Literatura

“Jacques, o Fatalista, e o Seu Amo”, de Denis Diderot
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“Jacques, o Fatalista, e o Seu Amo”, de Denis Diderot
10 de dezembro de 2017 at 19:05 0
Eu ainda não li “A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy”, do inglês Laurence Sterne (1713-1768), o que é meio vergonhoso. Explico: sua influência em dois dos meus escritores preferidos, Machado de Assis e Denis Diderot, é tão evidente – e assumida pelos autores – que eu acho que eu deveria ter lido o romance. Enfim, é fato conhecido que o estilo coloquial, cheio de comentários paralelos, muitas vezes falando diretamente com o leitor, de Machado de Assis em livros como “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é totalmente emulado do inglês. O mesmo com este delicioso “Jacques, o Fatalista, e o Seu Amo”, do enciclopedista francês Denis Diderot (1713-1784), que chega a citar o “Tristam Shandy” algumas vezes na obra. O romance conta uma viagem de Jacques e seu patrão: o empregado, que acredita que tudo o que acontece aqui já estava escrito “lá em cima”, é muito mais inteligente e esperto que o chefe – o que chega a causar uma desavença entre os dois, quando Jacques declara que ele sempre vai ser lembrado com mais reverência que o amo, e por isso não iria fazer um favor que o patrão lhe tinha pedido. (mais…)
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“Vozes de Tchernóbil”, de Svetlana Aleksiévitch
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“Vozes de Tchernóbil”, de Svetlana Aleksiévitch
3 de dezembro de 2017 at 23:37 0
O desastre de Tchernóbil foi o maior acidente nuclear da história, e ocorreu em 26 de abril de 1986, na antiga União Soviética, praticamente na fronteira entre as atuais Ucrânia e Bielorrússia. Quem vê a foto que acompanha este texto, retirada da Wikipédia e que mostra o estado do reator 4 da Usina Nuclear de Tchernóbil logo após o acidente, não consegue ter ideia das consequências trágicas do desastre. Como dizem muitos dos depoimentos mostrados no espetacular “Vozes de Tchernóbil”, de Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras, 383 páginas), Prêmio Nobel de 2015, os soviéticos não estavam preparados para aquilo. O sol nascia da mesma maneira que antes, os campos pareciam limpos, os rios continuavam com as mesmas cores de sempre, não havia uma guerra. Por que então, perguntavam-se os moradores na região em torno da usina, todos tinham que ir embora de onde sempre tinham vivido? (mais…)
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“Condenada”, de Chuck Palahniuk
Literatura
“Condenada”, de Chuck Palahniuk
26 de novembro de 2017 at 20:35 0
Madison é a filha de uma atriz e de um produtor de cinema, ambos ricaços. Quando ela aparece no início de “Condenada”, do romancista americano Chuck Palahniuk (LeYa, 304 páginas), está presa em uma cela no inferno, para onde foi levada depois da morte por overdose de maconha (!). O inferno é um lugar hostil: a primeira dica que os outros moradores de lá lhe dão é que “não tocasse nas grades das celas”, porque são gosmentas. Ela também não deveria comer as guloseimas do chão, endurecidas como se fossem pedras. De vez em quando chega uma entidade demoníaca, entediada, e come um dos seus vizinhos de cela – mas, como ali a danação é eterna, os engolidos voltam “à vida”. Madison e alguns amigos – a cheerleader bonita e vulgar, o punk, o nerd que sabia com detalhes a história de cada entidade demoníaca que atormenta os moradores do inferno – conseguem sair das celas e fazem uma excursão por lá. É quando Madison vai descobrindo a quantidade enorme de lugares nojentos do local: O Grande Oceano De Esperma Não Aproveitado, O Lago da Bile Tépida, O Mar de Insetos, As Grandes Planícies de Lâminas de Barbear Descartadas – isso sem contar o fedor e a sujeira que infestam boa parte do lugar. Sem transição, Madison, que conta o livro em primeira pessoa, descreve sua atividade como operadora de telemarketing: ela e outros moradores do inferno ligam para pessoas vivas na  Terra para atormentá-los, sempre na hora das suas refeições, com perguntas para pesquisas inúteis. Em outro momento, Madison e seus amigos atacam vários líderes maus do inferno – como Hitler e a Condessa Bathory, uma das maiores, senão a maior, assassinas em série da História – e assim conseguem um bando enorme de seguidores. E assim a vida da personagem no inferno vai sendo contada... (mais…)
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Texto antigo sobre “Sim, Os Deuses Eram Astronautas”, de Erich von Däniken
24 de novembro de 2017 at 09:14 0
A Editora Nova Era (pertencente à Editora Record) está lançando Sim, Os Deuses Eram Astronautas (270 páginas), de Erich von Däniken. Esta é uma espécie de resposta ao famoso Eram os Deuses Astronautas?, livro do mesmo autor, lançado originalmente na década de 70. (mais…)
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“O Misantropo”, de Molière
Literatura
“O Misantropo”, de Molière
19 de novembro de 2017 at 19:46 0
Alceste é um sujeito correto. Correto demais, para falar a verdade. Não aceita hipocrisia. Fala a verdade, doa a quem doer. Um admirador dele, Oronte, lhe mostra um soneto e Alceste lhe responde que ele deveria parar com a poesia, já que o soneto é odioso. Reclama com seu amigo Philinte porque ele trata bem gente que não conhece direito, ou que tem má fama. Mas Alceste tem um ponto fraco: Célimène, garota por quem é apaixonado, é uma conhecida manipuladora dos sentimentos dos homens – mas dela o nosso Alceste perdoa tudo. Este é um resumo de “O Misantropo”, peça de Molière encenada pela primeira vez em 1666 (Jorge Zahar, 130 páginas, tradução de Barbara Heliodora). Na introdução da peça, Barbara Heliodora comenta que, em outras duas peças do francês Molière (1622-1673), “O Avarento” e “Tartufo”, já comentadas aqui, o dramaturgo criticava com cores fortes tanto a avareza do protagonista da primeira peça quanto a hipocrisia religiosa do da segunda. Ainda segundo Heliodora, em “O Misantropo”, “porém, a questão é muito mais sutil, e o protagonista é criticado por levar sua integridade a excessos que prejudicam seu relacionamento com o mundo em que vive. Alceste por certo não merece riso tão forte ou cruel” quanto os protagonistas de ‘O Avarento’ e ‘Tartufo’, “porém Molière, com seu exemplar bom senso, mostra o engano da integridade e da indignação moral quando há perda de perspectiva”. (mais…)
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“Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento”, de Alice Munro
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“Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento”, de Alice Munro
12 de novembro de 2017 at 21:56 0
Não é exatamente uma novidade para quem me conhece que eu gosto de ler. Muito. Prefiro ler do que assistir a séries no Netflix, por exemplo (nada contra séries, muito pelo contrário). Gosto de viagens longas de avião, longas esperas no aeroporto ou em filas de bancos quando posso ler – e eu muito, mas muito raramente mesmo, não carrego um livro comigo. Nem precisa ser um “bom livro” – um razoável já está bom. É difícil eu ler um livro muito ruim, aliás – e, mesmo quando isto acontece, sofro quando desisto de sua leitura no meio do caminho. Toda essa enrolação para dizer que “Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento” (Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura, 342 páginas), da canadense Alice Munro, Prêmio Nobel de 2013, me trouxe um prazer que eu mesmo não estou acostumado a sentir em minhas leituras. Acho que o último livro que me trouxe algo semelhante foi “2666”, de Roberto Bolaño, que devo ter lido aí por 2010, e que eu me enrolava para ler com pena de terminá-lo. (mais…)
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“Novelas nada exemplares”, de Dalton Trevisan
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“Novelas nada exemplares”, de Dalton Trevisan
29 de outubro de 2017 at 16:53 0
É muito interessante revisitar os primeiros livros do maior escritor curitibano até hoje. Se nas obras mais recentes seu estilo está cada vez mais conciso - com contos que chegam a ser escritos em poucas linhas -, em seu livro de estreia, “Novelas nada exemplares”, de 1959 (Civilização Brasileira, 168 páginas), Dalton Trevisan era um escritor mais “tradicional”, com contos de umas seis páginas em média. Mas sua temática, sobre as pequenas tragédias das classes baixa e média baixa de Curitiba, já estava toda lá. (mais…)
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Watchmen e Tico-Tico – Textos de 2006
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Watchmen e Tico-Tico – Textos de 2006
25 de outubro de 2017 at 16:10 0
A HQ Watchmen, lançada lá fora em 1985, criada pelo roteirista Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons é um pesadelo violento, onde não faltam brigas sangrentas, estupros, assassinatos, violência de todo o tipo. Considerada por muitos a melhor HQ de todos os tempos e lançada no Brasil pela primeira vez há dezesseis anos, o primeiro volume da série, englobando três capítulos (serão publicados mais tarde os seguintes três volumes, cada um com três capítulos) foi recentemente publicado pela Via Lettera (80 páginas). (mais…)
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