin-Companhia das Letras, 576 páginas): o final da história, inclusive, em que Ulisses e seu filho Telêmaco se vingam dos pretendentes de Penélope, tem todos os elementos de um thriller de suspense. De todo modo, é óbvio que este é um livro muito antigo, e isto faz grande parte do charme de “Odisseia” para o leitor de hoje. (mais…)
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“Ligue os Pontos – Poemas de Amor e Big Bang”
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“Ligue os Pontos – Poemas de Amor e Big Bang”
13 de dezembro de 2016 at 22:55 0
Todo o mundo conhece Gregório Duvivier. Seja como ator na Porta dos Fundos (eu gosto), seja como colunista na Folha de São Paulo (às vezes gosto, às vezes não gosto, mas é sempre original), seja como aquele engraçadinho que entrou ao vivo num jornal da TV Globo dizendo a famosa frase “primeiramente, fora Temer”. (mais…)
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